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Pandemia mostra que a sociedade ainda é capaz de ‘esquecer’ ensinamentos do passado

“Vivemos num mundo doente, mas que parece querer continuar nele”, diz a arqueóloga Joana Freitas sobre o comportamento da sociedade em relação a Covid-19

Fabio Previdelli Publicado em 28/03/2021, às 10h00

Imagem meramente ilustrativa
Imagem meramente ilustrativa - Image by Gerd Altmann from Pixabay

Segundo dados do Instituto Johns Hopkins, somente nos últimos 15 dias, entre 12 e 25 de março, o Brasil registrou 1.052.452 casos de infecção pelo novo coronavírus e 30.573 mortes por complicações da Covid-19. 

Já vivendo o pior momento de toda a pandemia, o país ainda parece estar longe de controlar a morte de sua população. Em entrevista ao G1, Carlos Lula, presidente do Conselho Nacional de Secretários Estaduais de Saúde (Conass) diz que a situação é dramática e representa um colapso no sistema.  

“Hoje, mais de 6 mil pacientes esperando leito de UTI. Isso significa o colapso do sistema de saúde, isso significa que a gente chegou ao limite”, explica. "Isso vai significar que a gente vai perder pacientes na fila de espera, que não vão ter chance de ter acesso a um leito de UTI para tentar salvar sua vida”. 

Paralelamente a isso, só no estado de São Paulo, conforme mostra matéria divulgada pela Agência Brasil, 716 festas clandestinas foram encerradas só no último mês pela força-tarefa que foi criada para fiscalizar as medidas restritivas impostas pelo Plano São Paulo.  

Além das festas, a Vigilância Sanitária autuou 263 estabelecimentos comerciais desde o dia 6 de março. Já o Procon-SP multou outros 298 comércios que desrespeitavam à regra de restrição de circulação de pessoas e do uso obrigatório de máscaras. Outras 444 pessoas foram detidas por descumprirem o Plano São Paulo. 

Mas após todo esse tempo as mortes já não chocam mais assim? Será que durante esse último ano as pessoas não aprenderam nada sobre a pandemia? Como explicar tudo isso? 

“A humanidade tende a desvalorizar rapidamente as lições aprendidas”, diz a arqueóloga Joana Freitas em relato ao site Aventuras na História. “Está na mão de todos diminuir a transmissão”. 

O que a história nos ensina? 

No final da Primeira Guerra Mundial, a Gripe Espanhola passou a ser uma das grandes ameaças da sociedade que lutava para se reerguer. Porém, conforme explica a arqueóloga, logo quando a primeira vítima da enfermidade foi registrada, em maio de 1918, as autoridades duplicaram seus esforços para prevenir a disseminação rápida da doença por todas as classes sociais e idades.  

O plano de contingência contra a Gripe Espanhola marcou a história da medicina e, até hoje, ele serve de exemplo para governos traçarem novos planos sanitários em situações epidêmicas e pandêmicas

Porém, segundo Joana, o posicionamento que eram expectáveis de sofrer alterações, podem ser apenas expectativas frustradas. “Esta pandemia que começou por ser entendida como um ponto de ruptura, como algo que anunciava um novo normal, uma paragem forçada que nos faria refletir; rapidamente se perdeu pelas expectativas". 

Para Freitas, a nossa sociedade, ainda mais depressa do que o normal, mostra com isso “que a sua capacidade de ‘esquecer’ [os ensinamentos do passado] se processa de forma muito mais veloz” do que muitos imaginam.  

“A vontade de voltar à velha rotina rapidamente matou a esperança do nascimento de uma nova consciência coletiva”, afirma. "Vivemos num mundo doente, mas que parece querer continuar nele”. 

“Vivemos a pandemia da covid-19 e outras em simultâneo, principalmente de egoísmo e ignorância. Desta forma, não necessitamos de esperar muito para ver a humanidade desvalorizar mais esta pandemia e a esquecer todas as lições que devia ter aprendido", conclui.


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