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Massacre de Zong: O capitão que ordenou a morte de 133 escravos para ganhar o seguro em dinheiro

Por motivações mesquinhas, Luke Collingwood lançou africanos ao mar em um episódio conhecido como “brutalmente horrível”

André Nogueira Publicado em 03/04/2020, às 08h00 - Atualizado em 01/04/2021, às 08h30

Pintura de um navio negreiro por Auguste Francois Biard
Pintura de um navio negreiro por Auguste Francois Biard - Wikimedia Commons

Uma tragédia ocorreu em 29 de novembro de 1781, quando o capitão Luke Collingwood ordenou que um terço da carga humana — homens africanos escravizados e sequestrados pelo tráfico — fosse lançada ao mar do navio Zong. E o pior de tudo é o motivo para essa atrocidade: receber o seguro que possuía sobre a vida dos escravos. A água do navio também estava acabando, e provavelmente faltaria até o final da viagem.

A viagem de navio saíra de São Tomé em setembro, com a Jamaica como destino. Superlotada, a embarcação carregava 442 africanos e 17 tripulantes. Collingwood já planejava sua aposentadoria após aquela viagem, e dela esperava apenas lucro.

Naquele fatídico dia de novembro, o navio de Collingwood estava preso na calmaria das águas equatorianas e os escravos, acumulados de modo desumano, morriam por desnutrição e de desinteria.

Naquela situação, seus lucros apenas reduziam. Porém, seu seguro cobria mortes de escravos que se perdessem no mar, pagando 30 libras por cabeça. O capitão, que não estava muito interessado no bem estar daqueles homens, teve então a ideia de lançar aquelas pessoas ao mar.

Crédito: Wikimedia Commons

 

Depois de discutir essa ideia com a tripulação e vencer a disputa com o imediato James Kalsall, que se opôs àquele plano atroz e cruel, deu início ao processo de assassinato por afogamento de dezenas de pessoas.

Kalsall perdeu sua posição na equipe do capitão. 54 pessoas, incluindo mulheres e crianças, tiveram suas correntes retiradas — para não haver desperdício — e foram então lançadas à morte. No dia seguinte, mais algumas sofreram com o mesmo destino, até que, no final, Collingwood tornou-se responsável pela morte de 133 pessoas.

O navio chegou ao seu destino em dezembro daquele ano, com 208 escravos que foram vendidos na ilha. Mas foi com o retorno do navio à Inglaterra que o caso foi apurado: diante da reivindicação de 4.000 libras por James Gregson, proprietário do navio, alegando perda de carga, Collingwood foi parar no tribunal. O objetivo era averiguar quem era responsável por aqueles custos.

Collingwood alegou que seus atos eram um sacrifício, devido sua preocupação com a falta d’água. Já Kalsell testemunhou desmentindo a versão do capitão e descreveu o episódio como “brutalmente horrível”. Collingwood, porém, saiu ileso deste primeiro julgamento. Foi apenas quando a seguradora entrou na justiça que o caso se tornou conhecido na Grã-Bretanha, mas naquele tempo o capitão responsável pelos assassinatos já havia falecido.


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