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25 anos de cárcere na própria casa: 5 fatos sobre Blanche Monnier

Em 1874, a jovem simplesmente desapareceu após encontrar um pretendente. O mistério permaneceu sem solução por décadas, até que uma curiosa denuncia surgiu

Pamela Malva Publicado em 25/07/2020, às 09h00

Fotografia de Blanche Monnier na juventude (à esq) e depois de ser liberada (à dire)
Fotografia de Blanche Monnier na juventude (à esq) e depois de ser liberada (à dire) - Domínio Público

1. Reputação

No final do século 19, Paris era lotada de famílias ricas e elegantes, que pertenciam à mais pura aristocracia. Esse era o caso dos Monnier, alguns dos membros mais conhecidos da sociedade. Com uma reputação impecável, a família era liderada por Madame Monnier, uma senhora conhecida por suas muitas obras de caridade.

Mãe de dois filhos, a matriarca era um verdadeiro exemplo para a elite parisiense e, sozinha, mandava e desmandava em sua casa abastada, cheia de empregados. Seu herdeiro, Marcel, trabalhava como um advogado respeitável, enquanto Blanche, a bela filha da socialite, era descrita como sendo uma dama “gentil e de boa índole”.


2. Paixão perigosa

Fotografia da mãe de Blanche Monnier / Crédito: Divulgação/Youtube

 

Em 1874, quando chegou aos seus 25 anos, Blanche finalmente escolheu seu pretendente favorito, o homem com quem ela passaria o resto da sua vida. Madame Monnier, no entanto, não aprovou o relacionamento, já que o escolhido era um advogado pobre, bem mais velho que sua linda filha.

Descontente com a escolha da jovem, que poderia selecionar qualquer herdeiro aristocrata que quisesse, a matriarca pedia constantemente que Blanche mudasse de ideia. Profundamente apaixonada, contudo, Blanche recusou todos os pedidos da mãe e afirmou que se casaria com o advogado de qualquer jeito.


3. Mistérios da elite

Blanche Monnier depois que foi encontrada no quarto que ficou presa por 25 anos / Crédito: Wikimedia Commons

 

Algo esquisito aconteceu com os Monnier logo em seguida. No auge de sua juventude, Blanche simplesmente desapareceu, sem deixar rastros. Sempre muito presentes entre a burguesia da cidade de Poitiers, a família passou a viver de forma mais reclusa. 

Por um total de 25 anos, ninguém viu a jovem herdeira dos aristocratas. Muitos, entretanto, imaginavam que ela havia fugido com seu pretendente, enquanto outros integrantes da elite sequer prestaram atenção em seu sumiço.


4. Vivendo no lixo

Em maio de 1901, o procurador-geral de Paris recebeu uma carta anônima. Nela, uma acusação misteriosa contra os Monnier. Desconfiados da veracidade da denúncia, os policiais foram até a casa da família abastada. Entraram, conversaram com a matriarca e, no segundo andar, sentiram um odor horrível vindo de um dos quartos.

Página de jornal que relatou o episódio / Crédito: Divulgação/Youtube

 

A cena vista pelos policiais naquele cômodo era perturbadora: comida apodrecida pelo chão, ao lado de uma cama em pedaços. Em cima dos lençóis, uma mulher desnutrida, com ossos fazendo volume na pele. Aquela era a primeira vez em que Blanche Monnier via outros rostos em mais de duas décadas.

Bastante debilitada, a mulher foi rapidamente levada para um hospital, enquanto sua mãe e seu irmão eram algemados na sala da casa. Posteriormente, a equipe médica relatou que Blanche estava terrivelmente desnutrida, pesando apenas 15 quilos. 


5. Raiva e vingança

O caso foi um verdadeiro escândalo. A sociedade parisiense nunca havia visto um ato tão cruel. Descobriu-se, durante investigações, que Madame Monnier havia trancado a própria filha, a fim de impedir o casamento de Blanche com o advogado. A jovem apenas sairia do cárcere quando cedesse à vontade de sua mãe.

Um jornal francês relata o acontecimento na família Monnier / Crédito: Domínio Público

 

Terrivelmente apaixonada, a dama de olhos ternos se recusou a desistir de seu amado — mesmo depois que ele morreu, fato que passou longe de seu conhecimento. Descoberta a trama, Madame Monnier sofreu um ataque cardíaco e faleceu 15 dias depois da libertação de Blanche.

A mulher, por sua vez, jamais voltou a se sentir livre. Ela estava, de fato, longe da casa e de sua família psicótica, mas sofria com os danos psicológicos causados pelo cárcere. Cansada, deprimida e solitária, Blanche Monnier passou o resto de seus dias em um sanatório francês. Aos 64 anos, ela deu seu último suspiro, em 1913.


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