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Nada científicos e defensores de remédios peculiares: 5 fatos bizarros sobre os Doutores da Peste

Para tentar conter a pior epidemia da História, esses médicos utilizavam vestimentas insólitas e contavam com o esoterismo em seus tratamentos

Isabela Barreiros Publicado em 07/05/2020, às 16h07

Figura ilustrativa dos primeiros médicos que lidaram com a doença
Figura ilustrativa dos primeiros médicos que lidaram com a doença - Divulgação

1. A máscara

Vestimenta utilizada por médicos durante o surto de Peste Negra / Crédito: Wikimedia

 

As vestimentas usadas pelos médicos durante a peste negra se tornaram uma marca do período. A máscara com furos para os olhos cobertos por vidro e um longo bico curvo e vazio de 40 centímetros é a parte mais conhecida desse traje. No entanto, poucos sabem o que havia dentro dele.

Dentro do bico eram colocadas flores secas e ervas aromáticas (cânfora, alho e canela) para se defender dos miasmas, julgados portadores do contágio. Além disso, eram usadas esponjas com vinagre, considerado – erroneamente – capaz de desinfetar o ar respirado.


2. Remédios

Entre os “remédios” prescritos aos enfermos pela peste estava a tríaca (ou teríaca), uma poção que misturava várias ervas do Oriente, que se acreditava serem a cura. Elas eram colocadas na carne de uma cobra, obrigatoriamente “fêmea, não grávida, capturada algumas semanas após o letargo invernal, decapitada, sem cauda e tripas”, como descreve um tratado do período.

 Ela deveria ser, então, “fervida em água de fonte salgada e aromatizada com endro, triturada, empastada com pão seco, amassada em pequenas bolinhas da dimensão de uma noz e colocada para secar na sombra”. Entre os outros ingredientes havia ópio, asfalto, mirra, canela, sulfato de ferro e goma arábica.


3. Nada científico

Como é possível perceber, os métodos utilizados pelos doutores não tinham quase nenhum caráter científico, variando entre crenças populares e magia. Por isso, suas prescrições médicas provavelmente não salvaram ninguém.

“Essas figuras sombrias eram de fato médicos naquela época. Mas a medicina medieval tinha pouco ou nada a ver com o método científico, sendo mais uma mistura entre magia e esoterismo. Os médicos realmente tentavam curar os doentes de peste, mas obviamente não tinham antibióticos ou outros instrumentos eficazes contra a doença”, explica Sergio Zamperetti, historiador da Universidade Ca’ Foscari, de Veneza.


4. A quarentena nos lazaretos

Pintura sobre o caos da Peste Negra / Crédito: Getty Images

 

Os lazaretos eram uma complexa máquina sanitária, que abrigava tanto os casos suspeitos quanto os confirmados da doença. Esse foi primeiro e fundamental passo para reduzir a difusão das doenças, criando uma verdadeira indústria da prevenção e da cura das epidemias. O local era dividido repartições e unidades, cujas funções eram separar mercadorias e pessoas.  

“Mesmo não tendo uma completa compreensão das características da doença, em ocasião dos alarmes de contágio, as casas de possíveis doentes eram evacuadas. Eles eram deixados nus, lavados com vinagre, vestidos com roupas novas e enviados para a quarentena na ilha do Lazareto Novo. Se alguém realmente apresentava os sintomas da doença, passava para a ilha do Lazareto Velho”, explica a historiadora Donatella Calabi, da Universidade Ca’ Foscari.


5. Eles ainda eram contaminados

Ainda com as tentativas de prevenção, os médicos da peste acabavam, muitas vezes, sendo afetados pela doença. Isso gerava a maior possibilidade de que eles levassem a doença para fora dos lazaretos, contaminando a população sadia.

Em muitos casos, as precárias condições higiênicas dos lazaretos favoreciam, e não evitavam, o contágio. Por isso, esses locais passaram a ser construídos fora das cidades, de preferência em lugares isolados e de difícil acesso. Ilhas perto de portos eram escolhas comuns para a instalação desses centros.


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