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Tragédia e canibalismo: a caravana que levou seus membros ao limite da sobreviência

Em meados de 1840, as famílias Donner e Reed formaram um grupo com mais de 80 pessoas e rumaram para o oeste dos Estados Unidos em uma viagem sem volta

Pamela Malva Publicado em 27/04/2020, às 10h30 - Atualizado às 10h48

Representação da Caravana Donner
Representação da Caravana Donner - Divulgação

No começo da década de 1840, os Estados Unidos passaram por um processo de expansão nunca antes visto. Assim, em busca de novas faixas de terra e melhores condições de vida, diversas famílias passaram a migrar para estados à oeste do país.

Deu-se início, então, ao fenômeno conhecido como A Marcha para Oeste. Nos anos que se passaram, centenas de famílias rumaram em direção aos territórios de Oregon e Califórnia, em um trajeto de 4 mil quilômetros.

A rota preferida das caravanas era a Trilha do Oregon, que demorava de quatro a seis meses para ser percorrida. As famílias subiam em carroças aos montes e começavam sua odisseia, viajando cerca de 24 quilômetros por dia.

Em meio ao frio e à neve, foi essa a ideia das caravanas das famílias Reed e Donner. Juntos, em um comboio de nove carroças e 32 membros, os grupos partiram de Independence no dia 12 de maio. Mas a viagem não saiu como o esperado.

A família Reed / Crédito: Divulgação

 

Em busca de uma vida melhor

O grupo inicial, com os mais de 30 membros, era liderado por George e Jacob Donner e James F. Reed, um irlandês. Todos estavam acompanhados das esposas, dos filhos, enteados e alguns empregados e condutores.

Uniram-se a um grupo de 50 carroças e, assim, iniciaram sua trajetória de Independence e seguiram o caminho percorrido pela grande maioria das famílias pioneiras. Em 20 de julho, após dois meses caminhando, entraram em um impasse.

Metade do enorme grupo decidiu seguir pelo caminho conhecido, via Fort Hall. O outro grupo, no entanto, liderado pelos irmãos Donner e por Reed, decidiu seguir o atalho estabelecido por Hastings, um outro pioneiro.

O começo do pesadelo

Apesar de elegerem um novo líder, o experiente George Donner, as famílias ainda enfrentavam uma grande dúvida. Deveriam seguir pelo atalho de Hastings, mesmo com todos os avisos de perigo?

A rota, de fato, parecia perigosa. Todavia, segundo o pioneiro que a definiu, o trajeto lhes economizava algumas semanas e várias milhas em comparação ao caminho original. Não houve mais dúvidas. Seguiram pelo atalho perigoso, mas rápido.

Com a chegada de mais uma família, a caravana contava com 87 membros e cerca de 80 carroças. Em pouco tempo, no entanto, descobriram que o terreno não seria fácil para percorrer, ainda mais com o grande número de indivíduos presentes. 

Ilustração representando a Caravana Donner / Crédito: Wikimedia Commons

 

O atalho do terror

Durante o trajeto, homens e mulheres passavam fome ou sede, e até alguns partos foram feitos nas condições insólitas. Grande parte dos suprimentos estava acabando e algumas famílias abastadas já não tinham mais o que comer.

A caravana demorou duas semanas para atravessar uma floresta e, quando já estavam começando a questionar a escolha feita, se depararam com o Deserto do Grande Lago Salgado. Composto por uma planície de sal branco, o ambiente era bastante inóspito.

No deserto, as famílias enfrentaram dias terrivelmente quentes e noites de ventos gelados. As carroças atolavam em uma mistura de sal e umidade e grande parte dos animais se perderam, foram abandonados ou fugiram de sede.

Em 26 de setembro, dois meses após terem rumado pelo atalho, os pioneiros reencontraram a trilha tradicional ao longo do Rio Humboldt. No final, estima-se que o atalho tenha atrasado os Donner e Reed em aproximadamente um mês.

O Atalho de Hastings / Crédito: Divulgação

 

As coisas começam a dar errado

Àquela altura do campeonato, as famílias já estavam brigando por coisas ínfimas e fugiam de uma nevasca iminente. Cansados, no entanto, optaram por enfrentar o inverno em um acampamento no Lago Truckee.

No assentamento, membros começaram a enfraquecer, homens morreram pelo frio e outros tiveram sintomas de hipotermia. Confusos e com fome, os sobreviventes não encontraram outra saída que não fosse o canibalismo, e fizeram o possível para que não tivessem de consumir a carne dos seus parentes. 

Após meses de pura insanidade e condições que realmente os levaram aos seus limites, o grupo sobrevivente foi resgatado por forças norte-americanas. Dos 87 integrantes que iniciaram o trajeto, apenas 48 sobreviveram.

George e Jacob Donner faleceram e somente as famílias Reed e Breen chegaram intactas ao destino. Nenhum adulto com mais de 49 anos sobreviveu e mais de 34 pessoas da caravana morreram entre dezembro de 1846 e abril de 1847.

O episódio foi considerado um processo de seleção natural por alguns estudiosos, enquanto outros apenas conseguiam enxergar a tragédia por trás da viagem. Em 1927, o Estado da Califórnia ergueu o Donner Memorial State Park, em homenagem aos mortos na marcha em busca por uma vida melhor.


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