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Metaverse, uma nova onda na internet?

Um mundo virtual que tenta replicar a realidade com o uso intensivo de dispositivos digitais

Vivaldo José Breternitz* Publicado em 29/09/2021, às 11h32

Imagem meramente ilustrativa
Imagem meramente ilustrativa - Imagem de FunkyFocus por Pixabay

A expressão Metaverse, que tem aparecido com frequência quando se fala em tecnologia da informação, é utilizada para indicar um tipo de mundo virtual que tenta replicar a realidade com o uso intensivo de dispositivos digitais, realidade virtual, realidade aumentada e outras tecnologias de ponta.

O filme de ficção científica de 2018 Ready Player One, no Brasil Jogador Nº 1, oferece um vislumbre do que seria o Metaverse, que muitas empresas de tecnologia dizem ser a próxima grande onda da internet.

O herói do filme, um adolescente órfão, foge de sua existência sombria no mundo real mergulhando em universo virtual chamado "OASIS", uma utopia virtual que permite aos usuários viverem como quiserem, praticamente sem limites.

Vários CEOs de grandes empresas de tecnologia, inspirados na ficção científica, dizem que, em breve, todos poderemos estar em um mundo de realidade virtual, interativo, vivendo aventuras e consumindo sem limites, como os personagens do filme. Ao invés de OASIS, eles chamam esse mundo de Metaverse.

O Metaverse é diferente da realidade virtual de hoje, na qual hardware desajeitado e software limitado oferecem experiências isoladas e poucas chances de interagir de forma intensa com outras pessoas; já o Metaverse seria um enorme ciberespaço comunitário, movido a realidade aumentada e a realidade virtual, permitindo que os nossos avatares saltem facilmente de uma atividade para a outra.

Viabilizar Metaverse é um empreendimento enorme, que exige padronização e cooperação entre os gigantes da tecnologia, que não são propensos a colaborar uns com os outros; apesar disso, muitos executivos da área dizem que caminhamos nesse rumo.

O Facebook será uma "empresa Metaverse", disse Mark Zuckerberg em julho. O objetivo, disse ele, é atrair centenas de milhões de usuários com hardware barato e software cativante. Evidentemente, o objetivo maior é ganhar mais dinheiro, pois, disse Zuckerberg, uma base de usuários desse porte aumentaria seus negócios, estes sim muito reais, realizados no Metaverse. O Facebook está investindo bilhões de dólares nessa área.

O Metaverse ainda não existe e não há uma prazo bem definido para sua chegada. A realidade aumentada e a realidade virtual ainda não conquistaram as massas e continuam sendo um nicho, apesar de Zuckerberg ter dito em 2017 que em breve um bilhão de pessoas estariam usando o Oculus, um equipamento de realidade virtual para jogos eletrônicos; esse número está muito longe de ser alcançado.

Mas o Facebook não é o único que aposta no Metaverse. Em maio, a Microsoft disse que está desenvolvendo ferramentas de software para ajudar outras empresas a desenvolver aplicativos voltados ao Metaverse. Várias empresas de jogos, incluindo a Epic Games, dona do Fortnite, lançaram softwares de simulação com o mesmo objetivo.

Essa é mais uma daquelas situações em que podemos estar diante de uma revolução extremamente profunda ou de um fracasso espetacular: vale lembrar o caso do Second Life, lançado pela Linden Lab em 2003. O propósito do Second Life era criar uma realidade paralela onde usuários poderiam jogar, socializar, trabalhar, comprar e vender, entre outras atividades.

Houve muito interesse nos primeiros tempos, com intensa cobertura da imprensa, mas o entusiasmo foi passageiro e, ao menos aqui no Brasil, muitas empresas perderam boas somas de dinheiro que haviam empregado na construção de suas versões virtuais.


Vivaldo José Breternitz, Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor da Faculdade de Computação e Informática da Universidade Presbiteriana Mackenzie.


Sobre a Universidade Presbiteriana Mackenzie

A Universidade Presbiteriana Mackenzie está na 103º posição entre as melhores instituições de ensino da América Latina, segundo a pesquisa QS Quacquarelli Symonds University Rankings, uma organização internacional de pesquisa educacional, que avalia o desempenho de instituições de ensino médio, superior e pós-graduação. Possui três campi no estado de São Paulo, em Higienópolis, Alphaville e Campinas. Os cursos oferecidos pelo Mackenzie contemplam Graduação, Pós-Graduação Mestrado e Doutorado, Pós-Graduação Especialização, Extensão, EaD, Cursos In Company e Centro de Línguas Estrangeiras.

Em 2021, serão comemorados os 150 anos da instituição no Brasil. Ao longo deste período, a instituição manteve-se fiel aos valores confessionais vinculados à sua origem na Igreja Presbiteriana do Brasil.