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Tragédia esquecida: 5 motivos para assistir ao documentário 'Gulag', do Curta!On

Em imagens inéditas, a produção "Gulag, a história dos campos de concentração soviéticos" narra a frieza destes complexos prisionais

Pamela Malva Publicado em 07/02/2021, às 10h00 - Atualizado às 21h19

Fotografia de prisioneiros de um Gulag trabalhando no Canal do Mar Branco
Fotografia de prisioneiros de um Gulag trabalhando no Canal do Mar Branco - Wikimedia Commons

Logo depois do fim da Revolução Russa de 1917, o Monastério Ortodoxo das Ilhas Solovetsky, no Mar Branco, foi evacuado. Foi no lugar santo que o novo regime soviético comandado por Lenin decidiu experimentar os princípios dos chamados Gulags.

Esse é o episódio que dá início ao documentário "Gulag, a história dos campos de concentração soviéticos". Criada por Patrick Rotman, Nicolas Werth e François Aymé, a obra foi produzida pela ARTE France e por Kuiv-Michel Rotman e é um dos mais recentes lançamentos do Curta!On — clube de documentários do NOW, da Claro/NET.

Com uma narrativa bastante didática, a série documental em dois capítulos define o Gulag como "um continente dentro do continente. Uma civilização perdida, difícil de penetrar”. Segundo a obra, foi nesses quase 500 complexos russos que, em 40 anos de atividade, cerca de 20 milhões de pessoas inocentes foram julgadas como criminosas.

Confira cinco motivos para assistir “Gulag, a história dos campos de concentração soviéticos”:

1. Abordagem didática

Prisioneiros trabalhando no Gulag / Crédito: Reprodução

 

Dividido em dois episódios, o documentário narra de forma detalhada o processo de criação dos Gulags. Assim, a obra ainda explica minuciosamente os contextos políticos e econômicos por trás da construção dos complexos prisionais.

Na primeira parte da produção, a narrativa traz as “origens e a proliferação” dos Gulags, desde os experimentos, até as terríveis construções nas quais os presos eram obrigados a trabalhar, entre 1918 e 1938. No segundo e último episódio, então, somos apresentados ao “apogeu e agonia” dos complexos, entre os anos de 1938 e 1957.


2. Depoimentos reais

Fotografia de Dmitri Likhatchev, um dos sobreviventes que fala no documentário / Crédito: Wikimedia Commons

 

Muito além de contar a história dos chamados Campos de Concentração soviéticos, o documentário fez questão de trazer rostos reais para a narrativa. Dessa forma, ele conta com testemunhos verdadeiros de vítimas dos Gulags. Tais depoimentos foram coletados entre 1988 e 2014, principalmente pela ‘Memorial’, uma ONG russa.


3. Imagens que falam

Imagem colorida de um Gulag / Crédito: Divulgação

 

Caso os depoimentos não fossem o suficiente para transportar o espectador da obra até a época em que tudo aconteceu, as imagens utilizadas pela produção completam o serviço. São centenas de fotos e filmagens que ilustram não apenas o dia a dia dos prisioneiros dos Gulags, como também a crueldade disseminada nos complexos.

Em um primeiro momento, o documentário apresenta a terrível Igreja da Ascensão do Senhor, um isolador disciplinar, onde ocorriam as execuções na Ilhas Solovetsky; e, em seguida, a produção mostra cada detalhe da chegada de uma nova leva de prisioneiros.


4. Verdade nua e crua

Prisioneiros nos Gulags, os campos de trabalho forçado / Crédito: Domínio Público

 

Assim como diversos outros períodos políticos da história, a criação dos Gulags foi marcada por diferentes narrativas. Na época, por exemplo, propagandas do governo mostravam os prisioneiros acenando para Stalin, enquanto ele visitava um dos campos.

O documentário, no entanto, revela que os homens presos pelo regime bolchevique trabalhavam 12 horas por dia, martelando, cortando e construindo. Sob temperaturas negativas e condições desumanas, muitos dos zeks, como eram chamados, morreram no serviço — e seus corpos foram jogados na neve, para que fossem esquecidos.


5. Documentos de um extermínio em massa

Fotografia de Ossip Mandelstam, uma das vítimas mais famosas do Grande Expurgo / Crédito: Wikimedia Commons

 

Além de narrar as histórias de Andrei Roschine, que foi levado para as Ilhas Solovetsky em 1923, de Dmitri Likhatchev, preso aos 22 anos, e de Lev Martiokhine, que ficou em um Gulag por três anos, por exemplo, o documentário ainda fala sobre um dos episódios mais terríveis do período: o chamado Grande Expurgo.

Durante o ocorrido, cerca de 750 mil cidadãos soviéticos foram mortos entre agosto de 1937 e novembro de 1938. São 50 mil pessoas por mês, 1,6 mil por dia. E como se os números não fossem o suficiente, o documentário traz fotos de diversas vítimas, todas executadas, e dos terríveis documentos que levaram aos seus assassinatos.


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