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Rugido alto e pose para a câmera: a surpreendente saga do famoso leão de Hollywood

Desde 1924, a companhia inicia suas produções de sucesso com um grandioso felino e sua polida juba, porém, com diversas histórias

Wallacy Ferrari Publicado em 01/04/2020, às 08h44

A famosa identidade visual utilizada nas aberturas de produções da MGM
A famosa identidade visual utilizada nas aberturas de produções da MGM - Divulgação

Na história da Metro-Goldwyn-Mayer, nunca nenhum personagem apareceu mais em produções do que Leo, o Leão, que inicia as produções da gigante do cinema com seu rugido alto e sua pose de mau. Presente desde a fundação da empresa, em 1924, o carnívoro mais famoso de Hollywood já foi interpretado por cinco leões.

O primeiro inicialmente foi chamado de Slats, e não de Leo, e nem sequer rugia, apenas aparecia no inicia assinando a produção com o ar de sua graça. Pelo fato de iniciar no cinema mudo, não havia a necessidade de assustar a plateia com um baita mugido. Ele nasceu no zoológico de Dublin e fazia pontas para um dos fundadores da MGM.

Slats morreu 12 anos depois de sua primeira aparição nos filmes da produtora, em 1936, e Volney Phifer, o domador de animais selecionado pela MGM para cuidar de bichanos que interagiam no set, enviou os restos mortais de Slats para sua fazenda e enterrou o animal, dedicando um túmulo com a frase “Hold down the lion spirit” (Segure o espírito de leão, em tradução livre).

Com um rugido meticulosamente capturado por um gramofone, Jackie substituiu Slats e pôde pegar a era dourada da MGM, mas não apenas introduzindo os filmes, mas marcando diversos avanços tecnológicos no cinema. Jackie, por exemplo, foi o primeiro a aparecer em Technicolor, uma técnica de coloração que ficou famosa entre as décadas de 1930 e 1970 pelos detalhes que apresentaram.

Jackie junto ao seu treinador, Melvin Koontz, simulando uma mordida / Créditos: Domínio Público

 

Já usando o nome de Leo, foi considerado o “felino mais feio já visto” de acordo com seu treinador Melvin Koontz, porém, era o mais dócil. Além de ter estrelado mais de 100 filmes com outros personagens, chegou a fazer um voo de avião para divulgar a MGM, em 1927. O avião se acidentou, mas Jackie sobreviveu por vários dias até ser encontrado no deserto do Arizona. Também sobreviveu a um terremoto, uma explosão e uma colisão de trem.

Quando morreu em decorrência a problemas cardíacos, em 1935, foi substituído por dois leões: Coffee e Telly. Telly introduziu as cores manualmente inseridas, mas ficou mais presente em curtas-metragens. Coffee era o mais avermelhado dos leões da MGM e sua coloração surgiu justamente para os testes iniciais do Tecnicolor, até ser substituído pelo ruído mais impressionante da história da MGM.

O leão Tanner, que, apesar de introduzir diversas produções por 22 anos, entre 1934 e 1956, era o mais violento dos leões, com o rugido mais alto e irritado. Isso dava medo não só aos produtores, mas impossibilitava o bichano de estrelar produções pelo risco de atacar atores e funcionários. Pelo fato de ser pouco amigável, sua gravação foi a mínimo renovada possível.

Um dos leões da MGM gravando a vinheta de introdução / Créditos: Domínio Público

 

Quando ficou impossibilitado de gravar, Tanner foi substituído por George, que não ficou muito tempo ocupando a posição. Ficou apenas dois anos, porém, sua juba foi considerada a maior e mais bonita que preencheu a tela da MGM. Em 1958, foi substituído por um leão que realmente vestia a camisa da empresa: Leo, que realmente se chamava Leo.

Leo é o mais antigo na tela da MGM, estando presente desde 1957 até os dias atuais. Foi o leão mais jovem na época que o rugido foi filmado, e também foi o mais incontrolável para gravar o mesmo. Calmo, não tinha o hábito de rugir, então teve de ser irritado para soltar o retumbante som. Como ator, o felino estrelou diversos filmes de Tarzan e suas séries para a televisão.

Para fazer o “bumper” — vinheta que introduz uma marca — o designer Howard Dietz foi designado para representar a MGM Pictures e fez uma escolha baseada em uma referência pessoal; escolheu o animal para homenagear o mascote da atlética de sua universidade, a Universidade de Columbia. A equipe atlética, inclusive, tinha o nome de “The Lions”.


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