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Manual escrito na Idade Média sobre "caça às bruxas" é lançado no Brasil

O martelo das feiticeiras, foi redigido por Heinrich Kramer e James Sprenger durante o período da Inquisição

Victória Gearini Publicado em 26/10/2020, às 19h33

Ilustração de uma mulher sendo executada por bruxaria
Ilustração de uma mulher sendo executada por bruxaria - Divulgação

Relançado este mês pela Editora Rosa dos Tempos, a obra O martelo das feiticeiras, também conhecido como Malleus maleficarum, foi escrito no século 15 durante período da "caça às bruxas" na Idade Média. Redigido por Heinrich Kramer e James Sprenger, a obra trata-se de um manual sobre a época que perseguiu mulheres consideradas “bruxas”.

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Obra O martelo das feiticeiras (2020) / Crédito: Divulgação / Editora Rosa dos Tempos

Com a invenção da imprensa, o livro se difundiu pela europa e seus ensinamentos fizeram sucesso entre os perseguidores de hereges, entre os séculos 16 e 17. O manual foi usado pelos tribunais seculares e acredita-se que tenha sido o responsável pela morte de mais de 100 mil pessoas, sendo, em sua grande maioria, mulheres.

Por pelo menos quatro séculos, este manual foi utilizado pela Inquisição para identificar e julgar “bruxas”. A obra foi escrita pelos inquisidores Herinrich Kraemer e James Sprenger, que por meio de afirmações fantasiosas, acreditavam que a prática da bruxaria estaria relacionada à mulheres devotas ao diabo. 

De maneira sistemática, o livro apresenta as bases da misoginia e do fanatismo religioso, tornando-se modelo para persecuções penais modernas. O Malleus maleficarum, portanto, trata-se de um registro histórico, que abrange campos filosóficos e jurídicos.

Com introdução da Patrona do Feminismo Brasileiro, Rose Marie Muraro, a obra revela os alicerces presentes no manual. A especialista analisa, ainda, os preceitos que permitiram a opressão e a violência institucional contra as mulheres. Esta edição conta também com prefácio do médico psiquiatra Carlos Amadeu B. Byington.

Disponível na Amazon em formato Kindle e capa comum, a obra traduzida por Paulo Fróes, tem como objetivo mostrar as barbáries cometidas pela Igreja contra as mulheres, para que no presente tais atos não sejam repetidos. 

Confira abaixo um trecho de O martelo das feiticeiras (2020): 

“Para compreendermos a importância do malleus maleficarum é preciso ter uma visão ao menos mínima da história da mulher no interior da história humana em geral.  Segundo a maioria dos antropólogos, o ser humano habita este planeta a mais de 2 milhões de anos ponto final mais de três quartos desse tempo a nossa espécie passou nas culturas de coleta e caça aos pequenos animais. Nessas sociedades não havia necessidade de força física para sobrevivência, e nelas as mulheres possuíam um lugar central.

Em nosso tempo ainda existem remanescentes dessas culturas, tais como o povo maori (Nova Zelândia), os povos pigmeus (África Ásia e Oceania) e bosquímanos (África Central). Esses são os povos mais originários que existem e ainda sobrevivem da coleta dos frutos da terra e da pequena caça ou pesca nesses grupos, a mulher ainda é considerada um ser sagrado, porque pode dar a vida e, portanto, ajudar a fertilidade da terra e dos animais. Nesses povos, os princípios masculino e feminino governam o mundo juntos ponto final havia divisão de trabalho entre os sexos, mas não havia desigualdade a vida corria mansa e paradisíaca”. 


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Limpos de Sangue: Familiares do Santo Ofício, Inquisição e Sociedade em Minas Colonial, de Aldair Carlos Rodrigues (2011) - https://amzn.to/2MxGUjn

Nas malhas da consciência: Igreja e inquisição no Brasil, de Bruno Feitler (2019) - https://amzn.to/2XyBTxl

A última Inquisição: os Meios de Ação e Funcionamento do Santo Ofício no Grão-Pará Pombalino (1750-1774), de Yllan De Mattos Oliveira (2012) - https://amzn.to/3717afy

Para Entender a Inquisição, de Felipe Aquino (2015) - https://amzn.to/3gXU3Ac

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