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Sexo casual na corte: a desastrosa vida íntima de Dom Pedro I

Antes mesmo de negligenciar seu casamento, os casos do primeiro imperador brasileiro já haviam resultado em polêmicas na Corte

André Nogueira Publicado em 17/03/2020, às 12h59

Dom Pedro I em pintura oficial
Dom Pedro I em pintura oficial - Wikimedia Commons

Dom Pedro I foi uma figura que dividiu seu protagonismo entre o Brasil e Portugal, criando famas e legados completamente diferentes entre os países. De déspota autoritário e infantil a grande líder militar e guerreiro da liberdade e da Constituição, tendo governado o Brasil (proclamado a independência e outorgado uma Carta Magna) entre 1922 e 1831, o Bragança guarda em sua trajetória diversas polêmicas.

Muito mais do que em Portugal, no Brasil a principal fama de D. Pedro I é a de mulherengo irresponsável, um homem de muitas amantes e uma vida sexual agitada e promíscua. No país de origem do monarca, ele ainda é conhecido como importante rei e militar patriota. Mas, é claro, os portugueses descobriram algumas verdades sobre o jovem soberano.

Para o público leigo, um momento importante na chegada dessa informação ocorreu com a publicação do livro 1822, do jornalista brasileiro Laurentino Gomes. A obra, que é uma espécie de biografia do Proclamador da Independência, revela alguns dos casos amorosos extraconjugais de Pedro.

Pedro I e Leopoldina / Crédito: Wikimedia Commons

 

O livro-reportagem brasileiro foi o pontapé inicial para que o historiador português Eugênio dos Santos fosse atrás da vida íntima do Imperador para, em suas palavras “invadir a privacidade de D. Pedro”. Ele se propôs a deixar “de lado o político, o administrador, o militar” para “desvendar o homem, às vezes de um modo cruel, fornecendo ao leitor intimidades e gritos de alma que somente os íntimos deveriam conhecer”.

Desa investigação nasceu o livro D. Pedro – Imperador do Brasil e Rei de Portugal, de onde as aspas foram tiradas. Nele, Santos destrincha a vida íntima de Pedro e prova que ela foi muito mais descontrolada e bizarra do que se conhecia. Para tanto, ele fez uma vasta pesquisa de arquivo em busca de cartas dew seu círculo interno da Corte do Rio de Janeiro, onde governava.

Muitas dessas fontes apontavam informações íntimas da vida sexual e das afeições amorosas do Imperador brasileiro, mesmo que apresentadas da forma requintada e rebuscada, como foi preservado após os esforços editoriais da Cátedra Jaime Cortesão (Departamento de História-USP).

Imperatriz Leopoldina / Crédito: Wikimedia Commons

 

Um exemplo de carta trabalhada revela como a agitação sexual de Pedro era perigosa: uma anotação de Maria Graham, amiga britânica de Leopoldina, esposa de Pedro, registram o romance entre ele e uma dançarina francesa, fato que poderia ter destruído as relações diplomáticas entre Portugal e Áustria e, assim, impedido o casamento que resultou no primeiro Casal Real do Brasil. Pedro vivia com a Noémia Thierry em casa, chamando-a de esposa.

O caso só foi resolvido com a intervenção direta da consorte Carlota Joaquina, que era muito distante do filho mais velho, para a resolução daquela crise nas articulações políticas do reino. A rainha teria abordado Noémie no palácio de São Cristóvão e a subornado para deixar o herdeiro e viver lá com o bastardo que gestava. O garoto nasceu morto em Recife, pouco tempo depois.

Então, Pedro passou a se relacionar com a irmã da antiga namorada, enquanto lhe era prometido uma esposa (de origem alemã, bela e de olhos azuis). Porém, quando Pedro viu Maria Leopoldina e a considerou "feia", passou a perambular pelo reino em busca de moças bonitas que lhe concedesses o famoso Amor Erótico, do qual ele era um admirador.

Nas idas e vindas, ele conheceu Domitila de Castro Canto e Melo, aquela que se tornaria Marquesa de Santos e coautora do “mais escabroso capítulo da vida amorosa do primeiro imperador do Brasil”, segundo Santos. A ela, Dom Pedro mandava cartas eróticas e concedia apelidos. Pelas relações com o monarca, ela se tornou muito poderosa e influente, ao mesmo tempo em que difamada.

Marquesa de Santos / Crédito: Wikimedia Comons

 

Uma das consequências desses atos, que eram consideravelmente públicos, é o fato de que Leopoldina, uma mulher letrada, inteligente e astuta, tornou-se deprimida e marga. Deixada de lado pelo marido, ela morreu cedo e fundamentou uma desavença histórica entre os austríacos e os portugueses.

Os casos íntimos também dificultaram que a Coroa Brasileira encontrasse uma nova nobre que se casasse com o Bragança, dado sua fama de mulherengo. Para que os votos de Amelia, sua segunda esposa, fossem consumados, ele teve que abrir mão do caso com a Marquesa e seus filhos.


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