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Matérias / Segunda Guerra

A impactante foto da menina de Auschwitz: 'Chorou, mas não podia fazer nada'

Aos 14 anos, Czeslawa Kwoka foi fotografada no maior campo de concentração nazista e morreria apenas três meses depois; os bastidores do registro foram revelados por Wilhelm Brasse

Redação Publicado em 12/02/2022, às 08h00 - Atualizado em 13/02/2022, às 00h42

Czeslawa Kwoka no campo de concentração de Auschwitz - Wilhelm Brasse/Domínio Público via Wikimedia Commons
Czeslawa Kwoka no campo de concentração de Auschwitz - Wilhelm Brasse/Domínio Público via Wikimedia Commons

Cerca de seis milhões de judeus morreram durante o Holocausto posto em prática pela Alemanha Nazista durante a Segunda Guerra Mundial, entre 1939 e 1945, cujos horrores deixam marcas até os dias de hoje.

Entre um número tão grande, é difícil colocar em perspectiva, de fato, a quantidade de pessoas que morreram em decorrência da ideologia de supremacia branca pregada por Adolf Hitler, em uma tentativa de construir uma grande nação sob a “grande raça ariana”.

Judeus, negros, testemunhas de Jeová, pessoas da comunidade LGBTQ+, ciganos, comunistas e muitos outros foram exterminados por não fazerem parte do grupo considerado intectual e fisicamente superior pelos parâmetros do Partido Nazista.

Para que as atrocidades pudessem acontecer no território de maneira organizada, com o intuito de estabelecer o país como uma potência, os alemães ficaram conhecidos por sua eficiência e burocracia, ainda nos campos de concentração responsáveis pelos assassinatos.

Por isso, anos depois dos crimes de guerra acontecerem, temos registros de algumas dessas pessoas que foram presas pelos nazistas e morreram em suas mãos. As autoridades eram responsáveis por catalogar todos que estavam detidos, o que nos permite ter uma visão sobre o passado.

A menina de Auschwitz

A fotografia de Czeslawa Kwoka / Crédito: Wilhelm Brasse/Domínio Público via Wikimedia Commons

Uma fotografia que resistiu até os dias de hoje e impacta qualquer um que a observe é a foto de Czeslawa Kwoka.

Ela foi levada junto à mãe de Zamosc, na Polônia, para Auschwitz, em dezembro de 1942, onde as duas sofreram os horrores que pessoas podem viver, em momentos terríveis no gigante campo de concentração nazista.

Estava entre os 116 mil poloneses deportados de suas aldeias com a invasão alemã ao país em 1939, como reportou o site All That's Interesting. Essas pessoas trabalhavam principalmente com agricultura e foram retiradas de suas casas para que os alemães pudessem povoar o local posteriormente, como imaginam que fariam.

Czeslawa tinha apenas 14 anos quando teve seu registro feito pelo fotógrafo Wilhelm Brasse, polonês que também foi deportado para Auschwitz pelos nazistas e estava sendo obrigado a tirar fotos dos prisioneiros no campo. Cerca de 40 e 50 mil pessoas foram fotografadas por ele.

A jovem era a prisioneira 26947 no maior dos campos de concentração nazistas. O terror na expressão dela é facilmente observável e é possível perceber que ela estava aterrorizada. Anos depois, Brasse relembrou o momento em que tirou a foto.

“Então, essa mulher Kapo [uma supervisora ​​prisioneira] pegou uma vara e bateu no rosto dela. Essa alemã estava apenas descontando sua raiva na garota. Uma jovem tão linda, tão inocente. Ela chorou, mas não podia fazer nada”, contou, conforme documentado numa reportagem do Mail on Sunday de 2007, que apresenta o relato de uma entrevista do autor da matéria com Brasse.

“Antes que a fotografia fosse tirada, a garota secou as lágrimas e o sangue do corte no lábio. Para dizer a verdade, senti como se estivesse sendo atingido, mas não pude interferir. Teria sido fatal para mim. Você nunca poderia dizer nada”, relembrou.

Na foto, é possível ver o sangue no corte do lábio de Czeslawa. Também é possível perceber que ela não estava entendendo o que estava acontecendo ao seu redor, apenas com o registro em preto e branco.

Com uma expectativa de vida de alguns meses no máximo, a menina foi morta três meses após ser fotografada para os registros dos nazistas, se tornando uma das muitas crianças assassinadas em Auschwitz. Contudo, não é possível afirmar se foi em decorrência de exaustão, trabalho, ou por outros métodos.

Quando os alemães perceberam que haviam perdido a guerra, iniciaram uma tentativa de se livrar de tudo que poderia evidenciar os horrores que estavam praticando dentro dos campos de concentração e até mesmo fora deles, o que era inútil. Ainda assim, eles queimaram grande parte das carteiras de identidade das vítimas.

Os alemães fizeram um grande esforço para destruir os negativos das fotografias tiradas pelos fotógrafos de dentro dos campos, mas muitos conseguiram salvá-las, incluindo Brasse, que pôde resgatar a foto de Czeslawa para que nós pudéssemos vê-la ainda hoje.


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