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Horst Brenke: o brasileiro que foi até a padaria e virou um soldado nazista

Nos momentos finais da Grande Guerra, Brenke foi surpreendido por soldados da SS

Pamela Malva Publicado em 29/07/2020, às 10h29

Os familiares ao lado de Horst Brenke
Os familiares ao lado de Horst Brenke - Divulgação

Não existe nada mais comum e cotidiano do que caminhar até a padaria do seu bairro e comprar alguns pães quentinhos. Foi exatamente isso que Horst Brenke, um brasileiro que morava na Alemanha, pensou no dia 6 de janeiro de 1945.

Seu destino, no entanto, foi outro — muito diferente do que ele imaginava. Horst estava na fila do pão quando soldados da SS entraram correndo na padaria, carregando jovens de todas as idades consigo para lutar na Segunda Guerra Mundial.

Com 18 anos, filho de alemães, nem adiantou alegar sua nacionalidade brasileira: Horst foi levado até o campo de batalha e recebeu uma arma. A derrota alemã já era inevitável, mas o exército estava desesperado.

Passaporte brasileiro de Horst / Crédito: Domínio Público

 

No dia 28 de abril, a frota de Horst foi cercada pelo Exército Vermelho em Berlim. Eles batalharam por dias em um combate que deixou mais de 40 mil mortos. Os sobreviventes do lado da Alemanha nazista, Horst inclusive, foram capturados pelos russos.

Assim, em pouco mais de três meses como soldado, o brasileiro nascido em Curitiba virou prisioneiro de guerra. Como prisioneiro, Horst produziu diários e anotações, entre 1945 e 1946. Cada um deles virou um livro, escrito pelo jornalista Tarcísio Badaró.

Em Era um garoto: O soldado brasileiro de Hitler, Tarcísio narra que não se sabe exatamente o que Horst pensava sobre Hitler. “Não encontrei qualquer indício de nacionalismo, interesse político, simpatia ou concordância com as ideias nazistas. Pelo contrário", disse.

Anotações do diário de Horst / Crédito: Domínio Público

 

Logo depois que foi capturado, Horst foi levado para o campo de Stalag VIIIC e, em seguida, para uma fábrica de tratores em Vladimir, a cerca de 200 km de Moscou. Lá, o destino do curitibano foi traçado com muito frio, fome, desnutrição e falta de esperança.

Horst foi prisioneiro do Exército Vermelho por mais de um ano, até ser liberado e deixado em Udine, na Itália, em julho de 1946. No novo país, ele dormiu nas ruas e em sanatórios, até que conseguisse sua documentação brasileira novamente.

Lá, ele ainda voltou a conversar com seus familiares, que ficaram em Berlim, através de postais. Horst apenas voltou para o Brasil dois anos antes de sua mãe, seu pai e sua irmã, em outubro de 1946.

De volta ao seu país de origem, Horst Brenke tentou reconstruir sua vida como foi possível. Ele se casou, viveu em Belo Horizonte e teve sete filhos. Em maio de 1984, ele morreu de câncer, aos 57 anos.


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