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O traidor Judas Iscariotes realmente existiu?

Dúvidas sobre a existência de Judas, e sobre a realidade de sua traição, intrigam pesquisadores até hoje

Joseane Pereira Publicado em 12/09/2019, às 08h00

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Hoje em dia, o termo Judas é sinônimo de traidor. Segundo o que conhecemos, esse discípulo vendeu Jesus aos soldados Romanos por míseras 30 moedas de prata, levando-o à morte pela crucificação. Assim, qualquer indagação sobre a existência de um Judas histórico foi suprimida por mais de 2 mil anos de escritos cristãos que o colocaram no papel de vilão.

"Ninguém conseguiu localizar nenhuma fonte de Judas independente das recontagens das narrativas do Novo Testamento", escreveu Susan Gubar, da Universidade de Indiana Bloomington, em sua obra Judas: uma biografia. “Poucos versículos são dedicados a Judas na Bíblia, e eles concordam apenas em ele ser o discípulo que entregou Jesus às autoridades de Jerusalém.”

O beijo / Crédito: Reprodução

 

O Mito

Os Atos dos Apóstolos, assim como os evangelhos de Marcos, Mateus, Lucas e João, contam apenas a história da traição de Judas. Não há menção ao seu local de nascimento, de morte ou família. Mas todos concordam que esse homem, por um motivo ou outro, entregou o Messias às autoridades romanas em troca de moedas.

Os quatro evangelhos descrevem ele como a encarnação do mal. Em alguns relatos, Judas foi dominado pelo espírito do diabo. Em outros, ele era conhecido apenas por ser um ladrão.

Entretanto, outras versões são levantadas: alguns historiadores afirmam que ele é o representante de uma facção de judeus radicais, os Zelotes, que queriam se aliar politicamente com Jesus para confrontar os romanos.

Nesse caso, entregar o messias não seria traição, mas uma tentativa de testar se o mártir poderia liderar os Zelotes em uma revolta contra seus opressores estrangeiros. Ato perpetrado por um grupo de pessoas, mas que historicamente foi personificado por apenas um homem: Judas, o Traidor.