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Lágrimas de sofrimento: a misteriosa morte de MC Daleste, aos 20 anos

Nos últimos dias, a morte do jovem MC Kevin lembrou o trágico dia 06 de julho de 2013, quando Daleste foi morto em um show

Pamela Malva Publicado em 17/05/2021, às 19h30 - Atualizado às 19h36

Fotografia do jovem MC Daleste
Fotografia do jovem MC Daleste - Creative Commons/ Wikimedia Commons

No último domingo, 16, a morte do cantor MC Kevin chocou o Brasil, não apenas pela idade do artista, mas também pela falta de maiores informações sobre as condições. Aos 23 anos, Kevin Nascimento Bueno teria caído do 5º andar de um hotel na Barra da Tijuca, no Rio.

Segundo informações da Polícia Militar repercutidas pelo G1 e pelo UOL, o jovem estava hospedado no 11º andar do prédio, mas acabou sofrendo a queda do quarto onde seus amigos estavam dormindo. Agora, os oficiais investigam as circunstâncias do incidente.

Nas redes sociais, centenas de internautas lamentaram a morte do cantor, que era casado com a advogada Deolane Bezerra. O episódio, no entanto, também lembrou a morte de outro funkeiro, o jovem MC Daleste, assassinado em meados de 2013. Pela idade dos artistas, muitos internautas acabaram relembrando e assimilando o triste episódio. 

Uma infância dura

“Quando comecei passava ‘mó’ dificuldade. E lá em casa era fora de realidade”, revelou o jovem Daniel Pellegrine, mais conhecido como MC Daleste, em “Minha História”, uma de suas primeiras músicas. Na faixa, ele ainda narra que “até meus 13 anos de idade não tinha banheiro” em sua casa com paredes de madeira.

Nascido em 1992, na favela Jau, na Penha, bairro da Zona Leste do Rio de Janeiro, Daniel era o mais novo dos quatro filhos de um marceneiro e de uma dona de casa. Apaixonado pelo chamado “funk ostentação”, o menino sonhava em ser cantor e, durante a adolescência, gravava suas músicas em celulares e câmeras digitais.

Por dez anos, MC Daleste ainda acompanhou a luta da mãe contra as complicações de um derrame, que a deixaram imóvel em uma cama. Fã número um do filho, Deusimar nunca deixou de apoiar Daniel, mesmo pouco antes de falecer, em 2009.

Volta por cima

Sem a companhia da mãe, que era uma verdadeira inspiração, MC Daleste decidiu que conquistaria o cenário do funk paulista. Dessa forma, investiu cerca de R$ 70 mil em produções de qualidade para os seus primeiros clipes musicais, segundo a Veja.

De repente, o garoto que não tinha dinheiro para comprar seu lanche favorito e visitava lan houses para divulgar suas músicas se tornou um cantor de sucesso. Cobrando entre 5 e 8 mil reais por cada apresentação, Daleste faturava até R$ 200 mil por mês.

Com sete funcionários, incluindo seu irmão, Rodrigo, o funkeiro ganhou os palcos rapidamente, mas nunca esqueceu de suas origens. Na páscoa de 2013, por exemplo, Daleste gastou R$ 10 mil em ovos de chocolate, que distribuiu em sua comunidade.

Muito além dos presentes de páscoa, o cantor ainda usou o cachê de seus shows para comprar camisetas da Lacoste, acessórios dourados e grandes carros, como um Porsche Cayenne e um Dodge Journey. Isso sem contar a planta de um apartamento de três quartos no Tatuapé, onde ele planejava morar com sua noiva, Erika Teixeira.

Fim dos planos

No dia 06 de julho de 2013, contudo, todos os sonhos de Daleste foram amargamente interrompidos durante um show no bairro de San Martin, em Campinas. Às 22h40 daquele sábado, o jovem cantor foi alvo de dois tiros misteriosos, vindos da plateia.

Segundo a Divisão de Homicídios da Delegacia de Investigações Criminais de Campinas, via UOL, os disparos atingiram Daleste no braço e, em seguida, no peito. Em vídeos gravados pelos fãs do artista, a cena chocante mostra o jovem cantor caindo no chão.

Levado para o Hospital Municipal de Paulínia, Daniel chegou a ser encaminhado para o centro cirúrgico da unidade, mas não resistiu. Sua morte foi registrada às 00h55 do domingo, segundo relataram jornais nacionais e internacionais, como o NY Daily News.

O fim de uma estrela

Para os investigadores, o assassinato de Daleste segue um mistério até hoje e, por falta de provas, continua arquivado. Segundo o delegado Rui Pegolo, o jovem pode ter sido morto em um acerto de contas — teoria negada por sua equipe — ou em um crime “passional”, dado fato que Daniel era constantemente assediado pelos fãs.

Na opinião de Rolland, o pai do cantor, contudo, a morte de Daleste foi encomendada por alguma pessoa muito próxima ao artista. Nesse sentido, na época das investigações, o marceneiro acreditava que alguém teria oferecido R$ 20 mil pelo serviço brutal.

Assim como no recente caso de MC Kevin, a morte do jovem artista gerou bastante desconforto. O fato é que, apesar das condições misteriosas, o assassinato de Daniel Pellegrine segue sem solução. Mesmo depois de tantos anos, todavia, seu pai e seus irmãos continuam lutando para encontrar a verdade e conquistar a tão esperada justiça.


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