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Lula pode fazer sexo por até três horas, mas ato tem seus custos

Pesquisa realizada em 2012 revelou características curiosas da vida íntima destes moluscos

Ingredi Brunato, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 24/10/2021, às 09h00

Fotografia mostrando lulas da espécie Euprymna tasmanica acasalando
Fotografia mostrando lulas da espécie Euprymna tasmanica acasalando - Divulgação/ Biology Letters/ M.Norman

Em julho 2012, biólogos da Universidade de Melbourne, que fica localizada na Austrália, chegaram a conclusões curiosas após fazerem um estudo em que analisavam a vida de lulas. O artigo produzido a partir da experiência foi publicado na revista científica Biology Letters.

A espécie escolhida para a pesquisa foi a Euprymna tasmanica, que é nativa da costa sul do país, possui cerca de sete centímetros de comprimento quando adulta e vive por volta de um ano.

A análise necessitou de apenas uma dupla de indivíduos, um macho e uma fêmea. O casal foi capturado pelos especialistas e colocado dentro de um tanque em laboratório.

As sessões de cópula desse molusco, que são frequentes, levam de uma a três horas para serem terminadas. Durante o ato, o espécime macho prende a fêmea no lugar, e, além de praticar o ato sexual, libera jatos de tinta e muda de cor. 

“O homem usa todo esse tempo para transferir o esperma para a mulher. É por isso que é tão longo. No final, ele praticamente a joga para longe com movimentos violentos e trêmulos para se separar dela e então eles nadam em direções diferentes”, explicou Amanda Michelle Franklin, zoóloga envolvida no estudo, segundo repercutido pelo site Australian Geographic. 

Essa atividade toda é marcada por um grande gasto de energia, o que acaba cobrando um preço do corpo dos animais. As lulas fêmeas, por sua vez, têm sua respiração restringida pelo aperto do macho durante a cópula, o que resulta também em uma espécie de "cansaço" após o episódio. 

Segundo sugeriram os biólogos no artigo científico, os animais experienciam uma espécie de "fadiga muscular".

Fotografia de lula Euprymna tasmanica / Crédito: Wikimedia Commons

 

Prova de resistência

Conforme repercutido pelo g1 em matéria de 2012, época em que saiu o estudo, os pesquisadores submeteram as lulas a uma espécie de prova de resistência, testando assim a habilidade dos animais de nadar contra a corrente em dias em que não tiveram o coito, e em dias em que esteve presente. 

Através desse método, os especialistas foram capazes de provar cientificamente que tanto os machos quanto as fêmeas da espécie Euprymna tasmanica tem cerca de metade da energia que possuem normalmente quando acabam de acasalar. 

Eles ainda determinaram que esses moluscos precisam de, no mínimo, 30 minutos antes de recuperar sua capacidade de nado. Assim, as lulas são menos capazes de fugir enquanto esperam a fadiga muscular temporária passar.

Durante esse período pós-acasalamento, o molusco acaba, portanto, mais vulnerável a predadores, já que não tem tanta força, de forma que não consegue se locomover com agilidade. 

A opção que resta para o molusco é esconder-se na areia, aproveitando seu sistema de camuflagem. Vale comentar que, em condições normais, esses animais aquáticos são bem rápidos, segundo documentado pelo site InfoEscola. 

Lula da espécie Euprymna tasmanica parcialmente escondida na areia / Crédito: Wikimedia Commons

 

Outra reflexão trazida pelos cientistas foi que esse período de maior vulnerabilidade pode também impactar o sucesso reprodutivo da espécie Euprymna tasmanica, uma vez que os indivíduos podem ser devorados por predadores antes de terem a oportunidade de conceber os filhotes. 

“Eles são uma espécie pequena e não têm ossos, então são basicamente uma refeição do tamanho de uma mordida para qualquer animal maior do que eles. Apesar disso, parece que eles simplesmente acasalam sempre que têm a chance", relatou Amanda ainda.