A Ilusão Americana: O nascimento de um império

Com A Ilusão Americana, Eduardo Prado critica a expansão dos Estados Unidos

Sergio Amaral Silva Publicado em 01/08/2008, às 00h00 - Atualizado em 23/10/2017, às 16h36

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Em 5 de dezembro de 1893, a polícia de São Paulo fez a primeira apreensão de um livro censurado desde a proclamação da República, quatro anos antes. A obra se chamava A Ilusão Americana. Seu autor, Eduardo Prado, relataria depois: “O delegado entrou pela oficina e mandou ajuntar todos os exemplares do livro, mandando-os amontoar na carroça. O burro e o delegado levaram o livro para a repartição da polícia”. Ameaçado de prisão, Prado fugiu para Paris. Seu texto era considerado subversivo porque criticava o sistema republicano. “As monarquias têm todo o interesse em adiar e evitar a grande crise do proletariado. (...) Na república (...) os homens sabem que, quer encham o seu país de benefícios, quer acumulem erros sobre erros, terão (...) de deixar o poder”.

A defesa da monarquia era coerente com a história de Prado. Filho de uma tradicional família de cafeicultores paulistas, ele era um dos maiores representantes da elite monárquica brasileira. Culto, requintado, foi amigo do escritor português Eça de Queiroz (1845-1900). Em sua última visita a São Paulo, em 1887, dom Pedro II fez questão de visitar a mãe de Eduardo, Veridiana Prado, em seu palacete, que depois seria ocupado pelo São Paulo Clube, no bairro nobre de Higienópolis. Mas, para além das críticas que irritaram a polícia do marechal Floriano, A Ilusão Americana tinha outro mérito, que só ficou claro com o passar do tempo: o livro de Prado era um dos primeiros panfletos a criticar a política externa americana. “[Em alguns] países sul-americanos, (...) há uma grande prevenção contra a política absorvente, invasora e tirânica da diplomacia norte-americana.” E nisso ele se revelaria profético.

Cinco anos depois da publicação de seu livro, os Estados Unidos venceriam a guerra contra a Espanha na região do Caribe e estenderiam seu controle sobre a América Central. Mas Eduardo não viveu para ver os americanos assumirem o papel de líderes mundiais. Ele conseguiu voltar a morar em São Paulo em 1900, apenas para morrer de febre amarela, no ano seguinte. Mas seu livro se mantém precursor da linha de pensamento que considera os americanos excessivamente intervencionistas.