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Quem era Eustache Dauger de Cavoye, o suposto Homem da Máscara de Ferro?

Nascido na França do século 17, o homem teria se envolvido em diversos escândalos e, por isso, tornou-se uma das teorias mais bem aceitas para o intrigante caso da máscara

Pamela Malva Publicado em 22/11/2020, às 09h00

Representação do Homem da Máscara de Ferro em sua cela
Representação do Homem da Máscara de Ferro em sua cela - Wikimedia Commons

Não existem dúvidas de que a história da humanidade esconde grandes mistérios. Datado dos período entre os anos 1669 e 1670, o caso do Homem da Máscara de Ferro é, com certeza, um dos mais instigantes de toda a França do século 17.

Naquela época, crimes hediondos eram tratados da pior forma possível e o condenado nesse caso, aparentemente, era o pior de todos. Além de ser mantido por trás das barras da cadeia, ele ainda usava uma imponente máscara de ferro, segundo diversos boatos.

Ninguém sabia, no entanto, qual era a identidade do homem, muito menos o real motivo que teria levado ao seu encarceramento. Uma das únicas certezas é que ele foi mantido sob custódia por 34 anos, morrendo em 1703, sob o nome de Marchioly.

Ilustração do Homem da Máscara de Ferro em sua cela na França / Crédito: Wikimedia Commons

 

Um mistério secular

O primeiro registro do temido Homem da Máscara de Ferro na literatura data de julho de 1669. Na ocasião, o Marquês de Louvois, que era o ministro do rei Luís XIV, enviou uma carta para o governador da prisão de Pignerol, Bénigne Dauvergne de Saint-Mars, avisando-o sobre um criminoso que deveria chegar na instituição no próximo mês.

Na mensagem, Louvois foi categórico ao afirmar que o homem chamava-se Eustache Dauger. Com o passar das décadas, no entanto, a carta foi arquivada por autoridades francesas e, sem o nome como prova, o mistério se manteve por séculos.

Anos mais tarde, ao revisitar o trágico caso do Homem da Máscara de Ferro, historiadores encontraram a correspondência e decidiram investigar o suposto criminoso. Foi assim que eles encontraram um jovem que combinava com a descrição.

Gravura do Homem da Máscara de Ferro / Crédito: Wikimedia Commons

 

O principal suspeito

Segundo as pesquisas, um homem chamado Eustache Dauger realmente morou na França na época da prisão do Máscara de Ferro. E, como se não fosse o suficiente, ele tinha seu nome envolvido em diversos escândalos com pessoas da alta burguesia.

A identidade completa do suspeito era Eustache Dauger de Cavoy, um homem nascido em 30 de agosto de 1637. Filho de François Dauger e Marie de Sérignan, o jovem tinha mais 10 irmãos — sendo que apenas nove sobreviveram até a idade adulta e, destes, os dois mais velhos morreram em uma batalha, ao lado do pai.

Após anos de polêmicas, inclusive um susposto assassinato, Eustache viu-se completamente órfão quando sua mãe morreu. Fora do testamento da mulher, o garoto não teve acesso a qualquer herança e manteve-se com o suficiente para sobreviver.

Leonardo DiCaprio em O Homem da Máscara de Ferro (1998) / Crédito: Divulgação/United Artists

 

Polêmicas de um menino órfão

Em meados da década de 1930, o historiador Maurice Duvivier estava decidido a solucionar o mistério do Homem da Máscara de Ferro de uma vez por todas. Assim, ele estudou cada detalhe da história de Eustache e chegou à uma conclusão.

Segundo o historiador, o criminoso teria se envolvido no polêmico Caso dos Venenos, que abalou a França da época. Ocorrido entre 1677 e 1682, o escândalo ficou conhecido por envolver ocultismo, envenenamentos e diversas personalidades do século 17.

A própria investigação dos crimes, inclusive, foi interrompida por Luís XIV, já que sua amante, a Madame de Montespan, estaria envolvida com os venenos. Mas era apenas Eustache e sua participação que intrigavam Maurice Duvivier.

Representação da máscara de ferro em filme de 1998 / Crédito: Divulgação/Youtube

 

A queda do castelo de cartas

Após inúmeras pesquisas, o pesquisador traçou uma teoria que fazia sentido. Para ele, Eustache teria assumido o nome de Auger durante o Caso dos Venenos e, assim, teria trabalhado como um fornecedor de substâncias letais para os criminosos envolvidos.

De acordo com essa teoria, o homem teria sido preso por seus crimes e, após ser levado para a prisão de Pignerol, recebeu a macabra máscara de ferro. O problema é que outros documentos logo derrubaram todas os caminhos traçados por Maurice.

Acontece que cartas e outros registros da época indicam que Eustache Dauger de Cavoy foi preso em Saint-Lazare, em Paris, ao mesmo tempo em que o Homem da Máscara de Ferro foi detido em Pignerol — dois locais que ficavam a quilômetros de distância.

Ainda mais, um poema da época, escrito por um detento, indica que Eustache morreu na Prisão Saint-Lazare, no final dos anos 1680. Para diversos historiadores, essa é a prove necessária para afirmar que o francês nunca foi o Homem da Máscara de Ferro — ainda que Eustache seja uma das teorias mais bem aceitas atualmente.

Por fim, diversas teorias sugerem outros nomes para o verdadeiro criminoso. Na lista estão o conde Ercole Antonio Mattioli, um diplomata italiano; James de la Cloche, o suposto filho ilegítimo de Carlos II, da Inglaterra; e até mesmo o pai do rei Luís XIV.


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