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Skoptsy: os seguidores de uma seita russa que acreditavam que a castração os salvariam do inferno

Em nome de Cristo, os membros executavam métodos extremos de salvação, como a mutilação genital total do corpo humano

Caio Tortamano Publicado em 12/01/2020, às 09h00

Os seguidores da seita Skoptsy
Os seguidores da seita Skoptsy - Divulgação

Os seguidores da seita Skoptsy, que existiu durante o czarismo russo, podem ser comparados ao fanáticos religiosos do Cristianismo Ortodoxo no país. Acreditando tanto em santos e pecadores, céu e inferno, lembravam os seguidores de Jesus Cristo que conhecemos hoje. Todavia, um detalhe, mínimo, os separa: eles eram castrados.

De acordo com os membros da seita, foi dessa maneira que Jesus conseguiu perdoar os pecados existentes ao redor do mundo. Kondraty Selivanov, fundador dos Skoptsy, era um fervoroso fiel que acumulou aproximadamente 1 milhão de seguidores.

A castração não é um processo exclusivo dos russos. A origem remete uma interpretação do evangelho de Matheus, capítulo 19, versículo 12: “Porque há eunucos que assim nasceram do ventre da mãe; e há eunucos que foram castrados pelos homens; e há eunucos que se castraram a si mesmos, por causa do reino dos céus. Quem pode receber isto, receba-o.”.

Teoricamente, com 144.000 fiéis eles conseguiriam fazer com que Jesus retornasse. Era o suficiente para atrair crianças e prisioneiros para aderir a seita. O ritual que marcava a entrada era chamado de "O Selo", onde fieis "selavam" a fé em Deus removendo partes dos órgãos sexuais.

Homens menos corajosos poderiam arrancar apenas o saco escrotal, enquanto os mais fervorosos cumpriam o Grande Selo, e retiravam também o pênis. As mulheres removiam os seios e as genitálias eram cruelmente mutiladas.

Seguidores Skopty mutilados / Crédito: Wikimedia Commons

 

O líder

Por mais que a seita fosse descrita como a epifania de um louco, a capacidade dos fundadores dos Skoptsy em liderar um grupo tão grande, a ponto de convencê-los a removerem órgãos fundamentais do corpo humano, era impressionante.

Selivanov era apenas membro dos Khlisti, um segmento da Igreja Ortodoxa que se recusava a aceitar as reformas da religião. Eles não comiam carne, não bebiam e nem xingavam, além de não praticarem atos sexuais, claro.

Kondraty Selivanov / Crédito: Reprodução

 

Mas os ideais do fundador da seita eram extremos. Ele considerava-se uma espécie de Novo Cristo. Acreditando que se escapassem da luxúria, viveriam para sempre. Os três fundadores originais (incluindo Selivanov) se auto castraram e mutilaram outras dezenas de convertidos.

Os adeptos eram constantemente exilados para a Sibéria, mas com isso voltavam cada vez mais numerosos. Em 1817, Selivanov foi preso e enviado para uma espécie de sanatório, no qual ficou até sua morte.

Mesmo com o falecimento do líder, a seita cresceu e se consolidou na Rússia, muito por conta de sua pureza ideológica. Os Skoptsy prometiam a vida eterna, acreditando que o sexo era um pecado, se castrando por acreditar que era a única forma de alcançar o céu.

O frenesi de seus preceitos durou até o ínicio do governo de Stalin, que passou a reprimir manifestações religiosas durante a década de 1930. Considerados não-soviéticos, o número dos Skoptsy foi gradualmente diminuindo até praticamente deixarem de existir.


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