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Segredos do Egito Antigo: Pesquisadores revelam o mais antigo manual sobre mumificação

Uma egiptóloga identificou uma parte de um manuscrito de 3.500 anos que revela raros detalhes sobre o procedimento

Isabela Barreiros, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 25/03/2021, às 08h55

Parte do Papiro Louvre-Carlsberg
Parte do Papiro Louvre-Carlsberg - Divulgação/The Papyrus Carlsberg Collection - University of Copenhagen

Embora a mumificação seja um procedimento amplamente conhecido até os dias de hoje, o modo com que os egípcios realizavam esse processo ainda apresenta algumas lacunas. Até pouco tempo, como relatou a Exame, egiptólogos contavam com apenas dois textos sobre o tema.

Isso mudou no mês passado quando a egiptóloga Sofie Schiødt, da Universidade de Copenhagen, percebeu que um papiro de 3.500 anos contava com uma parte interessante: ele apresentava um raro manual para a mumificação de corpos.

O manuscrito em questão já era analisado por pesquisadores, sendo que metade está no Museu do Louvre em Paris e a outra parte pertence à coleção Papiro Carlsberg da Universidade de Copenhague Coleção. Isso fez com que ele fosse batizado como Papiro Louvre-Carlsberg.

Como informado em um comunicado da universidade, Schiødt estudou o manual para desenvolver sua tese de doutorado, que foi defendida em fevereiro deste ano e deve ser publicada em uma revista científica no futuro.

O manual para mumificação

Segundo os arqueólogos envolvidos no projeto, este é o manual sobre mumificação mais antigo já identificado no mundo, datando de 1450 a.C. A partir do manuscrito, é possível entender detalhes de como os egípcios realizavam o processo, contendo ainda algumas dicas.

"Muitas descrições de técnicas de embalsamamento que encontramos neste papiro foram deixadas de fora dos dois manuais posteriores e as descrições são extremamente detalhadas”, disse Schiødt, como relata o portal da Universidade de Copenhague.

Ilustração de corpo sendo mumificado / Crédito: Divulgação/Ida Christensen - The Papyrus Carlsberg Collection, Universidade de Copenhagen

 

“O texto parece um auxiliar de memória, de modo que os leitores pretendidos deveriam ser especialistas que precisavam ser lembrados desses detalhes, como receitas de unguentos e uso de vários tipos de curativos. Alguns dos processos mais simples, por exemplo a secagem do corpo com natrão, foram omitidos do texto", explicou.

Como a prática da mumificação geralmente era repassada de maneira oral, o que deixou poucos recursos escritos sobre como isso era feito, a descoberta mostrou-se ainda mais relevante. O manuscrito apresentou, inclusive, ingredientes usados para o procedimento. 

“Obtemos uma lista de ingredientes para um remédio que consiste principalmente em substâncias aromáticas de base vegetal e aglutinantes que são cozidos em um líquido, com os quais os embalsamadores revestem um pedaço de linho vermelho”, contou a egiptóloga.

Esse linho vermelho seria, então, aplicado no rosto do indivíduo e funcionava como uma espécie de “casulo protetor de matéria perfumada e antibacteriana”. Segundo a pesquisadora, inúmeras múmias do mesmo período do manual continham a face coberta por tecido e resina, o que apoia o escrito. 

Procedimento longo

O manual revelou aspectos gerais sobre a mumificação, como seu tempo de duração. Schiødt explica que o procedimento de embalsamamento levaria por volta de 70 dias, sendo realizado em duas etapas. A secagem e embalagem geralmente duravam 35 dias cada uma.

“Uma procissão ritual da múmia marcou esses dias, celebrando o progresso da restauração da integridade corporal do falecido, totalizando 17 procissões ao longo do período de embalsamamento”, elucidou. “Entre os intervalos de quatro dias, o corpo era coberto com um pano e coberto com palha infundida com aromáticos para afastar os insetos e necrófagos”.

De maneira geral, os responsáveis pela mumificação primeiro retiravam os órgãos do corpo, o desidratavam com o uso do sal e aplicavam substâncias aromáticas e óleos no cadáver. Depois disso, ele era preenchido com serragem e plantas secas, logo sendo envolvido com até 20 camadas de tiras de linho engomado.

Depois de todo esse processo, o corpo mumificado era levado para onde ficaria para a eternidade, em um caixão. A partir disso, rituais funerários eram realizados no local para garantir a vida após a morte do falecido.


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