Matérias » Arqueologia

A impressionante descoberta do mestre e o escravizado de Pompeia

No ano passado, arqueólogos descobriram restos mortais conservados de dois homens que tentaram escapar da erupção do Monte Vesúvio

Isabela Barreiros, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 26/02/2021, às 07h00

Imagem dos restos encontrados em Pompeia
Imagem dos restos encontrados em Pompeia - Divulgação/Parque Arqueológico de Pompeia

Os habitantes da próspera cidade romana de Pompeia foram surpreendidos por uma erupção vulcânica que rapidamente atingiu a região em 79 d.C. A lava, cinzas e pedras-pomes do Monte Vesúvio destruíram a cidade e mataram inúmeros moradores. 

Todas as construções foram permeadas com material vulcânico. Ainda assim, nos dias de hoje, é possível observar os destroços da antiga Pompeia, o que é feito por muitos pesquisadores ao longo dos anos.

A partir da investigação desses vestígios, é possível descobrir histórias de pessoas que viveram na cidade e morreram naquele ano de 79. Muitas dessas pesquisas revelaram informações curiosas sobre os habitantes da região.

Um homem e seu escravo

Em novembro do ano passado, o diretor do parque arqueológico de Pompeia Massimo Osanna divulgou à imprensa a descoberta de dois restos mortais impressionantemente conservados. Os especialistas acreditam que tratavam-se de um homem rico e seu escravo, conforme divulgado por inúmeros portais na época, inclusive a BBC News e o The Guardian. 

A hipótese proposta pelos pesquisadores é que os dois homens aparentemente conseguiram escapar da queda inicial de cinzas. No entanto, isso não durou muito: eles provavelmente morreram atingidos por uma enorme explosão vulcânica que ocorreu no dia seguinte.

Segundo Osanna, os dois "talvez estivessem procurando refúgio" da lava da erupção "quando foram arrastados". 

Análises importantes foram realizadas nos restos encontrados, com o intuito de entender quem eram aquelas pessoas. A partir do exame dos ossos do crânio, os pesquisadores chegaram à conclusão de que uma das vítimas era um jovem entre 18 e 25 anos, enquanto o outro tinha entre 30 a 40 anos.

Crédito: Divulgação/Parque Arqueológico de Pompeia

 

As diferenças entre os dois homens também foi percebida por meio da análise dos ossos dessas pessoas. O primeiro apresentava os discos da coluna vertebral comprimidos, o que fez com que os arqueólogos propusessem que ele realizava trabalho manual, possivelmente um escravo.

Já o outro indivíduo possuía uma estrutura óssea robusta, principalmente na região do peito. Também foi possível, por meio da impressão das dobras de tecido deixadas na camada de cinzas, identificar as roupas dos dois.

O jovem vestia uma túnica curta simples, que acredita-se ter sido feita de lã. Já o homem mais velho, além da túnica, parecia usar um manto sobre o ombro esquerdo, o que colabora para a tese de sua classe social ter sido elevada.

Moldes para pesquisa

Para que os restos mortais pudessem ser propriamente analisados, os pesquisadores os submeteram a uma técnica específica de preservação. Eles removeram os ossos das vítimas e digitalizaram os vazios dentro das cinzas, que ficaram endurecidas com o tempo.

Depois disso, esses vazios foram preenchidos por gesso, que foi derramado pelos cientistas. A partir disso, foi possível criar um molde dos corpos dos dois homens. Foi inclusive por meio desses modelos que foi possível perceber as marcas de roupas dos indivíduos.

Osanna explicou na época: “É uma morte por choque térmico, como também demonstrado por seus pés e mãos cerrados". Para ele, a descoberta foi “verdadeiramente excepcional” e "um testemunho incrível e extraordinário" do momento em que a erupção atingiu Pompeia.


+Saiba mais sobre arqueologia por meio de grandes obras disponíveis na Amazon:

Arqueologia, de Pedro Paulo Funari (2003) - https://amzn.to/36N44tI

Uma breve história da arqueologia, de Brian Fagan (2019) - https://amzn.to/2GHGaWg

Descobrindo a arqueologia: o que os mortos podem nos contar sobre a vida?, de Alecsandra Fernandes (2014) - https://amzn.to/36QkWjD

Manual de Arqueologia Pré-histórica, de Nuno Ferreira Bicho (2011) - https://amzn.to/2S58oPL

História do Pensamento Arqueológico, de Bruce G. Trigger (2011) - https://amzn.to/34tKEeb

Vale lembrar que os preços e a quantidade disponível dos produtos condizem com os da data da publicação deste post. Além disso, a Aventuras na História pode ganhar uma parcela das vendas ou outro tipo de compensação pelos links nesta página.

Aproveite Frete GRÁTIS, rápido e ilimitado com Amazon Prime: https://amzn.to/2w5nJJp 

Amazon Music Unlimited – Experimente 30 dias grátis: https://amzn.to/2yiDA7W