Churchill acreditava em alienígenas

...e de um jeito brilhantemente avançado - é o que revela um ensaio que ele escreveu, nunca publicado, descoberto agora

Redação AH

Primeiro-Ministro tinha uma percepção muito à frente de seu tempo. E, não, não era sobre UFOs que estava falando. | <i>Crédito: Montagem sobre Getty e Shutterstock
Primeiro-Ministro tinha uma percepção muito à frente de seu tempo. E, não, não era sobre UFOs que estava falando. | Crédito: Montagem sobre Getty e Shutterstock

Winston Churchill, para quem precisa de apresentações, é o quase mítico líder do Reino Unido durante a Segunda Guerra, um dos políticos mais influentes do Século 20. Aquele que conduziu até a vitória, visto como um símbolo do espírito britânico de bravura e indiferença estoica diante da adversidade - e também de um certo charme bem-humorado.

Em 1938, ele era a voz quase solitária na oposição gritando que não havia como apaziguar Hitler e a guerra era inevitável. Mas havia outras notícias além do ditador nazista: foi nesse ano em que Orson Welles fez sua famosa adaptação de rádio para o romance A Guerra dos Mundos, de H.G. Wells, narrando uma invasão alienígena numa falsa transmissão jornalística. Muita gente levou a coisa a sério e o pânico assolou o país. O que levou a uma onda de notícias e ensaios sobre a vida fora da Terra. 

Churchill sentou-se em sua cadeira e daí tirou 11 páginas, que, não se sabe por que, nunca foram publicadas. Ele revisou o artigo em 1950, e também não saiu então. O texto acabou doado pela viúva de seu editor ao Museu Nacional Churchill, dos Estados Unidos. E ficaram pegando poeira por décadas, até que Thimothy Riley, diretor que assumiu ano passado, topou com elas e, só agora, publicou seu achado pela revista Nature. 

E o conteúdo é brilhante. Churchill praticamente previu a visão sobre vida no espaço que temos hoje em dia. 

Falou sobre a necessidade de água como solvente universal para a vida - e, ainda hoje, água é sinal para voltarmos nossos telescópios para procurar vida no local, como na lua de Júpiter, Europa. Também levantou a possibilidade de outros solventes - e cientistas hoje discutem a chance de vida baseada em hidrocarbonetos, amônia e até ácido sulfúrico. Definiu o que se chama Zona Cachinhos Dourados, a região habitável de um sistema planetário - nomeando, certeiramente, Marte e Vênus como os outros planetas em nosso sistema que estão nessa zona.

E, o mais impressionante, ele pôs em dúvida o consenso de sua época, que dizia que os exoplanetas deveriam ser raríssimos. Proposta por James Jeans em 1917, a teoria dizia que planetas só se formam quando uma estrela passa perto da outra, puxando gases com sua gravidade."Essa especulação depende da hipótese que planetas foram formados dessa maneira", escreveu. "Talvez não foram. Sabemos que existem milhões de estrelas duplas e, se elas podem ser formadas, por que não sistemas planetários?" Desde os anos 1990, sabemos que exoplanetas são extremamente comuns, com quase todas as estrelas do tipo solar sendo orbitadas por eles.

Por fim, vamos deixar claro, Churchill não acreditava em alienígenas visitando a gente, em discos voadores. Ele sabia que as enormes distâncias no espaço e as limitações impostas pela Teoria da Relatividade, que fazem com que viagens interestelares sejam uma questão de décadas, séculos e até milênios, tornam improvável que duas civilizações se encontrem. Ele afirmou que talvez nunca saberemos se os planetas "contém criaturas vivas, talvez nem mesmo plantas."

O que não quer dizer que não fosse otimista quanto a existência dessa vida. No que ele aproveitou para deixar um recado sobre seus conturbados tempos:"Eu, pelo menos, não  estou tão imensamente impressionado pelo sucesso que estamos tendo com nossa civilização a ponto de estar preparado para pensar que somos o único ponto neste imenso universo que contém criaturas vivas, pensantes, ou que somos a mais avançadas criações físicas e mentais que já apareceu na vasta bússola de espaço e tempo",


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