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Ruby Bridges, a primeira aluna negra a pisar em uma escola para brancos nos EUA

Em uma época marcada pela segregação racial, Bridges deu o primeiro passo e foi vítima de racismo e bullying

André Nogueira Publicado em 08/11/2019, às 13h37

Ruby saindo da escola escoltada por policiais
Ruby saindo da escola escoltada por policiais - Divulgação

Desde a abolição da escravidão, no século 19, os EUA possuem um problema relativo à questão racial. Assim como foi na África do Sul e quase aconteceu no Brasil, o país viveu um sistema estruturado que separava espaços para pessoas brancas, nos centros urbanos, e negros, nas periferias.

As praças eram destinadas para grupos específicos, baseados em cor. Os bebedouros eram separados. Havia delimitações policiais dentro dos ônibus para a segregação. E as escolas não eram diferentes: havia escolas para pessoas brancas e escolas para pessoas negras (normalmente, de pior qualidade). O regime de segregação racial, ou apartheid, era uma política oficial de estado e começou a ser abertamente questionado pelos movimentos de direitos civis nos anos 1950 e 1960.

Os ônibus tinham separações e o fundo era reservado aos negros / Crédito: Wikimedia Commons

 

Um dos primeiros casos que tentou alterar esse triste sistema segregacionista foi implantado no estado da Louisiana. Foi arquitetado um projeto do governo federal que permtia a entrada de alunos negros nas escolas de educação infantil, numa tentativa de acabar com a segregação na educação.

Houve uma primeira tentativa, que teve que lidar não somente com a estrutura do sistema, mas também com a resistência das pessoas que, interiorizado o racismo e a defesa da segregação, se negavam a aceitar o projeto de integração entre pessoas brancas e negras.

Um dos primeiros casos pode ser citado com Ruby Bridges, uma garota negra de 6 anos de idade e que foi a primeira criança negra dos EUA a estudar oficialmente em uma escola destinada a crianças brancas.

Ruby, então, se dirigiu à escola William Frantz, em Nova Orleans, no dia 14 de novembro de 1960. É claro que o projeto e a participação de Ruby exigiu coragem, pois sua própria vida e a integridade física estavam em risco com a situação, que poderia se deparar com algum extremista ou qualquer manifestação mais violenta de racismo.

Por isso, Ruby passou todo o processo escoltada por policiais federais. Entretanto, ao entrar na escola, Ruby deu de cara com um prédio vazio. Em protesto ao projeto, o corpo de professores da instituição se recusou a ministrar as aulas e declarou que só iria educar crianças brancas. Os pais também se mobilizaram e não levaram seus filhos para a escola neste dia, se recusando a sujeitar seus filhos ao contato com uma pessoa negra.

Somente uma professora da escola aceitou a situação e permaneceu nas dependências do prédio na chegada da nova aluna. No fim do período do primeiro dia de aula, Ruby saiu escoltada por três delegados armados e preparados, pois era de conhecimento geral a multidão de 1.000 pessoas brancas em protesto na frente da escola.

Aos gritos, eles pediam a sua retirada. Cuspindo em cima da criança, eles apoiavam o racismo estrutural e as leis de segregação, chegando a jurar várias vezes à morte de Ruby.

No entanto, a menina não perdeu a postura. É registrado que o delegado federal Charles Burks destacou em sua fala a coragem da menina: "Ela mostrou muita coragem. Ela nunca chorou. Ela não choramingou. Ela só marchava como um pequeno soldado, e nós estamos todos muito, muito orgulhosos dela".

As lutas contra a segregação duraram anos nos EUA e foi necessária muita luta pelo fim do sistema violento e racista que separava os brancos dos negros em um esquema que claramente visava prejudicar a população negra do país e subjugá-la à suposta inferioridade. A sua trajetória relembra um dos maiores casos de racismo e bullying.


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