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Terror ao redor do mundo: As histórias reais que inspiraram a lenda da Loira do Banheiro

Existem mitos parecidas no mundo todo, mas a que todo mundo aprendeu na escola possivelmente tem uma triste inspiração real

Simone Bitar Publicado em 05/06/2020, às 10h00

Ilustração mostrando a Loira do Banheiro
Ilustração mostrando a Loira do Banheiro - Divulgação

Quem viu (ou leu) a série Harry Potter deve ter coçado a cabeça com a personagem Murta Que Geme, um fantasma no banheiro.

Ela traz à mente uma recordação da infância de quase todos os brasileiros. Quem quer que tenha passado pela escola ouviu falar da famigerada loira do banheiro, uma morta-viva cuja aparência e método para ser invocada variava e ainda varia de escola para escola.

Não é que J.K. Rowling tenha pirateado nossa cultura. Ela afirmou que simplesmente se inspirou em moças vivas chorando no banheiro. Mas o fato é que fantasmas de banheiro não são exclusividade do Brasil nem da saga Harry Potter.

Loira internacional

Nos países anglo-saxônicos existe a Bloody Mary. Esse foi o apelido de uma rainha real, mas, na versão banheiro, ela é invocada ao se chamar seu nome no espelho três vezes. Talvez por importação, o mesmo método pode ser usado para a loira do Brasil. Nas versões mais elaboradas, o ritual envolve bater a porta, abrir as torneiras e dar a descarga três vezes.

Maria Tudor, conhecida como Bloody Mary pela perseguição aos protestantes / Crédito: Domínio Público

O Japão não tem uma, mas no mínimo seis lendas de criaturas sobrenaturais que assolam os banheiros. A mais próxima da brasileira é Hanako-san, uma estudante que teria sido morta num ataque aéreo durante a Segunda Guerra. É uma garota pequena com saia vermelha que aparece no terceiro sanitário do banheiro do terceiro andar, caso alguém pergunte por ela três vezes.

Guaratinguetá, o epicentro da Loira

A nossa loira, numa das versões mais comuns, seria uma estudante mal aplicada que matava aula no banheiro, até o dia em que escorregou e bateu a cabeça na privada, passando para uma eternidade de assombrações. Haja desastre para existir uma dela em cada escola.

Ou bastou um desastre só, que foi bem registrado. Em Guaratinguetá, cidade do Vale do Paraíba, em São Paulo, conta-se uma versão detalhada de sua história. A loira seria na verdade a filha de um fazendeiro de café – Maria Augusta de Oliveira. O nome é conhecido porque sua tumba virou atração turística.

Maria Augusta de Oliveira, que, vejam só, era ruiva / Crédito: Domínio Público

Segundo a lenda, Maria se casou à força aos 14 anos com um homem muito influente. Não se adaptando ao matrimônio, a garota vendeu suas joias, fugiu para Paris e lá morreu de raiva (a doença, não a emoção) aos 26 anos, em 1891. Voltando ao Brasil, enquanto o mausoléu era preparado, seu corpo embalsamado ficou numa esquife de vidro no casarão da família por tanto tempo que começou a desidratar.

Então se passou a dizer que ela saía de noite para beber água. O casarão se tornaria a Escola Estadual Conselheiro Rodrigues Alves em 1902 (o que é um fato). Essa escola seria o epicentro da lenda no Brasil.


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