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Quando a suástica nazista se tornou o ápice da moda punk

Os próprios punks, como a cantora e produtora Siouxsie Sioux, explicaram a razão

Paula Lepinski Publicado em 26/11/2018, às 09h00

Entenda o motivo
Reprodução

Na imagem acima, Sid Vicious, baixista do Sex Pistols, com a namorada Nancy Spungen. Um detalhe na foto logo chama atenção: a suástica nazista estampa a camiseta de Sid. E a pergunta que vem à cabeça é: Por quê?

O punk britânico surgiu para chocar. Cabelos espetados, jaquetas de couro com rebites, mensagens estampadas nas roupas, piercings , coturnos, pins, alfinetes e correntes, valia tudo para não parecer com a geração anterior, dos hippies, cujas ideias já haviam sido tão deglutidas pelo mainstream que âncoras de TV podiam se apresentar com cabelos longos.

Exibida em faixas, camisetas destruídas e até pinturas no rosto, a suástica se tornou parte da cultura punk no início do movimento. Mas, juram os punks, a intenção não era alienar judeus ou difundir uma mensagem antissemita. Ou não para maioria deles.

“Era algo anti-mães e anti-pais. Nós odiávamos pessoas mais velhas martelando sobre Hitler, ‘Nós mostramos para ele’, e aquele orgulho presunçoso. Era um jeito de ver alguém assim ficar completamente vermelho de indignação”, afirmou a cantora Siouxsie Sioux, um dos maiores ícones da época e da década seguinte.

Siouxsie And The Banshees Reprodução

Sid Vicious, do Sex Pistols, também exibia o símbolo nazista como um ato de rebeldia, sem nem passar perto de seus ideais – aliás, a sua namorada, Nancy Spungen, era judia.

O guitarrista Marco Pirroni, que trabalhou com Siouxsie e, mais tarde, Sinéad O'Connor, falou sobre o assunto em 2002. “A gente estava tentando parecer decadente e imperfeito a ponto de irritar todo mundo, até os nazistas. A gente não era nazista ou tinha alguma tendência política. A gente não tinha problemas com judeus, paquistaneses, gays, ou qualquer grupo, a gente só odiava todos que viviam em um mundo certinho.”

Mas poucos entendiam isso, tanto que a Frente Nacional Britânica, partido político de orientação ultra direitista e racista, tentou recrutar jovens membros do movimento punk na década de 70.

Foi quando surgiu o estilo Oi! (com exclamação mesmo). Eram skinheads – jovens de classe trabalhadora que até então ouviam sons da jamaica e, porque não podiam trabalhar com cabelos da moda, os raspavam. E, absolutamente, nem todos os skinheads eram supremacistas brancos. Mas alguns eram, e a imagem do neonazista careca estaria sempre associada ao Oi!

Isso fez com que os demais punks buscassem se distanciar de qualquer ligação com o nazismo. Surgiu o Rock Against Racism e o Anti Nazi League -– com membros entre os skinheads. A "brincadeira" com suástica ficaria para trás.