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Molly Gibson, o bebê que nasceu de um embrião congelado por 27 anos

Com o nascimento, Molly bate o recorde que, até então, pertencia à sua irmã, Emma. As duas são fruto de embriões que foram doados e congelados juntos, em 1992 — quanto Tina, mãe das meninas, tinha apenas um ano de idade

Fabio Previdelli Publicado em 10/12/2020, às 16h00

Molly Gibson dormindo
Molly Gibson dormindo - Divulgação/ National Embryo Donation Center

Em outubro desse ano, quando Molly Gibson veio ao mundo, ela representava muito mais que a realização do sonho do casal tenessiano Tina e Ben Gibson, afinal, também acredita-se que Molly tenha batido o recorde do embrião congelado por mais tempo que resultou em um nascimento: 27 anos. 

O que torna a situação mais bizarra ainda é que o embrião foi doado quando a mãe de Gibson, Tina, tinha apenas um ano de idade. “Estamos nas nuvens”, disse a progenitora em entrevista à BBC. “Eu ainda fico chocada”.  

Mas como essa história toda começou? 

A família de Molly sempre lutou contra a infertilidade até que, há cinco anos, os pais de Tina ouviram sobre uma história parecida com a de sua filha, de uma mulher com problemas para engravidar que encontrou na adoção de embriões uma alternativa para ter filho.  

Molly Gibson/ Crédito: Divulgação/ YouTube/ NBC News

 

"Essa é a única razão pela qual compartilhamos nossa história. Se meus pais não tivessem visto isso no noticiário, não estaríamos aqui", relata Tina, de 29 anos. "Eu sinto que devemos completar um ciclo." 

“Se tivessem me dito há cinco anos que eu seria mãe não apenas de uma garota, mas de duas, eu teria dito que era loucura”, brincou.  

Porém, essa "loucura” passou a ser mais palpável quando Tina, que é professora do ensino fundamental, e seu marido, um analista de segurança cibernética, de 36 anos, procuraram o National Embryo Donation Center (NEDC). 

O NEDC é uma organização cristã sem fins lucrativos situada em Knoxville, no Estado americano do Tennessee. O Centro de Doação abriga centenas de embriões congelados de fertilização in vitro de usuários que decidiram não usá-los e optaram para doá-los para outras famílias.  

Assim, como foi no caso dos Gibson, famílias podem visitar a organização e ‘adotar’ esses embriões para gerarem uma criança que, por suposto, não é geneticamente ligada a eles, mas que, mesmo assim, será seu filho. Segundo o NEDC estima, no momento, nos Estados Unidos, há cerca de um milhão de embriões humanos sendo mantidos congelados.  

Diretor de Marketing e desenvolvimento do National Embryo Donation Center, Mark Mellinger explica que a grande maioria das famílias que sofrem com infertilidade buscam a doação de embriões. "Eu diria que provavelmente 95% têm algum tipo de infertilidade", ele diz. "Nos sentimos honrados e privilegiados por fazer este trabalho e ajudar casais a formarem suas famílias”.  

A irmã mais velha de Molly 

Antes de Molly nascer, seus pais já tinham tido uma primeira experiência na adoção de embriões, que aconteceu de maneira satisfatória com o nascimento de Emma, em 2017. “É o melhor tipo de cansaço e o melhor tipo de exaustão”, declarou Tina sobre trocar as noites em claro procurando alternativas para se tornar mãe pelas noites sem dormir em virtude da maternidade.  

A escolha pela NEDC se deu por toda a credibilidade que a organização já tem no mercado. Ao longo dos 17 anos de sua criação, eles já facilitaram mais de mil adoções e nascimentos de embriões. Agora, a expectativa é que cerca de 200 ‘adoções’ sejam feitas a cada ano. Esses processos, inclusive, são muito semelhantes ao de um processo de adoção tradicional, com os casais podendo decidir se os filhos terão, ou não, alguma forma de contato com a família doadora.  

Emma ao lado de sua mãe / Divulgação/ National Embryo Donation Center

 

Para cada casal é apresentado o perfil completo de cerca de 300 doadores, cabendo a cada uma das famílias escolher qual melhor se encaixa com suas expectativas.  

"Não nos importamos com a aparência desse bebê, de onde veio", disse Tina, que seguiu o conselho de um funcionário do NEDC para escolher qualquer critério, por mais arbitrário que fosse, para escolher o doador.

"Meu marido e eu somos pessoas baixas, então reduzimos as opções usando altura e peso como critério, procurando algo parecido conosco. Isso reduziu bastante". 

Enfim, uma família feliz 

Tanto o embrião de Emma quanto o de Molly foram doados e congelados juntos, em 1992, o que as fazem ser irmã genéticas. Antes da caçula nascer, Emma era a detentora do recorde de nascimento de um embrião congelado há mais tempo.  

Porém, isso se torna indiferente entre o amor das irmãs. "Ela [Emma] a apresenta a qualquer pessoa que a vê como 'minha irmã mais nova Molly'”, conta Tina, que conta adorar ver as semelhanças entre suas duas filhas, como uma pequena ruga que as duas compartilham na sobrancelha quando estão bravas ou chateadas.  

A família Gibson/ Crédito: Divulgação/ YouTube/ NBC News

 

Segundo o National Embryo Donation Center, apesar do recorde parecer impressionante, ele ainda pode ser quebrado, já que estimam que a vida útil de um embrião congelado é, em tese, infinita.

Porém, a tecnologia existe há poucas décadas, o que ajuda a explicar o pouco conhecimento em geral que as pessoas tem dessa técnica, que teve o primeiro bebê nascido a partir dela em 1984, na Austrália. “É perfeitamente possível que algum dia nasça um bebê de um embrião de 30 anos", explica Mellinger.


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