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Nuvem de radiação que cobriu Europa em 2017 partiu de reator nuclear civil na Russia, revela pesquisa

Os níveis registrados em dois meses de 2017 foram os mais altos níveis registrados mesmo depois de desastres nucleares, como o de Fukushima

Wallacy Ferrari Publicado em 23/06/2020, às 06h00 - Atualizado às 07h00

Imagem ilustrativa de usina nuclear
Imagem ilustrativa de usina nuclear - Pixabay

Análises de detectores de radiação feitas entre setembro e outubro de 2017 revelaram que a Europa foi atingida com níveis alarmantes de poluição radiativa, causadas por uma nuvem composta de partículas de ruténio-106. A grande surpresa, no entanto, foi a origem da massa, revelada após uma extensa pesquisa publicada no último dia 9.

Em artigo na Nature Communications, a nuvem radioativa surgiu como resquício de um reator nuclear civil na Região Econômica dos Urais, na Rússia, que centra a produção de ferro e aço no país. Apesar da nuvem ter sido levada para todos os cantos do continente, a maior preocupação era identificar qual foi o motivo da poluição na região e quais seriam os riscos para a vida humana.

Com a análise de isótopos, a pesquisa pôde identificar a alta quantidade de plutônio presente na massa, podendo compreender quais tipos de reatores poderiam produzir tal poluente em larga escala. A resposta foi atribuída ao reator VVER, um modelo popular na Europa oriental e utilizado no reprocessamento de combustível.

Apesar da identificação da origem da nuvem, as autoridades russas não fizeram questão de cooperar na investigação e não cederam dados para acrescentar a pesquisa, evitando reconhecer a responsabilidade. Tal postura levantou a hipótese de que a massa teve origem em uma base militar secreta, porém, foi negada por Thorsten Kleine, um dos autores do estudo.