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O racismo contra Dorothy Counts

Em 1957, a primeira aluna negra numa escola antes segregada era hostilizada por racistas na Carolina do Norte

Redação AH Publicado em 12/11/2018, às 09h00 - Atualizado às 10h06

Aluna negra é hostilizada
Douglas Martin/ AP

O ano era 1957 e Dorothy Counts, uma garota americana de 15 anos, só queria estudar. Mas, antes mesmo de chegar à sala de aula, a garota foi alvo de bullying de quase todos os alunos da escola. Seu problema? Ser negra. Acontece que Dorothy era a única garota de um grupo de quatro alunos negros que iriam estudar na Harding High School, em Charlotte, na Carolina do Norte. Todos os demais colegas eram brancos.

Três anos antes, a Suprema Corte dos EUA havia definido que escolas segregacionistas estavam proibidas. Isso parecia não importar para os moradores da cidade. Quem puxou a fila do assédio contra a jovem negra foi a mulher do líder do Conselho de Homens Brancos da cidade, que pedia aos alunos que cuspissem na menina de 15 anos. Os garotos foram além: jogaram pedras em Dorothy e gritavam para que ela voltasse de onde tinha vindo.

Ela passou quatro dias na escola. Não contou com a ajuda da diretoria nem dos professores. Apenas duas garotas se aproximaram dela. Quando tentou almoçar no refeitório, cuspiram em sua bandeja. No corredor, foi atingida nas costas por um apagador. Na sala de aula, era confinada às últimas cadeiras, e os professores ignoravam quando levantava a mão. A família passou a receber ligações ameaçadoras e decidiu tirá-la da escola. Doroty acabaria se formando em um colégio da Pensilvânia.

Aos 76 anos, Dorothy ainda vive em Charlotte. Em 2012, falou com a repórter Luciana Coelho, da Folha de S.Paulo. “Há 55 anos, não passava pela minha cabeça que viveria para ver a posse de um presidente negro”, disse. Em 2010, a Harding High School a homenageou ao batizar um novo prédio com seu nome.