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Heróis da resistência: 6 nomes que lutaram pela igualdade dos negros perante a lei

Durante anos, muitos foram os nomes que enfrentaram a luta contra o racismo

Adriana Maximiliano Publicado em 27/03/2021, às 10h00

Rosa Parks (à esqu.) e Martin Luther King Jr. (à dir.)
Rosa Parks (à esqu.) e Martin Luther King Jr. (à dir.) - Wikimedia Commons

Registrado como Malcolm Little, caiu no mundo com o apelido de Red, ficou conhecido como Malcolm X e morreu como El-Hajj Malik El-Shabazz no dia 21 de fevereiro de 1965, às 15h10.

A história do líder americano que lutava pelos direitos dos negros chegava ao fim com 14 tiros. Malcolm foi assassinado diante de uma plateia que incluía sua mulher e três de suas quatro filhas, em um teatro no Harlem, em Nova York. Três homens ligados a uma organização religiosa da qual Malcolm foi líder durante anos, a Nação do Islã, foram presos. Mas nunca ficou esclarecido quem planejou o crime.

Contudo, muitos foram os nomes marcantes que entraram na história da luta pela igualdade perante a lei dos negros. Pensando nisso, separamos alguns deles. 

Confira abaixo!

1. Rosa Parks

No dia 1º de dezembro de 1955, Rosa Parks entrou para a história ao se negar a ceder seu lugar num ônibus público para um homem branco em Montgomery, no Alabama.

Ela foi presa por desobedecer a lei de segregação racial e, em protesto, a comunidade negra decidiu fazer um boicote aos ônibus da cidade a partir da segunda-feira seguinte, dia 5.

Parks no momento de sua prisão /Crédito - Wikimedia Commons

 

Rosa foi julgada, considerada culpada e condenada a pagar uma multa de 14 dólares. Liderado pelo pastor de uma igreja batista local, Marin Luther King Jr., o boicote durou 381 dias.

Até que, em 21 de dezembro de 1956, a Suprema Corte declarou que as leis de segregação racial eram inconstitucionais. No dia seguinte, Rosa Parks entrou num ônibus pela porta da frente, escolheu um dos primeiros assentos e ficou conhecida como a ‘Mãe do Movimento pelos Direitos Civis’.

2. Medgar Evers

No início dos anos 50, Medgar Wiley Evers conciliava o trabalho de vendedor de seguros com o de ativista pela associação Nacional para o Progresso das Pessoas de Cor (NAACP, em inglês), no Mississippi.

Quando a Suprema Corte Americana considerou ilegal a segregação nas escolas, em 1954, Evers tentou estudar direito na universidade local, mas não conseguiu.

Oito anos depois, ajudou James Meredith a se tornar o primeiro estudante negro da Universidade do Mississipi, uma marca para a luta dos direitos dos negros.

Evers liderou um boicote contra três comerciantes brancos de Jackson (capital do Mississipi), que davam dinheiro para os Conselhos dos Cidadãos Brancos, considerado o braço legal da Ku Klux Klan.

Acabou assassinado em junho de 1963 em frente a sua casa por um branco racista.

O criminoso confesso, Byron De La Beckwith, que havia fundado o Conselho dos Cidadãos Brancos do Mississipi, foi inocentado duas vezes e só no terceiro julgamento, 31 anos após a morte de Evers, foi condenado à prisão perpétua.

3. Muhammad Ali

No esporte, o herói negro da década de 60 foi Cassius Clay, ou como ficaria conhecido depois, Muhammad Ali. Assim como Malcolm X, ele foi membro da Nação do Islã e ajudou a divulgar os ensinamentos de Elijah Muhammed.

Ali foi campeão mundial de boxe profissional pela primeira vez em 1964, aos 22 anos, mas perdeu o título e acabou preso três anos depois, ao se recusar a lutar na Guerra do Vietnã.

Muhammad Ali, o "Desportista do Século" - Divulgação / Life

 

Ele alegou que a guerra era contra sua religião e que nenhum vietnamita fizera nada contra seus irmãos negros.

Recebeu apoio de grande parte da população americana, negros e brancos. Apenas em 1971, porém, a Suprema Corte dos EUA voltaria atrás em sua decisão.

Em 1974, reconquistou o título mundial, e seis anos depois, se aposentou ao ser derrotado por Larry Holmes. Ele deixou a Nação do Islã em 1975 para se dedicar ao islamismo tradicional.

4. Martin Luther King Jr.

Por liderar o boicote ao ônibus de Montgomery, Martin Luther King Jr. foi ameaçado de morte e sua casa sofreu um atentado à bomba. Mas King jamais revidou uma agressão na vida.

Com suas ideias pacíficas, mobilizou multidões, foi preso dezenas de vezes e se tornou uma das pessoas mais jovens a ganhar o Prêmio Novel da Paz (em 1964, aos 35 anos).

King era o oposto de Malcolm X. Enquanto esteve promovia revolta entre as comunidades urbanas do norte do país, aquele falava sobre integração racial para a população rural do Sul.

Mas, apesar de os líderes seguirem rumos e religiões políticas tão diferentes, eles tiveram finais parecidos. Nos últimos anos de vida, descobriram que a luta contra o racismo era uma questão maior, global.

Acabaram sendo mortos a tiros quando tinham 39 anos. No caso de King, num hotel no Memphis, Tennesse, em 1968.

5. Rubin ‘Hurricane’ Carter

O boxeador Rubin Carter (apelidado de ‘furacão) teve uma carreira vitoriosa como peso-médio e era forte candidato ao título mundial até que, aos 29 anos, foi condenado à prisão perpétua por um crime que não cometeu.

A tragédia aconteceu porque Rubin passou de carro perto do local onde três pessoas tinham sido assassinadas, num bar em Nova Jersey, em junho de 1966.

Sem nenhuma prova contra ele, Rubin levou a culpa simplesmente por ser negro. Depois de dez anos na cadeia, ele conseguiu um segundo julgamento – e foi novamente considerado culpado.

Mas, graças à biografia que escreveu na prisão, acabou sendo solto em 1985. Filho adotivo de u casal de ativistas canadenses, o jovem Lersa Martin, nascido numa comunidade pobre do Brooklin, em Nova York, se identificou com o sofrimento de Carter ao ler o livro. Ajudado por sua nova família, Martin conseguiu reabrir o caso e provou que não era um criminoso, mas uma vítima do racismo.