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Mildred Jefferson, a primeira negra a se formar em medicina em Harvard

Criada por uma família protestante e tradicional, a menina sempre soube que deveria seguir seu sonho, apesar dos obstáculos

Pamela Malva Publicado em 22/11/2020, às 09h00

Fotografia de Mildred Fay Jefferson já idosa
Fotografia de Mildred Fay Jefferson já idosa - Wikimedia Commons

Em meados de 1927, Millard e Guthrie Jefferson consumaram seu casamento com uma bela menina. Trabalhando como um ministro metodista e uma professora de escola, o casal sabia que devia criar a criança recém-nascida da melhor forma possível.

Donos de ideologías bastante definidas, então, os dois cuidaram de Mildred Fay Jefferson como puderam, ensinando sua filha sobre os bons costumes da época. Protestantes tradicionais, a família vivia sob as regras da igreja e nunca contestava seus ideais.

Quando criança, no entanto, a pequena Mildred conheceu um universo diferente do que ela frequentava quando começou a acompanhar um médico para o trabalho. Naquela época, ela decidiu que faria medicina, custe o que custasse.

Mildred Jefferson (sentada no sofá) em reunião com Ronald Reagan, em 1981 / Crédito: Wikimedia Commons

 

Inteligente e obstinada

Nascida em uma família negra, a garotinha, é claro, encontrou alguns problemas relacionados à cor da sua pele. Mas o preconceito não foi o suficiente para fazer com que a jovem cheia de fé abandonasse seu maior sonho.

Logo que saiu da escola, Mildred já se matriculou na Universidade do Texas, onde estudou por três anos. Uma vez formada e com seu diploma em bacharelado, ela tentou entrar na faculdade de medicina, mas ouviu que era jovem demais para o curso.

Assim, a garota, dona de uma inteligência sem tamanho, foi para a Universidade de Tufts, onde conquistou o diploma de biologia. Anos mais tarde, Mildred finalmente atingiu o seu maior sonho e, de quebra, ainda marcou a história dos Estados Unidos.

Derrubando padrões

Mildred já tinha dois belos diplomas em seu currículo quando se tornou a primeira mulher negra a se formar na Faculdade de Medicina de Harvard, em 1951. Conhecida pela conquista, ela se casou com Shane Cunningham, um gerente imobiliário, em 1963.

Com uma formação impressionante, a jovem ainda recebeu a certificação do conselho em cirurgia. Poucos anos mais tarde, tornou-se a primeira mulher a realizar um estágio no Hospital da Cidade de Boston, que era referência da profissão na época.

Os feitos da médica e bióloga, no entanto, não pararam por aí. Em 1984, Mildred tornou-se cirurgiã geral e professora de cirurgia na Escola de Medicina da Universidade de Boston, além de ocupar o lugar da primeira mulher no Conselho cirúrgico de Boston.

Mildred durante uma de suas palestras / Crédito: Wikimedia Commons

 

Ideias em conflito

Dona de tamanho conhecimento, a mulher também era conhecida por seus ideais conservadores, que conquistaram grande parte dos republicanos da época. Completamente contrária ao aborto, por exemplo, ela ajudou a fundar o Comitê Nacional do Direito à Vida e contestava a ideia do mesmo precedimento previsto por lei.

Sua postura, inclusive, fez com que Ronald Reagan, o 40º presidente dos Estados Unidos, mudasse de opinião (de pró-escolha, para pró-vida). Muito além do aborto, Mildred também era contrária à Emenda de Direitos Iguais, que previa igualdade entre as raças, já que, para ela, a Constituição não diferenciava ninguém pela cor da pele.

Durante anos de sua vida, Mildred tentou iniciar sua carreira na política norte-americana, recebendo o apoio dos republicanos, mas nunca chegou a qualquer cargo. Divorciada e sem herdeiros, ela morreu aos 83 anos, no Texas, em 15 de outubro de 2010.


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