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Explorada e exibida como atração humana: 5 fatos tristes sobre Sarah Baartman

Levada para a Europa e tratada como "aberração", Baartman não teve sossego nem depois de morta

Caio Tortamano Publicado em 28/06/2020, às 08h00

Duas ilustrações racistas apontando a visão europeia sobre Sarah
Duas ilustrações racistas apontando a visão europeia sobre Sarah - Wikimedia Commons

1. Origem incerta

Embora a jovem tenha sido objeto de estudo para vários nomes da Europa enquanto fora alvo de exposições, não se sabe ao certo quanto a origem de Sarah. O mais provável é que ela tenha nascido na Província Oriental do Cabo, na África do Sul, em meados de 1789.

2. Início da vida pública

Depois do trágico falecimento de seu namorado, com quem teve um filho que morreu pouco depois de nascer, Baartman passou a trabalhar como empregada doméstica na casa de dois europeus. 

Os ingleses — William Dunlop e Hendrik Cesars — notaram a exuberância do corpo da mulher aos olhos europeus e firmaram um contrato generoso com ela para que se exibisse na Europa. Sem saída, ela aceitou, uma vez que tinham poucas coisas que a prendiam a África do Sul.

3. Causas naturais

Portadora de uma condição genética específica, Sarah tinha um acúmulo de gordura anormal nos glúteos, tornando-os desproporcionais ao resto do corpo — o que chamou a atenção dos ingleses. Com isso, seu corpo se tornou completamente distinto dos que eram vistos em maioria na Europa.

De acordo com a autora de A Vênus Hotentote: vida e morte de Saartjie Baartman, “nádegas grandes estavam na moda na época, e muitas pessoas invejavam o que ela tinha naturalmente”. Por isso, a mulher era exposta a curiosos em uma das praças mais movimentadas de Londres, Piccadilly Circus.

4. Explorada

A caracterização da moça era racista. Caracterizada com plumas coloridas e roupas justas da mesma cor de sua pele, a mulher aparecia fumando um cachimbo, e depois das apresentações era contratada para exibições particulares, em que homens poderiam tocar em seu corpo.

Depois de estar nas mãos dos dois ingleses, uma série de problemas judiciais envolvendo a situação de trabalho em que se encontrava (se ela era obrigada a trabalhar ou não, ao que ela mesma negou — entretanto, não se sabe se foi cooptada) fez com que Sarah passasse para as mãos de um exibidor de animais. Com ele a mulher teria vicio em álcool e, supostamente, entrando no mundo da prostuição.

5. Fim de vida agitado

Nem mesmo após a morte com 26 anos, com suspeita entre sífilis, pneumonia ou alcoolismo, seus restos mortais puderam descansar. Seu cadáver e partes íntimas permaneceram em exibição na capital francesa, Paris, até 1974.

Túmulo de Sarah na África do Sul / Crédito: Wikimedia Commons

 

Foi somente em 2002, diante de um pedido feito por Nelson Mandela em 1994, que os restos da mulher explorada pelos europeus foi levado de volta à sua terra natal. Com essa mudança, seu cadáver foi finalmente enterrado e hoje está protegido com um monumento.


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