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A questionável saga de Hugo Aguilar, o homem que matou Pablo Escobar

Com uma carreira policial extensa, o oficial foi considerado um herói na Colômbia, mas logo escolheu pelo posto de vilão

Pamela Malva Publicado em 18/06/2020, às 17h00

A emblemática foto de Hugo Aguilar no dia da morte de Pablo Escobar
A emblemática foto de Hugo Aguilar no dia da morte de Pablo Escobar - Divulgação/Youtube

A manhã do dia 2 de dezembro de 1993 estava ensolarada e os integrantes do grupo de busca do Coronel Martinez estavam se sentindo sortudos. Aquele, afinal, poderia ser o dia que finalmente encontrariam Pablo Escobar.

Conhecido como o maior e mais perigoso narcotraficante da Colômbia, o criminoso estava sendo procurado há tempos, sem facilitar o trabalho da polícia nacional. Para os oficiais em campo naquele dia, no entanto, as coisas estavam prestes a mudar.

Foi em cima do telhado de uma casa que o corpo de El Patrón caiu, baleado pelos rifles e metralhadoras da polícia. O último tiro, levemente mais fatal que os outros, foi de Hugo Aguilar, coronel que passou a ser considerado um herói nacional.

Não satisfeito com a fama que o caso lhe garantiu, o policial decidiu seguir um caminho diferente. Uma vez conhecido por seu protagonismo em um dos maiores triunfos da polícia colombiana, Hugo Aguilar caiu em um espiral de crimes, política e corrupção.

Hugo Aguilar, de camiseta branca, preso em 2018 / Crédito: Divulgação/Gustavo Torrijos

 

Apaixonado pela farda

Natural do município de Moniquirá, Hugo formou-se em administração educacional pela Universidade de San Buenaventura, em meados da década de 1970. Logo em seguida, o jovem matriculou-se na Escola de Cadetes de Polícia General Santander, em Bogotá.

Em menos de um ano na instituição, Hugo recebeu o posto de Segundo Tenente, em novembro de 1976. Pouco tempo mais tarde, o jovem oficial começou a formar seu extenso currículo entre os profissionais de segurança da Colômbia.

De uniforme, Hugo amava sua notória carreira e, com disciplina, passou de especialista em criminalística para chefe de segurança em escolas e até chefe de inteligência de Medellín. O cargo que mais gostou de exercer, no entanto, foi o de coronel.

Policial na política

A impressionante carreira de Hugo Aguilar foi uma das coisas que o levou até a equipe do Coronel Martinez naquela manhã de dezembro de 1993. Ele era um bom atirador e tinha uma lista enorme de trabalhos realizados com certa excelência.

Para seus superiores, então, era mais do que óbvio que Hugo deveria participar da missão que finalmente capturaria Pablo Escobar. Dessa forma, após o triunfo contra o narcotráfico no país, a Polícia Nacional concedeu diversas condecorações ao coronel.

Agora dono de diversas medalhas de honra e de um dos títulos mais repercutidos na Colômbia — do homem que matou Pablo Escobar —, Hugo desejava mais. Assim, ao final da década de 1990, aposentou-se da Polícia Nacional e decidiu entrar na política.

Foto de Hugo Aguilar com a camiseta de Pablo Escobar morto em mãos / Crédito: Divulgação/Youtube

 

Faixas e medalhas

Os primeiros passos do coronel Aguilar no universo político colombiano foram tensos e hesitantes. Ainda assim, ele se candidatou para o Conselho de San Gil e para o cargo de prefeito de Suaita. Sem sucesso em ambas as tentativas, decidiu tentar outra coisa.

Em meados de 2001, com o apoio do Partido da Convergência do Cidadão, então, Hugo candidatou-se à deputado de Santander. Com cerca de 17 mil votos, conquistou o carinho do público votante e foi selecionado para o posto.

O ex-policial manteve-se deputado de Santander por anos, entre 2004 e 2007. No meio de seu mandato, inclusive, foi surpreendido com um grau honorário oficializado pelo governo da Colômbia, em junho de 2006.

Câmaras e segredos

Ao mesmo tempo em que conquistava a confiança de parceiros políticos e da população, no entanto, Hugo passou a usar seu posto como deputado para apoiar grupos paramilitares, como a organização de direita Autodefesas Unidas da Colômbia.

Pelo crime de conspiração e pela aliança ilegal com a instituição, Hugo foi detido e condenado a 9 anos de prisão, em 2011. O ex-coronel, contudo, acabou recebendo o benefício de liberdade condicional em meados de 2015.

Apesar de preso, a história de Hugo com a corrupção não acabou por aí. Em 2018, o ex-policial foi detido novamente, desta vez acusado de lavagem de dinheiro e enriquecimento ilícito. Naquele ano, ele era dono de uma fortuna avaliada em 5,2 milhões de dólares.

Segundo a promotoria do caso, Hugo Aguilar foi preso ao lado de sua ex-esposa e de um suposto laranja, ambos envolvidos no escândalo fiscal. O caso segue aberto, enquanto o ex-coronel espera por seu julgamento em liberdade.


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