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Mary Bateman, a bruxa de Yorkshire

Elaborando poções mágicas e predizendo o futuro, Bateman ganhou fama no início do século 19. Seu final trágico ainda é lembrado por muitos

Joseane Pereira Publicado em 24/10/2019, às 09h00

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Domínio Público

Por volta dos 12 anos, Mary Bateman já era uma ladra experiente. Nascida em uma fazenda inglesa de North Yorkshire no ano de 1768, desde criança ela tinha afinidade por práticas que levaria para a vida inteira.

Trajetória de uma bruxa

Mudando-se para a metrópole de Leeds, a pequena Mary conseguiu um emprego como costureira. Como outras jovens faziam na época, ela também passou a cultivar hábitos de bruxaria, começando no preparo de poções de amor. Aos 24 anos, Mary se casou com o artesão John Bateman, que parecia não se importar com suas predileções sombrias.

Com o passar dos anos, Mary foi aprendendo a fazer trabalhos com mediunidade, adivinhações, cura de doenças e aborto. Entretanto, nenhuma dessas atividades causou tanto tumulto como a que ela estava prestes a exercer.

Pozinhos mágicos

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Mary Bateman e seus pozinhos / Crédito: Wikimedia Commons

Pela distância temporal dos acontecimentos, é impossível entender as razões para os atos mais cruéis de Mary. As primeiras pessoas a morrer em suas mãos, em 1803, foram três mulheres da família Kitchin, orientadas a usar pozinhos para a cura de uma doença. Tomando a poção, as três acabaram morrendo em pouco tempo.

Três anos depois, o casal William e Rebecca foi em busca de Mary para que ela curasse Rebecca de um distúrbio nervoso. Atuando como médium, a bruxa incorporava a senhora Miss Blythe, que fornecia receitas e orientações em troca de dinheiro, porcelanas e, até, uma nova cama.

Incorporada por Miss Blythe, Mary instruiu o casal a comer pudins preparados com seu pozinho, junto com um mel especial.

Obedientes, os dois acabaram consumindo o doce em grande quantidade. Mais tarde, William lembrou que "um calor violento e muito dolorido saiu de sua boca, seus lábios eram negros e ele tinha uma dor muito violenta na cabeça, vinte vezes pior que uma dor de cabeça comum". Sua esposa acabou não resistindo à poção de Mary.

Destino final

Após William denunciá-la para a polícia, a bruxa acabou sendo presa. Apesar de negar sua culpa com calma e determinação, as provas eram incontestáveis: analisando os restos do mel consumido pelo casal, um médico  encontrou sublimação corrosiva de mercúrio. Em sua residência, foi encontrada uma mistura de rum, aveia e arsênico. E os pozinhos mágicos de Mary eram, na verdade, um forte veneno.

Condenada à morte por enforcamento, a bruxa teve um trágico destino final: seu corpo foi exposto na enfermaria de Leeds, onde o público pagava três centavos para vê-la. Dissecada em frente a milhares de pessoas, sua pele foi usada como lembrança e na encadernação de livros. Seu esqueleto, que esteve em exibição pública por mais de dois séculos, hoje se encontra armazenado na Universidade de Leeds.


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