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Os bolinhos voadores da Nasa

Os projetos malucos que deram origem ao ônibus espacial – e agora, a seu sucessor

Fabio Marton Publicado em 03/01/2019, às 08h00 - Atualizado em 18/02/2019, às 08h25

Bolinhos voadores da Nasa
Reprodução/Nasa

Ainda em seus primeiros anos, a Nasa já estava tentando criar o “avião espacial”. A ideia era um veículo que pudesse ir e voltar e descesse num aeroporto em vez de cair no meio do oceano. E conseguiram: o resultado foi o ônibus espacial, inaugurado em 1981 e aposentado em 2011. Mas nesse caminho muita coisa esquisita surgiu.

A banheira de madeira que só planava foi o começo da era sem asanurflugel.com

Com a tecnologia da década de 1960, um problema com o avião espacial eram as asas, que seriam destruídas pelo imenso atrito na reentrada. O engenheiro Alfred J. Eggers Jr., do Ames Aeronautical Laboratory, notou que a ponta de um foguete, se levemente modificada, causava sustentação aerodinâmica: voava, sem asas.

Versão em metal da banheira, e não muito mais versátilWikimedia Commons

Em 1963, decolou o M2-F1, a “banheira voadora”. Decolar, no caso, é exagero, porque era só um planador de madeira puxado por um avião. E, por todo o projeto, nenhum dos lifting bodies (“fuselagens sustentáveis”) decolaria por meios próprios. Após 477 voos, a Nasa decidiu que seria viável um avião de verdade sem asas.

O leme central deixou o único supersônico da série M2 quase controlávelWikimedia Commons
Não ria: Ele podia chegar a quase duas vezes a velocidade do somReprodução/Nasa
O projeto em conjunto com a Aeronáutica evoluiu da banheira para a batataWikimedia Commons
O ultimo da série ganhou aquela levantada no visualWikimedia Commons

Então foi criado o M2-F2, de 1966, versão em metal do M2-F1, que voava tão bem quanto uma banheira – o avião chacoalhava violentamente. Um sério acidente no ano seguinte levou ao M2-F3 – igual, mas com um leme a mais, estreando em 1970. Em paralelo à série MF, surgiu o HL-10, também em 1966. Esse quebraria vários recordes sem quebrar seus pilotos. O último dos esquisitões foi o X-24A, de 1969, que tinha a vantagem de não parecer uma banheira, sendo mais bem descrito como “batata voadora”. Esse evoluiu para o bem mais estiloso X-24B, com linhas angulosas, como a cria final do projeto: o ônibus espacial. Que, ironicamente, tinha asas. A tecnologia então já permitia isolá-las da temperatura na reentrada.

Mas as banheiras voadoras voltaram: entre projetos o Dream Chaser é o mais avançado. O aviãozinho espacial sem asas e capaz de levar seis passageiros, foi criado por uma empresa privada a pedido da Nasa. Está na fase final de testes na atmosfera antes de sua primeira missão espacial. É o possível sucessor do ônibus espacial e também deverá servir à iniciativa privada.

O futuro da exploração espacial vai dispensar as asasnurflugel.com