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Mona Lisa: 10 mistérios sobre uma das obras de arte mais famosas da História

Clássica pintura de Leonardo da Vinci é conceituada até hoje por seus múltiplos enigmas e interpretações multifacetadas

Fabio Previdelli Publicado em 25/04/2020, às 09h00

Mona Lisa, a mais conhecida obra de Leonardo da Vinci
Mona Lisa, a mais conhecida obra de Leonardo da Vinci - Wikimedia Commons

1. Quem era Mona Lisa?

Um dos maiores mistérios, é justamente a identidade da enigmática da Mona Lisa. Por mais que ela nunca tenha sido revelada, muitas teorias existem para tentar solucionar o mistério.

Muitos historiadores acreditam que ela seja Lisa Gherardini (também conhecida como Lisa del Giocondo), uma italiana que nasceu em Florença no ano de 1479. O retrato da teria sido encomendado pelo marido, Francesco di Bartolomeu de Zanobi del Giocondo. Lisa era uma jovem de classe média que trabalhava com o marido como comerciante de seda e tecidos. Juntos, eles tiveram cinco filhos: Piero, Andrea, Camila, Giocondo e Marietta.

Mona Lisa, quadro de Leonardo da Vinci / Crédito: Wikimedia Commons

 

Por outro lado, há quem acredite que La Gioconda seja Caterina Sforza, Senhora de Ímola e Condessa de Forli. Ainda existe uma teoria supondo que Mona Lisa seria a amante de Giuliano de Médici, o governante de Florença, ou Isabella d’Este, a marquesa de Mântua. Há até quem diga que ela possa ser a mãe de Da Vinci ou até ele próprio, devido às semelhanças estruturais do rosto.


2. Sorriso intrigante

Enigmático, intrigante e profundamente desconcertante, o sorriso de Mona Lisa é um dos elementos mais misteriosos da pintura a óleo de Leonardo. Durante séculos foi discutido se ela estava feliz, triste, ou até mesmo apática. A professora Margaret Livingstone, da Universidade de Harvard, explica que as baixas frequências espaciais nas quais o retrato foi pintado, acabou criando um sorriso marcante quando os espectadores olham nos olhos presentes na pintura.

Em 2005, pesquisadores holandeses desenvolveram um programa de computador de reconhecimento fácil. Ele revelou que as emoções presentes na face de Mona Lisa seriam: 83% de satisfação, 9% de nojo, 6% de medo, 2% de raiva, e menos de 1% de neutralidade e surpresa.

O sorriso de Mona Lisa, quadro de Leonardo da Vinci / Crédito: Wikimedia Commons

 

No entanto, muitos afirmam que o sorriso teria mudado de acordo com o ângulo que você a observa e também com a distância. Em close, por exemplo, teríamos a impressão de uma expressão mais recatada. Já de longe, ela pare estar sorrindo alegremente.


3. Códigos secretos

Se o sorriso e a identidade da mulher já são segredos demasiadamente intrigantes, existem outros mistérios ‘ocultos’ no quadro. Através da ampliação de microscópio de imagens de alta resolução da pintura, o Comitê Nacional do Patrimônio Cultural da Itália revelou a presença de uma série de letras e números pintados em várias partes da tela.

No olho direito da Mona Lisa, o historiador de arte Silvano Vicenti afirma que é possível identificar as letras “L” e “V”, que seriam as iniciais de Leonardo da Vinci. Além do mais, no olho esquerdo esconderia as letras “C” e “E”, ou até mesmo um “B”.

No olhar direito de Mona Lisa, quadro de Leonardo da Vinci, seria possível identificar as letras “L” e “V”, que seriam as iniciais do artista / Crédito: Wikimedia Commons

 

Já a ponte ao fundo da obra apresenta o número “72” ou a letra “L” seguida de um “2” pintado em seu arco. O que será que Da Vinci pretendia ao pintar misteriosamente essas letras de forma invisível a olho nu? Esse enigma seria digno de Robert Langdon.


4. A ponte desconhecida

Chega de falar de Mona Lisa, pelo menos da figura que representa a mulher misteriosa. O quadro ainda esconde elementos que devem ser apreciados, como a ponte de três arcos ao fundo da moça.

A historiadora Carla Glori sugere que o local sobre o ombro esquerdo da mulher seja a Ponte Gobbo ou Ponte Vecchio e estaria situada em Bobbio, uma pequena vila em um lugar montanhoso ao sul de Piacenza, ao norte do país.

A ponte representada na pintura de Da Vinci seria uma referência a Ponte Gobbo / Crédito: Wikimedia Commons


A teoria usa do número secreto descoberto por Vicenti, o 72. Glori sugere que o número seria uma referência ao ano de 1472, quando uma inundação desastrosa fez com que o rio Trebbia rompesse e destruísse a ponte de Bobbio.


5. Um olhar diz muitas coisas

O olhar de La Gioconda parece ultrapassar os limites da tela e acompanhar o espectador para onde ele se move. Esse fenômeno pode ser explicado por um entendimento científico descrito pela Universidade de Ohio, apontando que uma imagem pode parecer exatamente a mesma, independente do ângulo em que é enxergada.

O olhar de Mona Lisa, quadro de Leonardo da Vinci / Crédito: Wikimedia Commons

 

O mais encantador disso tudo, é que sem uma tecnologia do tipo, Leonardo da Vinci, através da sua manipulação magistral do chiaroscuro, conseguiu criar um senso de profundidade intensamente realista na interação entre sombra e luz do quadro.


