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Sunandha Kumariratana: a Rainha da Tailândia que morreu afogada pelo próprio preconceito

A princesa, que estava grávida do seu segundo herdeiro, veio a óbito ao lado de sua pequena filha

Vanessa Centamori Publicado em 12/03/2020, às 13h55

Princesa Sunandha Kumariratan, da Tailândi
Princesa Sunandha Kumariratan, da Tailândi - Wikimedia Commons

A princesa Sunandha Kumariratan, da Tailândia, era a filha do Rei Mongkut, conhecido como Rama IV, e de sua amante consorte, Piam. Um belo dia, em 1800, quando tinha apenas 19 anos, uma bobagem burocrática da realeza fez com que Kumariratan perdesse tragicamente a sua vida. 

A vossa alteza estava grávida daquele que seria o segundo herdeiro do trono. Naquele dia, ela estava na Ilha de Siam e andava de barco, em direção à um palácio de verão. Quando a tragédia aconteceu, a princesa não estava sozinha, mas junto de sua pequena filha. 

De repente, uma terrível corrente passou muito perto e virou o barco onde ambas estavam. Muitas testemunhas viram Kumariratan e sua filha gritarem por socorro, pedindo que alguém às salvassem de um afogamento.

 Sunandha Kumariratan / Crédito: Domínio Público 

 

Mas fato é que ninguém teve a coragem de ajudá-las. Não foi por covardia ou ruindade. Uma antiga lei previa que nenhuma pessoa comum devia tocar em nenhum membro da família real — mesmo que o cidadão se encontrasse em perigo e risco de vida. O princípio nasceu da superstição e é uma tradição siamesa ancestral, cujo a origem ainda é desconhecida. 

Porém, essa não era a única tradição da época que era um tanto quanto inusitada. Outro costume religioso dizia, inclusive, que nenhuma pessoa deveria tentar salvar alguém de um afogamento.

Dizia a lenda que, se você tentasse salvar uma pessoa nessa situação, o rio iria querer seifar a sua vida em troca da de quem você estivesse tentando salvar. Digamos que, nesse resgate, a sua tentativa de heroísmo desse certo. Nesse caso, mesmo assim, você morreria mais tarde, pois o poder do rio não deixaria barato. 

O rei Rama V, da Tailândia / Crédito: Wikimedia Commons 

 

Assustados com essa possibilidade, e devido ao código de etiqueta real, os plebeus jamais ajudaram Kumariratan. Então o Rei Rama V, que era o marido da princesa, ficou desolado, afinal ele não perdera só a mulher, como seus filhos. Em homenagem, o monarca ergueu um monumento e anulou imediatamente a absurda lei que matou a sua família.

Um fato curioso é que Sunandha Kumariratan se casou com o Rei Rama V como apenas uma consorte — e quando ainda era adolescente. Isso significa que ela tinha grande parte do status real, mas jamais o poder militar e político.

O rei tailandês Mongkut, pai da princesa que morreu afogada / Crédito: Domínio Público 

 

Detalhe é que o seu marido não se casou somente com ela, mas também com duas de suas irmãs. Era uma tradição que os reis siameses tivessem grandes haréns de mulheres. Como resultado, eles tinham não só várias esposas, como dezenas de filhos. 

Apesar disso, muitos acreditavam que o rei amava verdadeiramente Kumariratan e que a princesa da Tailândia era a sua amada favorita. Rama V é lembrado por várias reformas que ele empregou no reino, impedindo a colonização da Ilha de Siam por parte de povos vindos do oeste. 

O monarca também criou a Academia Militar Real em seu reino para treinar soldados que iriam proteger seu território. A tática era também uma forma utilizada pelo rei para centralizar o seu poder. Outra questão incentivada por Rama V foi a abolição da escravidão, medida tomada pelo rei com inspiração na sangrenta batalha da Guerra Civil Americana. 

Palácio Bang Pa-In Royal, na capital da Tailândia / Crédito: Wikimedia Commons 

 

Após a morte de Sunandha Kumariratan, o monarca viúvo instaurou uma monarquia constitucional e aderiu ainda à medidas mais democráticas. Prisioneiros políticos, que antes tiveram suas vozes reprimidas, foram libertos. Muitos textos que eram censurados passaram a ser publicados. 

Por outro lado, infelizmente, a fama de Sunandha Kumariratan não é tão positiva assim até os dias de hoje. Ela não conseguiu muitos feitos por ter morrido jovem e, por isso, é mais associada ao motivo tráfigo de sua morte — algo facilmente evitável. Kumariratan aparece atualmente em um memorial presente  no Palácio Bang Pa-In Royal, na capital da Tailândia, a cidade de Bangkok.


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