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Veja 6 palavras preconceituosas que deveriam sair da nossa rotina

Confira uma lista de termos que estão ultrapassados para a nossa época, reforçando ainda preconceitos do passado

Ingredi Brunato, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 14/02/2021, às 09h00 - Atualizado em 16/02/2021, às 14h32

Imagem meramente ilustrativa
Imagem meramente ilustrativa - Imagem de Aventuras na História

A sociedade brasileira passa atualmente por um movimento de conscientização, mostrando-se cada vez mais preocupada com a maneira injusta e ofensiva como certos grupos foram tratados ao longo da História.

Os longos anos de escravidão por aqui, por exemplo, deixaram marcas profundas em nossa história, que reverberaram através das décadas e afetam a comunidade negra até hoje. 

Pessoas com orientações sexuais que fogem à heterossexualidade ou que possuem uma aparência que não é compatível com as normas de gênero também foram alvo de escrutínio por muito tempo. 

Outras formas de desvio do que é considerado “normal”, ainda, como deficiências físicas e mentais, assim como pessoas com corpos fora do padrão, tampouco foram poupadas. Felizmente, isso tem mudado - mas ainda existe muito trabalho pela frente.

Uma das maneiras de reparar o preconceito histórico que esses grupos sofreram é nos desfazendo de certas porções de nossa linguagem que, embora pareçam comuns, possuem significados desrespeitosos.

Para isso, preparamos uma pequena lista para você não errar mais. 

1. Mulato 

Essa é uma palavra que costuma ser usada para referir-se a pessoas que são descendentes tanto de brancos quanto de negros, tendo como resultado traços e cor de pele que estão em um 'meio-termo' entre as duas raças.  

Todavia, esse termo tem origem ofensiva, como pode se verificar a partir de seu radical 'mulus', que vem do latim e significa “animal híbrido, estéril, produto do cruzamento do cavalo com a jumenta, ou da égua com o jumento”. As informações foram repercutidas pela Revista Galileu em 2020. 

A palavra usada para cavalos mestiços passou a ser aplicada para os filhos de senhores de escravos com mulheres escravizadas no período colonial.

Essas crianças costumavam ser fruto de estupros, de forma que 'mulato' acaba trazendo a herança desse período de grande violência sendo infringida contra negros. 

Senzala brasileira do século 19 / Crédito: Wikimedia Commons

 

2. Retardado 

'Retardado' surgiu em referência àqueles que sofrem de deficiência mental, todavia, rapidamente ganhou um caráter pejorativo, de insulto à inteligência do outro.

Hoje, o melhor é evitar esse termo completamente, uma vez que ele retrata a deficiência como algo humilhante, assim reforçando estigmas relacionados ao grupo que precisa lidar com a condição. 

3. Homossexualismo 

'Homossexualismo' dá a impressão de ser um nome de doença por conta do uso do sufixo 'ismo', que costuma ser utilizado na língua portuguesa para se referir à patologias. Isso torna o termo ofensivo, uma vez que no passado a sociedade já tratou pessoas homossexuais como doentes, tentando 'corrigir' sua orientação sexual - algo que obviamente não tem cura. 

A problemática prática da terapia de conversão, por exemplo, ainda é aplicada nos dias de hoje em alguns lugares, em geral mostrando-se uma experiência traumática para aqueles que são obrigados a passar pelo procedimento.

Para evitar problemas, a palavra certa nesse caso é 'homossexualidade'. 

Bandeira LGBT / Crédito: Divulgação/ Pixabay 

 

4. Judiar 

'Judiar' é usado como um sinônimo de 'maltratar', porém nesse caso o melhor mesmo é só usar essa segunda palavra, e tirar a primeira do vocabulário.  

Isso porque o termo alude aos horrores sofridos pelos judeus durante o Holocausto, e não existe motivo aplicar uma palavra que faz referência a um passado tão doloroso em situações do dia a dia. 

5. Denegrir 

Esse é outro exemplo em que um sinônimo é preferível: difamar, por exemplo, ou então caluniar. Isso porque 'denegrir' tem o sentido de “tornar negro, fazer escuro”, trazendo a negritude como algo negativo.

Assim, embora pareça inofensiva à princípio, essa é uma palavra com implicações racistas e ultrapassadas. 

6. Da cor do pecado 

Essa expressão é usada para falar de alguém com cor de pele negra, contudo, associar o traço com 'pecado' não dá caráter ético para o termo.

Mulheres negras foram historicamente hiperssexualizadas, e infelizmente, essa é uma expressão que apenas reforça essa ideia, portanto, tendo também um tom racista.


**Errata: Por um erro técnico, os nomes presentes nos tópicos presentes na matéria acabaram não sendo exibidos para os leitores. O problema foi corrigido.