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Nos bastidores de Hollywood: o inferno de Judy Garland

A vida da icônica Dorothy Gale dos cinemas era cruel; durante as gravações do filme, era proibida de comer, obrigada a usar drogas estimulantes e forçada a manter uma aparência infantil

Isabela Barreiros Publicado em 01/02/2020, às 11h46

Judy Garland como Dorothy, em O Mágico de Oz (1939)
Judy Garland como Dorothy, em O Mágico de Oz (1939) - Getty Images

Por mais brilhante e feliz que Judy Garland pareça em seus filmes, podemos afirmar: essa aparência se limitava a suas atuações. No mundo real, a icônica atriz estadunidense tinha uma vida repleta de sofrimento, tanto no âmbito pessoal como profissional.

O ícone de O Mágico de Oz e de A Star Is Born tem uma biografia duramente trágica. Sua infância quase não existiu, visto que sua mãe, uma atriz frustrada a colocou nos palcos quando a garota tinha apenas dois anos e meio de idade. E desde então, ela foi obrigada a permanecer em cima deles — com todos os problemas possíveis que ela poderia passar. Mais tarde, ela chamaria sua mãe de "a verdadeira Bruxa Malvada do Oeste".

Juntamente a suas irmãs, elas ficaram conhecidas como as Irmãs Gumm. Aos seus poucos 13 anos, assinou seu primeiro contrato com a Metro-Goldwyn-Mayer (MGM) e, a partir daí, começou a receber papeis que não refletiam sua verdadeira idade, prática que perdurou durante muitos dos seus anos no cinema. Por muito tempo, ela teve de perpetuar uma aparência infantil.

As Irmãs Gumm / Crédito: Getty Images

 

Como não tinha o corpo de uma “sex symbol” de Hollywood na época, principalmente devido a sua idade, a atriz passou a ser obrigada a realizar muitas dietas absolutamente cruéis. O abusivo controle sobre seu corpo foi tanto que ela chegou a ser proibida de se alimentar durante seu tempo nos estúdios de gravação, podendo apenas fumar cigarros — mesmo que ainda fosse muito jovem.

Além disso, para manter sua imagem juvenil, ela era frequentemente apertada com um espartilho, no intuito de impedir que seus peitos crescessem. Seu vestido de Dorothy Gale, por exemplo, possuía um destes. Como é possível imaginar, sua mãe atuava como sua empresária, e permaneceu confortável diante de todas essas violações.

Para que pudesse terminar as gravações de O Mágico de Oz mais rapidamente, tinha que tomar muito café, além de ser obrigada a usar drogas estimulantes e depressivas — nesta época, ela tinha apenas 17 anos.

Crédito: Getty Images

 

Seus casamentos também foram, no mínimo, complicados. O primeiro, com o compositor David Rose, foi uma tentativa de fugir de sua mãe abusiva. Eles se separaram depois de oito meses. Após isso, ela se relacionou com o cineasta Vincente Minnelli, o qual ela descobriu que a traía com homens. O terceiro era alcoólatra e gastou a maior parte da fortuna da atriz com apostas.

Se isso parece ruim o suficiente, sabe-se ainda que o quarto marido de Garland, Mark Herron, a traiu com o marido de sua filha. Depois dele, ela se casou por uma última vez, três meses antes de falecer, com o músico e empresário Mickey Deans.

Não seria espantoso dizer que Garland cresceu como uma mulher propensa ao vício de drogas e álcool, e foi exatamente isso que aconteceu. Durante os anos 1950 e ao longo dos 60, ela começou a piorar, pois seus abusos de substâncias passaram a ser cada vez mais frequentes.

Nesse período, sua filha, Liza Minnelli, ainda era adolescente, mas mesmo assim teve que lidar com muitas terríveis situações envolvendo sua mãe. Ela tinha que cuidar tanto da casa quanto de seus irmãos, pois a atriz estava praticamente incapacitada de realizar tais compromissos. A garota teve que, sozinha, impedir sua mãe de cometer suicídio pulando pela janela e também suas inúmeras, possíveis, overdoses.

Liza Minnelli e Judy Garland / Crédito: Getty Images

 

Devido a esses problemas, ao final de sua vida, Garland quase não tinha dinheiro, muito menos posses. Relata-se que ela teve que aproveitar o carinho de alguns de seus antigos fãs que a deixavam dormir em seus sofás pela noite, para que ela não tivesse que recorrer às ruas. A atriz estadunidense morreu no dia 22 de junho de 1969, aos 47 anos, devido a uma overdose.


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