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Sex Pistol atrás das grades: Sid Vicious e o crime que abalou o punk rock

O músico foi considerado culpado pela morte de Nancy Spungen, mas o assassinato deixou lacunas que seguem sem respostas

Fabio Previdelli Publicado em 28/03/2020, às 09h00

Foto de Sid Vicious em show dos Sex Pistols
Foto de Sid Vicious em show dos Sex Pistols - Wikimedia Commons

John Simon Ritchie era a personificação do punk hardcore dos anos 1970. O magro jovem britânico, mais conhecido pelo público como Sid Vicious, tinha muita atitude que, mesclada com o abuso do uso de bebidas alcoólicas e um escárnio único, era sua marca registrada.

Em um mundo mais perfeito, sua reivindicação à fama seria como ex-baixista e vocalista da banda de punk rock Sex Pistols. Mas a realidade não era assim, o músico ficou marcado por ser um viciado em heroína e por ser o assassino de sua namorada: Nancy Spungen — embora muitos discordem disso. 

Sid Vicious e os Sex Pistols

Entre uma aventura sexual e outra, Sid também também se aventurava no entra e sai de bandas — e de terapias para conter seus pensamentos suicidas. Neste meio tempo, o empresário Malcolm McLaren fundava o Sex Pistols.

Sex Pistols durante um show / Crédito: Wikimedia Commons

 

John Lydon, também conhecido como Johnny Rotten, era amigo de colégio de Sid e foi o vocalista do grupo ao lado do guitarrista Steve Jones, do baterista Paul Cook e do baixista Glen Matlock. Porém, quando este último saiu da banda, Vicious foi o convidado para preencher a lacuna.

Porém, a trajetória de Sid com o grupo durou relativamente pouco. As coisas desmoronaram durante a primeira e única turnê americana da banda, em 1978. Neste período, seu consumo de heroína crescia a cada dia.

Ele também se envolveu em algumas polêmicas violentas com os fãs: como quando bateu na cabeça de um deles com um baixo. Então, ele decidiu embarcar em uma carreira solo com uma nova gerente; uma figura importante que já estava em sua vida.

O envolvimento com Nancy Spungen

Em 1975, um adolescente de 17 anos da Filadélfia chamado Nancy Spungen migrou para a cidade de Nova York. O comportamento grosseiro e combativo da jovem não conquistou muitos amigos verdadeiros por lá. Ao longo de alguns anos, as únicas pessoas que ainda se confraternizaram com Nancy foram os músicos que conseguiam suas drogas com ela — entre eles, é claro, estava Sid Vicious.

Os dois se conheceram em 1977, e o restante dos Pistols não tinham nenhum apreço por ela — inclusive, eles a proibiram de acompanhá-los durante a turnê. Mas com a saída de Sid, os dois se esconderam no Chelsea Hotel, em nova York, onde Vicious se preparava para sua carreira solo — Spungen atuaria como empresária.

Em 12 de outubro de 1978, Nancy Spungen foi encontrada morta no chão do banheiro do quarto 100 que ela dividia com Vicious no Chelsea Hotel. A causa: sangramento interno devido a uma ferida de faca na parte inferior do abdômen.

O crime e seus mistérios

Vicious supostamente a encontrou e ligou para a recepção para pedir por ajuda. "Vicious, que foi encontrada vagando pelos corredores em um estado agitado, foi preso e acusado de ser o assassino”, informou um jornal à época. "Embora ele tenha inicialmente confessado o crime, mais tarde o negou, alegando que estava dormindo quando ela morreu”.

Sid Vicious e Nancy Spungen / Crédito: Divulgação

 

Na madrugada que antecedeu o crime, houve uma festa particular para dez pessoas no local. Pessoas que participaram do evento afirmam que viram Sid dopado de Tuinal, um remédio antidepressivo, estirado em sua cama. Enquanto isso, Nancy recepcionava os convidados.

Um desses participantes teria sido a pessoa que traficava Tuinal para os dois. Apesar das contradições, ninguém sabe exatamente o que aconteceu naquela noite quando eles supostamente ficaram sozinhos.

Quando a polícia e uma ambulância chegaram ao local, às 10h45, Nancy já estava sem vida no banheiro, agachada perto da pia. Próximo dela havia uma faca, que não foi a mesma usada para o delito.

Vicious morreu de overdose dois meses depois, em 2 de fevereiro de 1979, assim como o caso. A polícia decidiu encerrar as investigações com a morte do músico — que foi considerado culpado.

Mas o crime deixou algumas lacunas: uma delas é que Sid estava chapado demais para ser capaz de matar alguém; outra é que algumas testemunhas consideradas essências para as investigações jamais foram investigadas.

Outro ponto é que seis digitais foram encontradas no apartamento, mas que nenhumas delas estava na arma do crime — por que uma pessoa limparia seus rastros sem se dar ao trabalho de esconder o corpo?

Um último questionamento foi levantado no documentário Who Killed Nancy, de 2009. A produção sugere que o homem que traficava drogas para o casal, conhecido como Michael, sabia que os dois tinham muito dinheiro no apartamento. Assim, ele decidiu roubá-los, mas foi flagrado por Nancy. Ele teria a matado e fugido com toda a grana — nenhum centavo foi achado no local. Michael também estava muito sorridente quando deu a notícia da prisão de Sid para amigos. Ele jamais foi visto outra vez.


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