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Vanguarda lírica: A história da ópera em 8 momentos marcantes

Conheça as óperas que promoveram rupturas na História do gênero

Izabel Duva Rapoport Publicado em 09/05/2021, às 10h00

Imagem meramente ilustrativa
Imagem meramente ilustrativa - Imagem de David Mark por Pixabay

Apesar de ter surgido na elite aristocrática, a ópera ajudou a popularizar a cultura europeia. “Entre os séculos 17 e 19, o teatro musical era o maior espetáculo popular, onde a cidade se encontrava: o governo, a aristocracia, a burguesia, a classe média e os pobres”, escrevem Fernando Fraga e Blas Matamoro em A Ópera.

Sua fama de requintada se deve, claro, às origens do gênero, que nasceu como um entretenimento nobre das cortes. A rigor, surgiu de um grupo de estudos sobre a Antiguidade na década de 1570, em Florença, na Itália.

Três décadas depois, o músico Jacopo Peri apresentou as obras Dafne e Eurídice na corte florentina, ambas com teatro e canto; porém, do ponto de vista dramático, a pioneira é Orfeu, de Claudio Monteverdi, estreada em 1607, em Veneza.

Um sucesso de crítica, mas não de público; por isso, a monarquia decidiu abrir as óperas a todas as classes sociais.

Com ingresso pago, o gênero viraria um negócio comercial e os espetáculos passariam a inovar cada vez mais.

Veja 8 momentos importantes da história da ópera.

1642 - A Coroação de Popeia, de Claudio Monteverdi

Inaugura elementos modernos, como o interlúdio e a temática baseada em episódios
históricos – e não mais em lendas. Esta peça trata dos amores reais entre Popeia e o imperador romano Nero.


1762 - Orfeu e Eurídice, de Christoph Gluck

Exemplo do classicismo lírico, que abandona parte da formalidade barroca. Inpirada
na tragédia grega e na ópera francesa (séria e cômica), incorpora árias, coros e uma versão inicial de orquestra.


1787 - Don Giovanni, de Wolfgang Amadeus Mozart

Surgem os primeiros personagens de psicologia realista e o primeiro anti-herói: um inquietante nobre que seduz as donzelas prometendo casamento, mas as abandona.

Um sedutor que, de fato, vai se revelar um perdedor.


1813 - O Barbeiro de Sevilha, de Gioachino Rossini

Marco da ópera cômica, foi a obra mais popular do compositor e uma das mais executadas no mundo, até hoje. Entre as passagens conhecidas, está a música cantada pelo personagem Fígaro de forma muito rápida. 


1875 - Carmen, de Georges Bizet

Um choque para os costumes da época. Pela primeira vez, em cena, uma mulher livre enfrenta um homem. A estreia sofreu duras críticas e o autor, que morreu três meses depois, não pôde ver a aclamação popular da volta aos palcos.


1876 - O Anel dos Nibelungos, de Richard Wagner

Série baseada na mitologia nórdica, com quatro óperas e duração de 15 horas: um desafio para os artistas e para o público. Com sua própria casa de ópera, Wagner também foi pioneiro em avanços da linguagem musical.


1887 - Otelo, de Giuseppe Verdi

Nunca antes uma obra de William Shakespeare recebera versão lírica tão bela e primorosa. Na estreia, o compositor precisou voltar 20 vezes ao palco para receber os aplausos da plateia.


1905 - Salomé, de Richard Strauss

Depois de Carmen, esta é a ópera que mais trabalha a sensualidade, reunindo os opostos gregos eros (amor, sensibilidade) e tanatos (morte). Pelo conteúdo considerado forte demais, a obra foi proibida em alguns países.