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Vitrine / História do Brasil

Relembre 5 músicas famosas que criticavam a ditadura militar brasileira

Passando por artistas como Caetano Veloso e Chico Buarque, viaje no tempo e confira músicas que serviram de protesto contra o regime

Lucas Peçanha Publicado em 06/12/2023, às 17h30 - Atualizado em 16/12/2023, às 07h23

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Passando por artistas como Caetano Veloso e Chico Buarque, viaje no tempo e confira músicas que serviram de protesto contra o regime - Créditos: Reprodução/Amazon
Passando por artistas como Caetano Veloso e Chico Buarque, viaje no tempo e confira músicas que serviram de protesto contra o regime - Créditos: Reprodução/Amazon

Muitos dos jovens que estudaram o período da ditadura militar brasileira (1964-1985) se lembram das músicas compostas por diversos artistas para criticar aquela realidade, driblando as inúmeras censuras que ocorriam das mais variadas e absurdas maneiras. 

Com metáforas e jogos de palavras, a música foi o principal instrumento para tocar notas que serviram como gritos de resistência em meio a repressão. 

Ainda após as perseguições e censuras, que levaram muitos desses músicos ao exílio na época, essas composições resistiram ao tempo, e com certeza serão lembradas nos livros de história das futuras gerações. Para darmos exemplos, escolhemos seis dessas músicas que serviram de protesto para um dos períodos mais sombrios da história do país. Confira:

Cálice, de Chico Buarque e Gilberto Gil 

Uma das mais famosas de Chico Buarque e um dos maiores hinos contra a ditadura, a música foi composta em parceria com Gilberto Gil em 1973, sendo lançada apenas em 1975 diante da censura. 

Se apoiando em uma passagem bíblica, “Cálice” apresenta uma metáfora ao momento em que Jesus Cristo será crucificado no calvário, comparando com o período de angústia pela qual o povo brasileiro passava. Fazendo menção ao cálice (Destino) que Jesus pedia que o Pai afastasse dele, Chico utiliza o verbo “cale-se” na letra, aproveitando-se da paronomásia gerada pelo jogo silábico entre as palavras e induzindo o afastamento da censura imposta pelas autoridades.

A letra ainda faz um paralelo da derramação de sangue e a tortura sofrida por Jesus Cristo com as atrocidades cometidas contra a população brasileira.

O Bêbado e a Equilibrista, de Aldir Blanc e João Bosco

Escrita pela dupla e gravada por Elis Regina, a letra da música é pelo ponto de vista de um bêbado que, “trajando luto”, reflete sobre a liberdade que havia sido tirada dos brasileiros. 

Falando metaforicamente, a composição faz uma alusão a morte do jornalista Vladimir Herzog por meio da frase “Choram Marias e Clarices”. A clarice em questão faz referência a Clarice Herzog, esposa de Vladimir.

Lançada em 1979, mesmo ano em que era assinada a Lei da Anistia, a música se tornou um hino do movimento daqueles que pediam a anistia dos que foram exilados durante o período.

Pra não dizer que não falei das flores, de Geraldo Vandré

Um verdadeiro grito de guerra e um dos hinos mais cantados durante as passeatas contra a ditadura militar, a música era um chamado para a população “virar a chave” e reagir em busca de um futuro melhor para o país. Ela foi originalmente apresentada no Festival Internacional da Canção na edição de 1968, e ficou em segundo lugar para a música “Sabiá”, de Chico Buarque e Tom Jobim

Trazendo versos que relatam a forte desigualdade socioeconômica, como na frase “Pelos campos há fome/ em grandes plantações”, a grande repercussão causada após o lançamento da canção obrigou o compositor a sair do país e retornar apenas em 1973. Geraldo nunca chegou a retomar sua carreira artística após seu período de exílio.

Debaixo dos caracóis dos seus cabelos, de Roberto Carlos e Erasmo Carlos

Durante a ditadura militar, muitos consideravam Roberto Carlos um simpatizante do regime, por nunca ter-se posicionado a respeito. Em 1969, Caetano Veloso, amigo de Roberto, junto de Gilberto Gil, foram “expulsos” do Brasil após manifestarem-se contra os militares. 

Um tempo depois, Roberto teve a chance de ir visitar Caetano, e comovido com a tristeza do amigo, que sentia falta da terra natal, decidiu compor uma música em sua homenagem. O líder da Jovem Guarda precisou ser bastante cauteloso para não mencionar o nome do amigo na letra da composição, afinal, a música seria censurada caso isso ocorresse.

Em parceria com Erasmo Carlos, a música é marcada por mensagens de esperança e relatos de um homem triste e isolado em seu exílio. É possível encontrar esse sentimento no trecho "E o seu olhar tristonho/deixa sangrar no peito/Uma saudade, um sonho". O tom de protesto nunca sequer foi notado pelas autoridades, já que Roberto costumeiramente já cantava sobre amor.

É Proibido proibir, de Caetano Veloso

Caetano compôs essa música em um dos momentos mais sombrios da ditadura militar, em 1968, no mesmo ano em que era criado o Ato Institucional Número 5 (AI-5) que, dentre outras medidas, censurava previamente a cultura e a imprensa. 

A canção foi apresentada pela primeira vez na terceira edição do Festival Internacional da Canção, acompanhado pelos Mutantes. O compositor foi recebido com vaias e não pôde concluir a performance.

Inspirado por um movimento de estudantes combatendo o conservadorismo e exigindo mudanças na sociedade, ocorrido em Paris em maio de 1968, Caetano aproveitou-se de uma das frases utilizadas pelo movimento e incluiu em sua composição: “É proibido proibir”, que veio a dar nome à música.


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