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O Patriarca: Uma árvore repleta de história

Quando sua semente germinou no solo, o mundo estava a um milênio do início da era cristã; as civilizações grega e romana, pilares da cultura ocidental, ainda não haviam se consolidado, e levaria 2500 anos até que os portugueses chegassem ao Brasil

M. R. Terci Publicado em 04/12/2019, às 13h00

O Patriarca
O Patriarca - Wkimedia Commons

Sua semente brotou 1000 anos antes de Cristo.

Ele já havia erguido os braços para as estrelas quando o Rei Davi uniu Judá e Israel. Tão coevo da chegada dos etruscos à Itália quanto equevo da fundação de Cartago, o orvalho matinal luzia sobre sua copa verdejante enquanto Homero penejava a Ilíada; Roma nasceu, expandiu seus domínios, alcançou seu apogeu e morreu enquanto suas flores eram visitas por centenas de milhares de gerações de colibris.

Muitas estações se passaram, gente nasceu e morreu. Atila, Justiniano, Gregório, Maomé, Alexandre, Carlos Magno, Saladino, Genghis Khan, Joana D’Arc, Vasco da Gama, Cabral, Napoleão e Darwin, titãs caminharam pelo mundo, singraram oceanos, desbravaram territórios, enquanto suas raízes, vigorosas e firmes, buscavam o coração da terra.

Venham comigo, pelos caminhos mais escuros da história, conhecer o Patriarca, nosso avô brasileiro, coetâneo de muitos acontecimentos que mudaram a história do mundo.

Em Santa Rita do Passa Quatro – SP, no Parque de Estadual Vassununga, despontam belas paisagens, salpicadas de colinas, escarpas e planícies fluviais. Sua fauna diversificada abriga espécies como o logo-guará, a onça parda, o gato do mato, cotia, paca, irara, mão-pelada, cachorro-vinagre, capivara e macaco prego. A verdejante floresta de 2071 hectares se faz presente até onde a vista alcança. Despontam, acima das densas folhagens, as copas robustas de exemplares de enormes jequitibá-rosa.

É uma terra de gigantes, onde o Patriarca é rei.

Com 42 metros de altura, o correspondente a um edifício de 13 andares, o exemplar colossal e de longa vida é símbolo do Estado. São necessários nove homens adultos para abraçar a circunferência de seu tronco. Análises determinaram que o exemplar de Santa Rita do Passa Quatro está há muito tempo no local. Segundo os pesquisadores, o Patriarca tem cerca de 3000 anos. Mas há controvérsias. Uma estimativa anterior indicava apenas 600 anos de idade. De qualquer forma, o Patriarca destaca-se não apenas pelo tamanho e longevidade, mas pela resistência.

A árvore O Patriarca / Crédito: Wikimedia Commons

 

Segundo agrônomos da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz – ESALQ – esse espécime é também um sobrevivente, pois, com o passar do tempo, desenvolveu mecanismos próprios de defesa contra pragas como os cupins. Entretanto, para alcançar a impressionante marca de três milênios, até a criação do Parque Estadual de Vassununga, em 1970, o Patriarca teve de sobreviver à implacável e sempre constante ameaça humana, queda de raios e incêndios.

Estima-se que, ao longo de sua existência, o Patriarca, sozinho, tenha sido o responsável pela absorção de 132 toneladas de dióxido de carbono. Suas raízes alcançaram a profundidade de 18 metros e seu peso bruto é calculado em 264 toneladas, o equivalente a 53 elefantes adultos. De copa ampla e globosa, em forma de guarda-chuva, o jequitibá-rosa tem folhagem densa e brilhante, com ramos horizontais e suporta muitas orquídeas e bromélias.

Por ser uma das maiores espécies da mata-atlântica, necessita de grande quantidade de luz e água para sobreviver. O jequitibá-rosa pode ser encontrado nas regiões sudeste, centro-oeste e em parte do nordeste do país, mas de acordo com a Embrapa, é uma espécie em vias de extinção, incluído na categoria vulnerável por seu reduzido número de exemplares em ocorrência natural.

Muito embora a área protegida onde mora o gigante, a majestosa árvore só permaneceu de pé até hoje graças à consciência dos antigos proprietários do terreno, cuja postura conservacionista em relação aos jequitibás, preservou a árvore anciã.


M.R. Terci é escritor e roteirista; criador de “Imperiais de Gran Abuelo” (2018), romance finalista no Prêmio Cubo de Ouro, que tem como cenário a Guerra Paraguai, e “Bairro da Cripta” (2019), ambientado na Belle Époque brasileira, ambos publicados pela Editora Pandorga.


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