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A saga da cidade 'fantasma' de São João Marcos, no Rio de Janeiro

Nos anos 1940, uma das regiões mais prósperas no século 19 foi inundada para a construção de uma represa que forneceria energia à então capital do país

Isabela Barreiros, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 04/07/2021, às 08h00

Construções na cidade de São João Marcos, hoje Parque Arqueológico
Construções na cidade de São João Marcos, hoje Parque Arqueológico - Divulgação/Gshow/Rio Sul Revista

O ciclo do café fez com que inúmeras regiões do país se desenvolvessem rápida e significativamente. Os estados de São Paulo e do Rio de Janeiro se destacaram, e muitas cidades se tornaram prósperas a partir do lucro obtido pela produção e exportação do café.

Embora tivessem se tornado importantes com as plantações, muitos locais perderam o prestígio assim que o ciclo começou a decair, paralelamente ao fim da escravidão no país. Algumas cidades conseguiram se manter nos séculos seguintes, mas outras acabaram desaparecendo.

O caso da cidade de São João Marcos, no Rio de Janeiro, é ainda mais peculiar do que isso. Ela sofreu com a decadência da exportação do produto, porém teve que lidar com um processo mais brutal que apenas o natural desgaste de uma vila. 

Afinal, nos anos 1940, ela foi demolida para que uma represa pudesse ser construída na região. Como relatou uma reportagem especial do UOL, a cidade foi inundada para que pudesse abastecer a então capital do Brasil com energia. 

História embaixo d’água

Vestígios de construções na cidade de São João Marcos / Crédito: Kika Lima via Wikimedia Commons

 

Em 1739, foi fundada a cidade de São João Marcos, localizada entre o litoral de Mangaratiba e o município de Rio Claro, onde hoje está o quilômetro 20 da rodovia RJ-149. Na época, ela se tornou uma das mais importantes da região, habitada principalmente pela aristocracia rural do estado.

Pelo ciclo do café e pela localização privilegiada, a região logo começou a obter grande importância e a abrigar muitas pessoas. A cidade estava perto da capital, tinha acesso ao litoral e ainda estava próxima de uma confluência de rios.

No entanto, com o tempo, os anos de glória de São João Marcos começaram a chegar ao fim, dando lugar a um período turbulento que viria a quase terminar com tudo que havia sido construído naquele local. 

Construção no Parque Arqueológico atual / Crédito: Divulgação/Gshow/Rio Sul Revista

 

Tudo começou quando um distrito da região foi inundado para que uma usina fosse construída entre 1905 e 1907. Depois disso, mais e mais locais passaram a ser alagados para aumentar a capacidade da represa, o que fez com que os habitantes tivessem que abandonar o local e suas casas fossem destruídas.

A represa de Ribeirão das Lages deveria produzir e abastecer a cidade do Rio de Janeiro, mas como a água não conseguiu chegar ao nível que os especialistas esperavam, tudo acabou sendo abandonado. A região despovoada havia se tornado apenas mais uma cidade fantasma brasileira.

Um parque arqueológico

Crédito: Divulgação/Gshow/Rio Sul Revista

 

Como podemos ler no site da cidade, ela foi transformada no Parque Arqueológico e Ambiental de São João Marcos em 2011, após mais de 70 anos de abandono. O parque é mantido pelo patrocínio da concessionária Light, do Governo do Estado do Rio de Janeiro e da Secretaria de Estado de Cultura e Economia.

Com um trabalho arqueológico notável, é possível observar vestígios da antiga e próspera cidade. Com muita vegetação ao seu redor, os restos da Igreja Matriz, como o arco da sua porta principal e seu piso de mármore original, algumas construções como residências, parte do calçamento original, e até mesmo pontes em arco, segundo uma reportagem da Rio Sul Revista.

Embora esteja fechado devido à pandemia do novo coronavírus, o parque já recebeu inúmeros visitantes ao longo dos seus anos de funcionamento e continua seu trabalho de divulgação do local por meio de atividades culturais feitas virtualmente.


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