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Reinventada após 120 anos: A curiosa história da bateria de Thomas Edison

O norte-americano havia desenvolvido um novo tipo de energia para veículos e até mesmo chegou a firmar parceria com a Ford Motors. Mas o projeto acabou não dando muito certo. Entenda!

Fabio Previdelli Publicado em 28/04/2021, às 16h40

Fotografia do inventor Thomas Edison
Fotografia do inventor Thomas Edison - Domínio Público/ Wikimedia Commons

Segundo artigo da Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos, ao longo de sua vida o inventor Thomas Edison registrou 2.332 patentes. Entre as mais conhecidas estão o fonógrafo, o cinematógrafo e, a mais conhecida entre elas, a da lâmpada elétrica incandescente.  

Porém, uma delas voltou a ganhar destaque na última década, após cerca de 120 anos de sua invenção: a bateria de níquel-ferro, que seria usada em automóveis. Porém, na época, a ideia não deu tão certo assim. Entenda! 

A bateria de Edison

Como relembra matéria da BBC, quando o inventor patenteou a ideia, no início dos anos 1900, os carros elétricos já não eram uma novidade. Afinal, a maioria dos veículos já dependia de pesadas baterias de chumbo-ácido.  

Mas a ideia de Edison era diferente. Para se ter uma ideia, segundo a BBC, seu invento era capaz de se descolar com o dobro da velocidade dos carros convencionais. Além disso, quando testou sua engenhoca pela estrada de cascalho de West Orange, em Nova Jersey, todos ficaram supressos com o espaçoso interior do veículo.  

Thomas Edison inspecionando um carro elétrico em 1913 / Crédito: Smithsonain/ Wikimedia Commons

 

Entretanto, vale ressaltar que a bateria de níquel-ferro não era uma invenção de Thomas. Ele tomou como base o trabalho do sueco Ernst Waldemar Jungner, que foi o primeiro a patenteá-la, em 1899. Porém, o norte-americano aprimorou esse trabalho, a desenvolvendo para uso em automóveis.  

A vantagem que as batarias de níquel-ferro tinham sobre as de chumbo-ácido, segundo o próprio Edison dizia, é que elas eram incrivelmente resistentes e podiam ser recarregadas duas vezes mais rápidas. 

Seu projeto era tão inovador que ele tinha fechado um acordo com a Ford Motors para que veículos elétricos fossem produzidos por essa tecnologia tida como mais eficiente. Porém, esse modelo ainda apresentava questões que precisavam ser resolvidas, já que eram maiores que as baterias mais usadas e também tinham um custo maior.  

Como se não bastasse, elas ainda liberavam uma grande carga de hidrogênio, o que era visto como algo muito perigoso e incômodo. Um ponto, segundo a BBC, que impediu que o invento chegasse ao consumidor final foi que o inventor não conseguir aperfeiçoar o protótipo que estava desenvolvendo. 

Além disso, os carros elétricos estavam perdendo espaço no mercado para os veículos movidos a combustível possível — que além de percorrerem distâncias maiores antes de pararem para reabastecer.  

Assim, como explica a BBC, o acordo do norte-americano com a Ford Motors acabou ruindo, e sua bateria acabou não sendo utilizada em carros. Porém, ainda assim, possui, ainda hoje, um uso muito importante. 

O trabalho de Edison nos dias atuais 

Apesar do insucesso em veículos pessoais, as baterias de níquel-ferro de Edison passaram a ser usadas em áreas específicas, como na sinalização de ferrovias, afinal, seu tamanho mais avantajado não é um empecilho para esta área.  

Agora, no entanto, a bateria está sendo estudada para ser uma alternativa para um grande problema que envolve as energias renováveis: os intervalos necessários das fontes de energia limpa, como a solar e/ou a eólica.  

Até então considerados um fator que causa preocupação, o hidrogênio pode ser o grande trunfo desse tipo de bateria. Tudo começou em 2010, quando pesquisadores da Universidade de Tecnologia de Delft, na Holanda, encontraram um novo uso para ela. 

Fotografia de Thomas Edison/ Crédito: Louis Bachrach/ Crédito: Biblioteca do Congresso/ Wikimedia Commons

 

Se baseando no fato que a bateria sofre uma reação química que libera hidrogênio e oxigênio toda vez que é recarregada, eles perceberam que essa reação é muito semelhante a um processo chamado de eletrólise, usada para liberar hidrogênio na água.  

“Me pareceu que a química era a mesma", explicou o líder da equipe de pesquisa da Universidade de Delft Fokko Mulder.  

Essa reação da divisão da água, em prática, pode ser uma maneira de se produzir hidrogênio para ser usado em combustível. Assim, descobriram que a bateria se tornou mais eficiente quando foi usada como eletrolisador. Além disso, esse tipo de bateria também reagiu bem ao processo, sem sofrer sobrecarga ou degradação como acontece com baterias mais tradicionais.  

"E, é claro, ficamos bastante satisfeitos com o fato de a eficiência energética parecer boa durante tudo isso", disse Mulder sobre o estudo que alcançou níveis de eficiência de 80-90%. A nova criação ganhou o nome de battolyser.   

Agora, espera-se que sua descoberta resolva dois pontos cruciais para a produção de energia renovável: o armazenamento de energia e a produção de combustível limpo. "Você vai ouvir argumentos a favor das baterias, por um lado, e do hidrogênio, de outro", diz o pesquisador. "Sempre houve uma espécie de competição entre os dois, mas basicamente precisamos de ambos”, completa.


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