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"Parecia um mendigo": O homem que revelou as últimas palavras de Che Guevara

Félix Rodriguéz, ex-agente cubano trabalhando para a CIA, tirou uma foto com o famoso guerrilheiro

Ingredi Brunato Publicado em 26/09/2020, às 16h00

Última fotografia de Che Guevara, com Félix Rodriguéz à esquerda.
Última fotografia de Che Guevara, com Félix Rodriguéz à esquerda. - Wikimedia Commons

Em 9 de outubro de 1967, Félix Rodríguez, um cubano que trabalhava como agente da CIA, apertou a mão de uma das grandes figuras da guerrilha revolucionária, e depois eles deram um abraço. O agente tinha 26 anos na época, e estava realizando a operação de sua vida que ficaria mais famosa: aquela em que Che Guevara foi assassinado.

Depois do encontro, o revolucionário deu alguns passos para trás, e ficou parado, esperando pela sua morte. Estava pronto. Contudo, não era Félix que iria matá-lo: o agente da CIA apenas transmitiu a ordem para outro oficial, e então deixou a sala de aula abandonada onde tinham mantido Ernesto Che Guevara preso desde sua captura, no dia anterior. 

O cubano que trabalhava para o governo norte-americano não tinha “nenhum interesse” em assistir ao assassinato do guerrilheiro, como contou em uma entrevista ao El País no ano de 2017. Então, o ex-agente da CIA já estava em seus 76 anos, aposentado, vivendo em uma bela casa Miami. A operação em que conheceu o revolucionário marxista já eram memórias antigas. 

Apesar disso, ele lembrava muitos detalhes: sabia, por exemplo, que depois que deixou a sala de aula, foi para o lado de fora da escola abandonada, sentou em um banquinho e escreveu algumas notas. Foi aí que ouviu o som de uma rajada curta, e sabia que estava feito. Anotou até o horário da morte de Che Guevara

Fotografia de Félix Rodriguéz. Crédito: Wikimedia Commons

 

A operação 

Na manhã de 8 de outubro, ocorreu o confronto na Bolívia de soldados bolivianos e norte-americanos contra os guerrilheiros, após alguns homens mais jovens da equipe, vestidos com roupas de civis, conversarem com os camponeses. 

Segundo Félix Rodríguez, era mais fácil conseguir informações sem usar farda. E de fato eles conseguiram saber o que queriam - um dos camponeses havia avistado o grupo revolucionário escondido em uma região chamada La Quebrada del Yuro, que era próxima de uma de suas plantações. 

O embate resultou na morte de muitos dos integrantes da guerrilha, já Che Guevara estava apenas com um tiro entre o joelho e o tornozelo, “nada muito sério”, como avaliou o agente da CIA. Quando a informação de sua captura se espalhou pelos integrantes da operação, Rodríguez disse que pegou duas garrafas de uísque escocês que havia comprado para uma ocasião de comemoração como esta. 

Houve um dilema em relação a levar o líder da esquerda revolucionária para interrogatório, ou matá-lo logo ali. As ordens de Félix, dos Estados Unidos, eram de levar Che vivo, já o governo boliviano deu a ordem de execução imediata.

O acordo, negociado pelo próprio agente da CIA com o tenente boliviano, foi de duas horas de interrogatório, e então ele daria a ordem para matar o líder marxista. 

Fotografia de Che Guevara. Crédito: Wikimedia Commons

 

Últimos momentos 

O agente cubano decidiu tirar uma foto com Che Guevara, no que se tornou o último registro fotográfico do guerrilheiro em vida. “Parecia um mendigo. As roupas estavam surradas, sujas. Não tinha botas, eram uns pedaços de couro amarrados nos pés.”, lembrou Rodríguez. Guevara tinha 39 anos, na época. 

A câmera pertencia ao próprio agente da CIA, e antes do clique, ele disse para Che: “Comandante, olha o passarinho”, e o guerrilheiro riu, porque era algo que eles diziam para crianças em Cuba, antes de tirar uma fotografia. Estava rindo quando o clique veio, mas quando a fotografia saiu, seu rosto já tinha mudado para uma expressão mais séria. 

Em seus últimos momentos, o revolucionário mandou primeiro uma mensagem para o presidente cubano, com um tom descrito por Félix como ‘sarcástico’: “Se puder diga a Fidel que ele logo verá uma revolução triunfante na América”. Todavia, não foram as suas últimas palavras.

O combatente lembrou de outra coisa importante: “Se puder, diga para a minha mulher se casar de novo e tentar ser feliz”. Depois, ele se aproximou para apertar a mão do agente cubano, lhe deu um abraço, e se afastou, esperando pelo tiro.

O homem que de fato tirou sua vida, contudo, foi o sargento Terán, que contou depois para Félix que chegou na sala dizendo "Che, venho falar com você", ao que o guerrilheiro retrucou "Não seja filha da puta, eu sei que você veio me matar. Mas quero que saiba que vai matar um homem".  


 

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