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Chico Xavier: Os impressionantes relatos nas cartas psicografadas pelo notório médium brasileiro

Histórias inacreditáveis eram enviadas por espíritos e registradas pelo famoso líder espiritual

Joseane Pereira Publicado em 04/06/2020, às 15h00

Chico Xavier, o famoso médium brasileiro
Chico Xavier, o famoso médium brasileiro - Wikimedia Commons

Reconhecido como o maior líder espiritual do Brasil, Chico Xavier psicografou milhares de cartas durante sua vida, confortando pessoas de todo o Brasil durante mais de 60 anos. Muitas de suas cartas têm assinatura idêntica à do espírito, e contêm nomes de parentes e particularidades que apenas as famílias conheciam. Confira abaixo três cartas icônicas psicografadas por ele.

1. O filho que manteve contato 

Willian tinha apenas 17 anos quando ingressou no Exército. Nascido em Belo Horizonte no ano de 1924, ele desenvolveu um calo no pé que acabou infeccionando e virando uma gangrena. Pelas precárias condições de tratamento, o jovem acabou falecendo em 1941.

Após um mês, ele enviou o primeiro recado à sua mãe. O contato foi mantido até 1980, quando ela faleceu. Confira trechos de uma das cartas, onde Willian cita seu irmão Wilson que tinha problemas com bebida:

 “Querida mamãe, peço ao seu bom coração me abençoe e, por minha vez, rogo a Deus que nos ajude a vencer suas lutas de sempre. Sua alma sensível continua atravessando o perigoso mar das provas e prossigo ao seu lado, somando, quando lhe faltam forças no leme para a condução do barco. Sei como lhe dói a tempestade dos últimos dias. Para o espírito materno, as nuvens do horizonte dos filhos são sempre mais pesadas e mais tristes. Multiplicam-se as dores, os receios, as aflições”.

“Entretanto nesse pedido, eu desejo apelar para o Wilson para que ele transforme o caminho, melhorando-o. Diga-lhe, em nome de minha dedicação fraternal, que a vida humana é um eterno aprendizado divino do qual não nos desviaremos sem graves consequências. Ele [Wilson] agora é casado, é esposo e é pai. O Divino Senhor, que eu percebo melhor presentemente, conferiu-lhe deveres verdadeiramente sagrados. Lourdes [mulher de Wilson] e o filhinho constituem-lhe agora um sublime propósito ao qual está preso por laços sacrossantos. Não é justo que se perca”.


2. A criança de 3 anos

Filho de Célia e Aguinaldo, o menino Rangel faleceu ao cair de bicicleta com 3 anos de idade. Um ano depois, Chico Xavier psicografou a primeira carta da criança, direcionada aos seus pais desconsolados. A carta tinha características infantis, de quem tinha acabado de ser alfabetizado.

Segundo Dona Célia, antes de Chico Xavier ler a carta, em uma reunião espírita em Uberaba, um médium que estava ao seu lado lhe disse: “Seu filho está aqui, correndo, e a toda hora vem lhe abraçar. Agora, ele está escrevendo a carta com a ajuda do avô”.

“Querido papai Aguinaldo e querida mamãe Célia, com vovó Lia. Sou eu o Tetéo. Estou com o meu avô Lico e com a minha tia Gilda. Vovô me auxilia a escrever porque estou aprendendo. Estou vendo a tia Lé. Eu estou vivo e vou crescer. Estou aprendendo a escrever só para dizer ao seu carinho e ao carinho da mamãe Célia que não morri”.

“Vou aprender muitas coisas e muitas lições para saber escrever melhor. Mas já estou mais adiantado que a Mariana e creio que o Aguinaldinho ficará satisfeito. Papai, mamãe, Vó Lia e Tia Lé, não posso escrever mais porque fiquei cansado de fazer letras. Mas quando eu puder, voltarei. Estou com muitas saudades (…)”.


3. As cartas do professor Joviano 

Esta carta é de Arthur Joviano, educador nascido em 1862 e reconhecido por ter liderado a primeira reforma no ensino primário de Minas Gerais. Joviano faleceu em 1934, sendo uma das primeiras almas a ter suas cartas psicografadas pelo médium. A assinatura no final bate exatamente com a do professor em documentos oficiais.

“Meus caros filhos e queridos netos, seja a paz de Deus a alegria de vocês todos. Na visita afetuosa de sempre, renovo-lhes minha dedicação de cada dia. Durante quase todo o dia em que se comemorou seu aniversário, minha bondosa Maria, estive ao seu lado com os votos paternais de muito amor, pedindo a Deus por sua saúde e tranquilidade. À noite, sua e nossa amiga Helena trouxe muitas flores. Você não as viu, mas recebeu-lhes o perfume no coração. (…)”.

“Agora que vocês se dispõem a viagens novas, fiquem convencidos de que repartirei o tempo disponível entre as duas zonas opostas – norte e sul. Lembram nossa troca de ideias quando se organizavam para a primeira viagem à Fortaleza? Como veem, as experiências se repetem, apenas com a renovação dos detalhes.

Essa e outras cartas enviadas pelo influente professor resultaram no livro Sementeira de Luz, de 670 páginas.


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