6. Uma pintura atrás de Mona Lisa

Em 2006, cientistas canadenses usaram imagens de infravermelho e laser que revelaram esboços rudimentares escondidos na obra. Uma das mudanças seria a posição do indicador e do dedo médio da mão esquerda. O estudo também permitiu diversas outras descobertas, como as rendas, ou um véu, desenhados no ombro dela.

Quase uma década depois, em 2015, o engenheiro francês Pascal Cotte usou técnicas semelhantes e projetou feixes de luz em diferentes comprimentos de onda com o intuito de medir as quantidades de luz refletidas de volta. Curiosamente, ele descobriu que havia um retrato secreto por trás da Mona Lisa que vemos hoje.

Cientistas canadenses analisando a Mona Lisa em 2006 / Crédito: National Research Council Canada

 

No que Cotte chama de "método de amplificação de camadas", ele afirma: "Podemos analisar exatamente o que acontece dentro das camadas da criação da pintura e podemos descascá-las como uma cebola". Cotte encontrou quatro imagens abaixo da superfície pintada mais alta, incluindo uma pintura de uma mulher mais jovem com pequenos traços faciais e sem sorriso.


7. Mona Lisa estava grávida?

Como dito anteriormente, muitos historiadores acreditam que a mulher seja Lisa del Giocondo, que teve quatro filhos. Os braços da moça cruzados sobre o estômago arredondado, assim como evidências históricas, sugerem que ela estava grávida pela segunda vez quando a pintura foi feita.

Além disso, como o exame com infravermelho mostrou, ela teria um guarnello (véu) pendurado nos ombros. Um guarnello é um tecido excessivo feito de linho e é muito usado por uma mulher grávida.

Ventre e mãos de Mona Lisa, quadro de Leonardo da Vinci / Crédito: Wikimedia Commons

 

Especula-se que o véu possa ser simplesmente um lenço ou pedaço de tecido pendurado sobre os ombros. No entanto, as mãos da Mona Lisa sobre o estômago, o momento historicamente exato de sua gravidez com a de Lisa e o uso semelhante de um guarnello como na obra que representa Smeralda Brandini, do pintor Sandro Botticelli, sugerem que ela escondia misteriosamente um bebê.


8. Por que achamos a Mona Lisa bonita?

Ao longo da história, o retrato de Mona Lisa foi citado como um exemplo de beleza atemporal. Mas seria limitador sugerir que sua beleza estaria restrita apenas ao olhar e o sorriso.

A proporção áurea, denominada por Da Vinci como “proporção divina”, é derivada da relação dimensional comprimento e largura dos retângulos e é supostamente a proporção mais esteticamente agradável para o olho humano. Presente em estruturas naturais, como o centro espiralado de girassóis e as colunas artificiais do Partenon.

Linhas simetricas no quadro de Mona Lisa, de Leonardo da Vinci / Crédito: Reprodução YouTube

 

Quando um retângulo é formado ao redor do rosto de Mona Lisa, de acordo com a proporção, o queixo, o topo da cabeça e o nariz ficam alinhados exatamente. A prevalência dessa proporção áurea na obra de arte talvez explique a misteriosa intriga sentida por quem vê o retrato. Suas proporções são consideradas agradáveis ​​aos olhos, produzindo uma sensação de equilíbrio natural e beleza.


9. Pintura roubada

A Mona Lisa foi roubada em 1911 por um funcionário italiano do Louvre chamado Vincenzo Perugia — alguns escrevem seu sobrenome Peruggia. Ele acreditava que a obra havia sido roubada em Florença por Napoleão Bonaparte, e desejava trazê-la de volta ao seu “verdadeiro lar”.

Por dois anos a localização da pintura permaneceu um completo mistério. Então, em 1913, Perugia entrou em contato com o negociante de arte italiano Alfredo Geri  e solicitou um reembolso monetário ao governo italiano em troca do transporte da Mona Lisa de volta a Florença.

Vincenzo Perugia roubou a Mona Lisa em 1911 / Crédito: Wikimedia Commons

 

Com o da pintura, a especulação sobre o real motivo do roubo continuou. Quando foi revelado que Perugia contou com a ajuda de Eduardo de Valfierno, um conhecido falsificador de arte, as pessoas começaram a teorizar que a Mona Lisa foi roubada para que cópias da pinturas pudessem ser realizadas e vendidas para os colecionadores inconscientes.


10. Mona Lisa estava doente

Quando estava na fila do Louvre para ver a Mona Lisa em 2018, O doutor Mandeep R. Mehra associou a pele pálida, os cabelos ralos e o sorriso desalinhado da mulher com uma doença glandular.

Mehra, que trabalha como diretor no Centro Cardíaco e Vascular do Hospital Brigham and Women, declarou que teve dificuldade de apreciar a arte em concorrência do seu olhar aguçado para diagnósticos clínicos.

Ele observou a presença de uma pequena protuberância carnuda no canto interno do olho esquerdo, uma linha capilar fina e rala, a falta de pelos nas sobrancelhas e uma protuberância ao lado do dedo indicador. Juntamente com a pele amarela e o inchaço no pescoço indicaria um aumento da glândula tireoide, ele sugeriu que o sorriso estranho dela teria sido causado por fraqueza muscular.

Doutor Mandeep R. Mehra / Crédito: Brigham and Women Hospital

 

Assim, o especialista chegou à conclusão de que Mona Lisa sofria de uma condição chamada hipotireoidismo, na qual os sintomas apareciam em destaque no retrato de Da Vinci. Mehra aprofundou sua investigação sobre as condições históricas em torno da dieta da mulher e descobriu que os alimentos deficientes em iodo eram comumente consumidos no início do século 16. Como o elemento é um nutriente essencial no papel de manter a saúde da tireoide, o mistério do sorriso curioso de Mona Lisa pode ter ganho uma outra teoria.


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