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Salaì, o possível amor de Leonardo da Vinci

Gian Giacomo Caprotti era um dos assistentes mais próximos do mestre renascentista, além de suposto amante e inspiração para suas grandes obras

Alana Sousa Publicado em 02/08/2020, às 09h00

São João Batista
São João Batista - Wikimedia Commons

“Ilegítimo, gay, vegetariano, canhoto, facilmente distraído e às vezes herético”. Assim descreveu Walter Isaacson um dos maiores gênios da História, na biografia Leonardo da Vinci (2018). Os talentos do mestre renascentista já não conhecidos por todos, seus trabalhos no ramo das artes, ciência, engenharia, arquitetura são venerados ainda hoje, 500 anos depois de sua morte.

No entanto, um aspecto de sua trajetória parece chamar mais atenção do que outros: sua vida íntima. Sem nunca ter casado ou deixado qualquer herdeiro, o debate em torno de sua sexualidade acontece com frequência, considerando a possibilidade de o pintor ser homossexual.

Artista Leonardo Da Vinci / Crédito: Getty Images

 

 “Ao mesmo tempo, entre os escritos de Leonardo aparecem vários desenhos de órgãos genitais femininos e referências ao orgasmo da mulher. Ele devia saber do que estava falando para escrever isso com tanta precisão”, alegou o professor Alessandro Vezzosi, especialista na vida do artista italiano.

Apesar de tanto mistério, uma figura em especial, presente por muitos anos, na vida de Da Vinci pode ser associada como um amante — e possível inspiração — por trás de muitas obras famosas, como as de São João Batista e de Baco.

Salaì

Gian Giacomo Caprotti, posteriormente chamado por Leonardo de Salaì (pequeno demônio), chegou ao ateliê, localizado em Milão, quando tinha apenas 10 anos, em 1490. Logo de tornou um aprendiz do artista e, cada vez mais, atraía sua atenção. Nessa época, o pintor já estava com 30 anos de idade.

Ao envelhecer ganhou o apelido de Salaì, em referência a sua notável beleza. Ele impressionava o renascentista, que o retratou em suas renomadas obras. Alguns historiadores consideram a hipótese de Giacomo ter sido a inspiração por trás de Mona Lisa — algo que nunca foi comprovado.

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Desenho de Da Vinci que pode ser Salaì / Crédito: Wikimedia Commons

É indiscutível a relevância de Caprotti na vida de seu mestre. “Ele era um garoto da classe trabalhadora e, evidentemente, muito difícil de lidar, mas acabou ficando com Leonardo por 25 anos”, contou Brian Mullin, organizador de uma ópera que celebra a vida do multiartista, em entrevista à BBC, em 2019.

Pela proximidade do pintor com seu assistente, especialistas supõe que havia algo que ia além da relação profissional. Dado que o italiano não deixou diários pessoais, o que dificulta compreender sua fascinante saga.

A partir de poucas anotações que Alex Mills e Brian Mullin resgataram para criar o espetáculo, sabe-se que Da Vinci e Caprotti mantinham um relacionamento intenso e profundo. Presenteando-o com roupas caras, o levando para viagens constantes. “Todo mundo considera que ele foi companheiro de Leonardo”.

A relação de ambos passou por uma turbulência em 1505, quando outro assistente chegou à oficina de Leonardo. Este era Francesco Melzi, um jovem de família nobre que se tornou secretário particular do renascentista. Diferente de Salaì, Melzi tinha uma relação de pai e filho com Da Vinci, sendo chamado de Mestre Francesco por ele.

Ao analisar as obras de Leonardo, Martin Clayton, chefe de gravuras e desenhos do Royal Collection Trust considera que os assistentes representavam dois lados distintos do próprio artista. Sendo que Salaì seria uma faceta sombria. “Apresentar Salaí como o lado sombrio e reprovador e Melzi como o lado sólido e trabalhador, diz algo muito válido sobre Da Vinci”, opinou Clayton.

De fato, Caprotti se afastou de Da Vinci após a chegada de Melzi. Quando o mestre renascentista se mudou para França. Ele permaneceu em Milão e, já não estava ao lado do italiano em sua morte, no ano de 1519.

Outro aspecto enigmático sobre a relação dos dois, é que após a morte de Leonardo, Giacomo quase nada herdou, apenas algumas telas que pesquisadores hoje suspeitam que foram falsificadas, ou mesmo roubadas. Por outro lado, Melzi ficou com pinturas, desenhos e alguns cadernos, como um guardião do legado intelectual de seu mestre.

Gian Caprotti após o falecimento de Da Vinci casou-se com Bianca Coldirodi d'Annono e, um ano depois, morreu em um duelo, em 1524, na cidade de Milão.


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