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O que se sabe até agora sobre os casos de coronavírus na Coreia do Norte?

O país ditatorial, que fechou as fronteiras logo no fim de janeiro, diz que não teve nenhum caso de COVID-19. Porém, nem todos acreditam nessa história

Ingredi Brunato Publicado em 23/09/2020, às 17h45

Fotografia de Kim Jong-un, ditador da Coreia do Norte
Fotografia de Kim Jong-un, ditador da Coreia do Norte - Getty Images

Em 2 de julho de 2020, uma reunião de representantes políticos foi realizada na cidade de Pitsburo, na Pensilvânia, para discutir, entre outros assuntos, a pandemia avassaladora de COVID-19 que tomava conta do mundo. 

Contudo, para a surpresa dos participantes, eles puderam ouvir em primeira mão uma notícia inédita: O novo coronavírus não tinha entrado na Coreia do Norte. Lá, o combate à pandemia havia sido um “sucesso brilhante”, sem casos. 

Quem contou aos outros a respeito disso foi ninguém menos que Kim Jong-un, o líder coreano em pessoa. Segundo ele, a “invasão do vírus maligno” foi impedida, e “a situação se manteve estável”. A responsável por divulgar o anúncio inusitado foi a agência de notícias estatal do país, a KCNA. 

Como o país lidou com o vírus 

Segundo informado, a Coreia do Norte havia reagido de forma rápida ao novo coronavírus, fechando suas fronteiras já no final do janeiro. Desde então, ninguém entrou ou saiu do país. 

Segundo apurado por Laura Bicker, jornalista correspondente da BBC na capital da vizinha do regime ditatorial, a Coreia do Sul, o isolamento comercial pode ter grande impacto no país de Jong-un, com os estoques de suprimentos médicos e de proteção individual - vacinas inclusas - se acumulando na fronteira por conta do impedimento, aumentando a vulnerabilidade da população norte-coreana, que perdeu o acesso a esses produtos. 

Além da interrupção abrupta do comércio fronteiriço, a Coreia do Norte também colocou centenas de estrangeiros em visita ao país em quarentena, fechou escolas e declarou um lockdown que durou meses. 

No primeiro de julho, um dia antes da reunião em Pitsburo, a agência de notícias Reuters divulgou que a quarentena tinha terminado no país asiático, e as regras eram a proibição de aglomerações e o uso obrigatório de máscaras em locais públicos. 

Apesar das medidas drásticas, vale lembrar que o território asiático faz fronteira com a China, ponto de origem da pandemia, com quem realizava trocas comerciais. Diante disso, nem todos acreditam na afirmação de Kim Jong-un.

O país asiático também não realizou muitos testes para COVID-19: segundo a OMS, apenas 922 pessoas passaram pelos testes, e como defende o líder norte-coreano, "nenhuma destas estava infectada". 

“Qualquer que seja a situação real, a cidade de Pyongyang quer passar a imagem de que aniquilou a covid-19. O resto do mundo pode estar sob uma pandemia, mas Jong-un deseja que seu povo saiba que ele os salvou”, escreveu ainda Laura Bicker para a BBC. 

Um relato preocupante 

O veículo de notícias estrangeiro DW conversou com um médico que fugiu da Coreia do Norte em 2012, após trabalhar durante anos no Centro de Controle de Doenças do hospital de uma cidade portuária. “Claro que pessoas morreram de coronavírus na Coreia do Norte”, afirmou Choi Jung Hun de forma enfática. 

O profissional vivenciou o despreparo do sistema de saúde norte-coreano evidenciou a falta de equipamentos adequados, por exemplo: o neurologista afirmou que já teve épocas em que não tinha muito mais que um termômetro para realizar seus diagnósticos. 

Segundo Choi, não era incomum morrer por causa de um vírus na Coreia do Norte, com pessoas sendo levadas inclusive por vírus que já tinham sido aniquilados em outras partes do mundo. “A Coreia do Norte é um museu de vírus”, concluiu dele sombriamente.


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