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Hábito de ir à praia surgiu como recomendação médica

Aproveitar o mar era pouco civilizado e condenado pelas classes sociais mais abonadas

Marcus Lopes Publicado em 12/06/2019, às 18h00

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Crédito: Reprodução

É difícil imaginar as pessoas recusando um refrescante banho de mar em dias quentes, mesmo que toda aquela água esteja logo ali. Pois é, mas isso era absolutamente normal até meados do século 18. Até essa época, ninguém ia à praia para o lazer, ainda que morasse nas cidades litorâneas. Curtir a praia era considerado não civilizado pelos europeus e totalmente fora dos padrões sociais, principalmente nas classes mais abastadas.

Os hábitos só começaram a mudar quando o renomado médico inglês John Floyer apresentou estudos enaltecendo os efeitos medicinais da água salgada, como a do Canal da Mancha. Em sua obra História do Banho Frio, publicada em 1701, Floyer afirmava que a água do mar era um remédio eficiente para muitos males, inclusive a paralisia. 

História do Banho Frio / Créditos: Marshall University

 

Em 1749, outro médico britânico, Richard Frewin, reforçou os benefícios da água salgada na cura de doenças físicas e mentais. A partir daí, as praias começaram a ser frequentadas, especialmente por pessoas em busca de tratamento médico.

Com a chegada da Família Real no Brasil, em 1808, a praia medicinal foi sendo reforçada. Em determinada ocasião, dom João VI sofreu uma infecção na perna após um ataque de carrapatos na fazenda de Santa Cruz, onde passava o verão. Para curar as feridas, foram receitados banhos de mar, de forma que o iodo marinho atuasse nos ferimentos.

Como tinha medo de crustáceos, principalmente caranguejos, o príncipe regente era levado para a água dentro de uma liteira, na Praia do Caju, no Rio de Janeiro. Após mergulhar a perna por alguns minutos, era retirado pelos escravos que carregavam seu veículo.

Em pouco tempo, as feridas estavam aliviadas e o rei não precisou mais ir à praia. E, como tudo o que a realeza fazia era seguido pelos súditos, o hábito de tomar banhos de mar pegou entre a população da cidade, sendo o pontapé inicial para a ocupação do vasto litoral brasileiro para o lazer.