Iraque e Afeganistão: o preço oculto da guerra

Conflitos do Iraque e do Afeganistão vão custar mais do que os do Vietnã e da Coréia

Guilherme Gorgulho Publicado em 01/02/2008, às 00h00 - Atualizado em 23/10/2017, às 16h36

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Os custos para a economia americana das guerras do Iraque e do Afeganistão deverão superar, em muito, a marca de 1 trilhão de dólares ao final de 2008, valor superior aos dos conflitos do Vietnã (1965-1975) e da Coréia (1950-1953) juntos. Um relatório divulgado pela oposição democrata no Congresso dos Estados Unidos intitulado “Os Custos Ocultos da Guerra do Iraque” estima que o verdadeiro preço das guerras seja quase o dobro dos 804 bilhões de dólares que a Casa Branca solicitou para operações militares até o final do ano, quando George W. Bush deixará a presidência.

Somente para o atual ano fiscal foram requeridos 196,4 bilhões de dólares para as operações militares. A presidente da Câmara dos EUA, Nancy Pelosi, é uma das críticas mais incisivas de Bush. “Com os gastos de menos de 40 dias no Iraque, poderíamos oferecer cobertura de assistência médica para 10 milhões de crianças durante um ano inteiro”, diz.

Apesar do alto gasto militar, as guerras do Iraque e do Afeganistão representam um peso financeiro proporcionalmente menor para a economia se comparadas com os conflitos anteriores. Enquanto as duas últimas significam 4,2% do Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA, a Guerra da Coréia custou 456 bilhões de dólares (12,2% do PIB) e a do Vietnã, 518 bilhões de dólares (9,4% do PIB).

Custos indiretos

O relatório da oposição inclui gastos não considerados pelos levantamentos oficiais, como a elevação do preço do petróleo, o tratamento dos feridos e os juros pagos de financiamentos às guerras. Mas mesmo com a forte oposição da opinião pública em relação ao envolvimento nos conflitos, o número de famílias americanas diretamente afetadas com mortos e feridos permanece limitado. A estratégia dos democratas é demonstrar como as intervenções militares significam um peso mesmo para as famílias não atingidas de forma direta.

“Os custos econômicos totais para os contribuintes e para a economia dos EUA como um todo vão bem além até mesmo dos valores do orçamento federal informados até o momento”, indica o documento. O relatório afirma que o conflito está desviando bilhões de dólares de “investimentos produtivos” das finanças americanas. Uma das causas seria o afastamento de reservistas do mercado de trabalho, o que representaria para os empregadores uma perda superior a 2 bilhões de dólares. A estimativa dos democratas é de que, em média, cada família com quatro pessoas tenha gasto 20 mil dólares até agora para financiar essas ações militares.