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Carreira meteórica: Tonya Harding, a patinadora acusada de conspirar contra sua rival

Em 1994, Nancy Kerrigan foi atacada com uma barra de metal depois de seus ensaios. O delito arquitetado pelo ex-marido de Harding fez com que a carreira de patinadora da mulher decaísse completamente

Isabela Barreiros Publicado em 19/10/2019, às 08h00

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Tonya Harding nasceu em uma família pobre em Portland, Oregon, nos Estados Unidos. Além da falta de dinheiro, ela não teve uma infância fácil. Sua mãe, LaVona Golden, ao descobrir o talento da menina para a patinação, passou a pressioná-la e os abusos tornaram-se cada vez mais frequentes na vida de Harding.

Com apenas três anos, a garota começou a treinar patinação artística. Desde então, ela já demonstrava aptidão para o esporte e os maus tratos tornaram-se rotina.

"Ela [minha mãe] dizia que eu era gorda e feia, me arrastava para fora da pista, me batia com uma escova de cabelo, com um cabide e na frente de todo mundo. Teve um momento em que minha treinadora disse 'se você tocar nela de novo, nós vamos te denunciar’”, disse Harding em entrevista à Oprah, em 2009. "Eu gostaria de ter tido uma vida mais estável", completou.

Mas ela ainda sofreria nas mãos de outra pessoa. Em 1990, a patinadora casou-se com Jeff Gillooly, aos seus 20 anos. O casamento dos dois não era o que se pode considerar saudável em uma relação. Harding dizia que Gillooly era manipulador e a agredia tanto física quanto verbalmente.

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Crédito: Getty Images

 

Segundo a biografia The Tonya Tapes, escrita por Lynda Prouse, a patinadora havia pedido ordens de restrição contra Gillooly. No entanto, ele não obedecia às limitações e ela também alegou que "a polícia não fazia nada a respeito".

O famoso episódio

Foi em 1994 que aconteceu um dos maiores dramas da patinação artística. Depois de Nancy Kerrigan, umas das maiores rivais de Tonya Harding, ser atacada com um bastão de metal após o treino, Harding tornou-se uma das principais suspeitas do crime.

O ato foi arquitetado pelo, já na época, ex-marido da patinadora, Jeff Gillooly e seu guarda-costas Shawn Eckhardt. Eles contrataram Shane Stant para executar o ataque, no intuito de tirar Kerrigan da Olimpíada de Inverno daquele ano.

A ação não foi tão bem sucedida como eles esperavam, porque a mulher ainda conseguiu participar da competição. O que se revelou, no entanto, foi a conspiração contra a patinadora, deixando, para muitos, Harding como a “vilã” na história.

Mesmo que não houvesse provas da sua participação no crime, a primeira estadunidense a executar o “triple axel”, um giro triplo no ar, foi prejudicada pelo acontecimento. Ainda hoje não é possível determinar o nível de colaboração dela.

Crédito: Getty Images

 

A patinadora ainda admitiu para a justiça ter obstruído informações sobre o ataque cometido pelo seu ex-marido. Ela sabia quem estava por trás do delito, mas não avisou as autoridades. Depois disso, a carreira dela praticamente acabou.

Após sua associação com o crime e a revelação à justiça, Harding parou de patinar. Ela ainda teve uma carreira muito rápida no boxe. Com o apelido Bad Girl (garota má, em português), participou de poucas lutas e acabou deixando o esporte.


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